Gre-Ju final Gauchão
Futebol

Opinião: A decisão do Gauchão dá ao Gre-Ju de 180 minutos o mesmo peso de um Gre-Nal de 90?

Dezessete anos depois do Gauchão receber um Gre-Ju numa final, neste sábado um novo capítulo se escreve na história de um dos principais estaduais do país com o clássico entre a Serra e a Capital. Juventude e Grêmio começam a decidir quem fica com o título de campeão do Rio Grande do Sul em 2024 após as equipes despacharem Internacional e Caxias, seus principais rivais nas semis, e jogam em duas partidas pela glória estadual.

Mas a pergunta que fica para nortear este artigo é: os 180 minutos de decisão entre os times da Serra e da Capital terão o mesmo peso que tem um duelo entre colorados e tricolores em 90? Os fatos a serem expostos a seguir em torno do assunto poderão evidenciar se temos razão ou não sobre a importância desse reencontro.

Fatores para o peso do Gre-Ju na final do Gauchão

O Juventude chega a uma final de Gauchão após nove anos da última participação, onde terminou derrotado pelo Internacional, que nesse ano, apesar de montar um time competitivo, e ter vencido seu maior rival no clássico da primeira fase, foi surpreendido pelo próprio alviverde de Caxias do Sul na semifinal. Campeão em 1998 contra os colorados, a equipe de Roger Machado mostrou poder de reação ao competir de igual pra igual contra o super elenco do Inter de Eduardo Coudet e arrancar dois empates, um no Alfredo Jaconi, por 0 a 0, e outro no Beira-Rio, em 1 a 1, no qual saiu na frente, viu o Inter empatar, e se classificou nos pênaltis.

Os Jaconeros que possuem no elenco nomes como Nenê, jogador com passagens por Vasco, São Paulo e PSG, e Zé Marcos, autor do gol da equipe contra o Inter em Porto Alegre, volta à Série A do Brasileirão nesse ano, e busca impor um troco no Grêmio, time contra o qual disputa a decisão do Gauchão pela quarta vez. Nos anos de 1996, 2001, e 2007, o tricolor gaúcho levou a melhor, e vem para este ano em busca de sua sétima taça seguida no campeonato estadual depois de vencer o maior rival do Juventude, o Caxias, com vitórias na ida e na volta das semifinais, pelos placares de 2 a 1 na Serra, e 3 a 2 na Arena do Grêmio.

Depois de uma primeira fase não tão convincente para parte da imprensa gaúcha, entrando em conflito com aqueles que denominou como “cornetinhas do ar condicionado”, ter perdido o Gre-Nal de virada, e prestes a estrear na Libertadores da América, a decisão do Gauchão servirá para o Grêmio e sobretudo para Renato Portaluppi, mostrar que está vivo, por mais que a ausência de Suárez ainda reflita no clube. Conquistar o heptacampeonato servirá como uma luva para levantar a moral tricolor e levá-lo a conquistas mais importantes em 2024, porém, as finais dos dois sábados mais do que nunca servem não só ao Grêmio e a Renato, como também ao Juventude e Roger Machado.

Ex-técnico e ex-jogador do adversário de amanhã, Roger assumiu pela segunda vez o alviverde de Caxias neste ano e tem como missão levar o clube a quebrar um jejum de 26 anos em busca do bicampeonato estadual. Além disso, traz ao treinador a chance de conquistar o Gauchão pela segunda vez na carreira, taça que ergueu com o próprio Grêmio em 2022, ano em que também terminou sua segunda passagem pela equipe da capital.

Diante do citado anteriormente, o Juventude possui outro fator importante para si, em busca de quebrar a hegemonia do adversário de amanhã na galeria recente do Gauchão. O fato de ter sido junto ao rival Caxias, as duas únicas equipes de fora de Porto Alegre a conquistarem o título na era unificada do torneio, iniciada nos anos 60.

Sendo assim, podemos acreditar que todos estes fatores trazem a esperança de que neste sábado e no próximo, tenhamos um grande jogo a acompanhar e realmente, ter a certeza de que o Gre-Ju em seus 180 minutos, tenha o mesmo peso que todo Gre-Nal possui em apenas 90. Podemos esperar com toda a certeza, que o ‘grand finale’ do Gauchão terá uma festa linda vinda das arquibancadas, porém, é preciso contar com que dentro de campo, a festa seja bem feita com o futebol mostrado pelas duas equipes. Competência e técnica não faltam, mas é preciso ter raça, e muita boa vontade para mostrar que está brigando pelo troféu.

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA.

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