Orlando Luz já foi uma das grandes promessas do tênis brasileiro. Quando ainda estava no juvenil, foi o número 1 do ranking e empolgava os fãs nacionais. No entanto, em 2017, anunciou que faria uma pausa para realizar uma cirurgia nos olhos. Em 2019, revelou ser portador de ceratocone, doença degenerativa da córnea do olho.
Desde então, joga apenas usando lente e, por conta desse problema, teve dificuldade no circuito da ATP. Em 2025, teve um enorme crescimento nas duplas e conseguiu se firmar no top 100 da modalidade. No último fim de semana, acabou entrando no qualifying do ATP 250 de Estoril como um alternate.
E surpreendeu ao buscar a vaga na chave principal do torneio. Essa é a primeira vez que Orlandinho disputa um torneio da ATP em simples em nove anos: “É um momento de muita felicidade e de muito orgulho, por todo o trabalho que eu coloco no dia a dia. Conseguir furar esse quali tem um significado enorme pra mim.”

Orlando Luz superou problema de visão
Essa não é a primeira vez que Orlando Luz joga um qualifying de simples. No entanto, nos últimos anos, não teve sucesso em chegar à chave principal. Em Challengers, também não tem tido grandes resultados e disputou somente uma final na carreira, em 2021, quando perdeu para Holger Rune.
Contudo, teve um juvenil muito vitorioso, chegando a vencer em Wimbledon e nas Olimpíadas da Juventude. Em ambos foi campeão nas duplas, ao lado de Marcelo Zormann, mas também foi finalista no simples na Olimpíada, ficando com a prata. Além disso, em sua carreira juvenil, foi n.º 1 do ranking da ITF.
E apesar dos resultados antes da transição para o profissional não significarem muita coisa, havia uma grande esperança em Orlandinho. Seu estilo de jogo chamava a atenção, só que a situação mudou após a cirurgia nos olhos e foi necessária uma grande adaptação. Em uma entrevista ao ge em 2019, chegou a falar sobre o que aconteceu.
“O Léo Azevedo estava me treinando e descobriu que meu jogo tinha mudado pela minha visão. Ele falou que com 17 anos eu jogava um passo atrás da linha e quando podia entrava na quadra, e agora, com 19, estava jogando dois, três passos atrás. Eu precisava ir para trás para dar tempo de enxergar a bola. Quando eu botei a lente, comecei a ir um pouco mais para frente, retomar meu tênis.”
Para jogar, o brasileiro precisa usar uma lente especial, que custa quase R$ 6 mil e dura apenas um ano. Em Roland Garros, Orlando Luz precisou entrar em quadra usando óculos, o que não ajuda completamente na sua visão. A derrota veio nas quartas de final e o gaúcho explicou.
“Tentei treinar sem lente e não tinha condição nenhuma. Eu tenho 20% de visão sem óculos. Nunca tinha jogado de óculos, tenho 50% de visão com ele. Faz muita diferença para devolver um saque que vem a 200 por hora, não é nada fácil. Sabia que era a única opção que eu tinha.”
Mesmo com a cirurgia e a lente, acabou nunca mais tendo o mesmo sucesso no simples. Sua última aparição em uma chave principal de nível ATP havia sido em 2017, no Brasil Open. Agora, nesta terça-feira (21), irá enfrentar o português Nuno Borges, cabeça de chave 5 em Estoril e 52º no ranking da ATP.

Sucesso nas duplas
Em 2025, Orlando Luz teve ótimo resultado nas duplas de Roland Garros, chegando até as quartas de final do torneio. Foi quando passou a crescer e se estabelecer de vez no top 100 da categoria, sendo o atual n.º 2 do Brasil. Desde então, vem subindo cada vez mais e, na atual temporada, firmou parceria com Rafael Matos.
Os tenistas já conquistaram três títulos neste ano: no ATP 250 de Buenos Aires, no ATP 250 de Santiago e no Challenger de Braunschweig. A dupla está na disputa de Estoril, já entrando de forma direta nas oitavas de final. A estreia será na quarta-feira (22), contra Benjamin Kittay e Ray Ho.
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