Encerrada neste sábado reabrindo o tradicional estádio do Pacaembu, a Copinha de 2025 fechou os trabalhos tendo um clássico entre São Paulo e Corinthians na grande decisão, vencida pelos tricolores numa virada histórica de 3 a 2. O duelo foi marcado pela vantagem corintiana ter sido aniquilada em menos de cinco minutos na etapa final, e o são-paulinos apresentarem um alto poder de reação para se consagrar pela quinta vez na história do torneio. Mas afinal, o que fica de ensinamento com relação a esta final tão disputada? Confira a seguir uma análise sobre este Majestoso.
Os ensinamentos deixados pela grande final da Copinha
Duelando pela terceira vez numa decisão de Copa São Paulo de Futebol Júnior, São Paulo e Corinthians realizaram uma partida cercada por altos e baixos, com ambos se revezando no controle do confronto e do placar, aberto pelo Timão ainda no primeiro tempo, com um gol de Denner e acentuado pouco tempo depois, num golaço de Gui Negão. O Tricolor do Morumbi respondeu no finalzinho do período com um gol de Paulinho, que deu aos mandantes da final o “gás” necessário para a virada que aconteceria nos 45 minutos seguintes.
A equipe comandada por Allan Barcellos sentia a ausência de seu artilheiro Ryan Francisco, suspenso, mas soube se portar bem o suficiente para construir uma virada antológica sobre seu maior rival, marcando seus três gols em jogadas semelhantes, e traumáticas para o Alvinegro, até então com as mãos na taça e conquistando seu 12º título. Fazendo jus ao ditado que fala sobre o “futebol ser a arte do impossível”, o São Paulo empatou e virou o jogo o segundo tempo com Andrade e Paulinho, explorando lançamentos pelo alto para anular a marcação corintiana e o goleiro Kauê, que pouco pôde fazer para evitar a odisseia tricolor.
Paulinho, o talismã tricolor
No histórico 3 a 2 conquistado pelo São Paulo diante de um grande público totalmente a seu favor, o Tricolor aniquilou os planos corintianos com maestria e força de vontade, apesar do calor na capital paulista e do gramado sintético do Pacaembu ter sido em alguns momentos do jogo um rival a mais para ser derrotado. Paulinho foi um substituto à altura para Ryan Francisco, e colocou seu nome “pra jogo” no projeto de Luis Zubeldía, que poderá ganhar mais um importante atleta para o setor ofensivo do Time da Fé.
Com apenas 19 anos, além de ter sido o autor do primeiro e do terceiro gol da equipe na final, o jovem foi o segundo maior goleador do time sub-20 no ano passado, e demonstra uma grande identificação com o grupo, que segundo ele, foi muito questionado sobre vestir a camisa de um time como o São Paulo.
Esse grupo merecia bastante, sofremos muitas críticas, principalmente no Brasileirão. Todo mundo foi criticado, que essa geração não prestava e tinha que todo mundo ir embora, mas nós podemos jogar no São Paulo”
— afirmou Paulinho.

O ponto e o contraponto da derrota corintiana
Do lado corintiano, a derrota de virada para um rival na decisão evidentemente doeu de maneira intensa, contudo, há de se reconhecer a existência de pontos bons e ruins em torno dela. Começando pela parte boa, o Timãozinho apresentou assim como o adversário uma postura elogiável para deixar a final equilibrada, e jogadores que podem em breve servir o elenco profissional, como o jovem Denner, e o meia Gustavo Bahia, que se destacou durante a Copinha balançando a rede em três ocasiões. Suas promoções caso aconteçam neste primeiro semestre darão ao Alvinegro a possibilidade de ter setores mais resistentes, e fazer sombra para aqueles que ainda não engrenaram na equipe.

Entre os pontos negativos do Corinthians nessa final, além da defesa desorganizada nos três gols sofridos por meio de cruzamentos, destaca-se um ponto citado pelo meia tricolor Matheus Alves, que após conquistar o título, debochou de uma provocação feita pelos rivais às vésperas do jogo. O jogador expôs que os corintianos haviam cantado vitória antes do tempo, mas desconheciam a equipe são-paulina, reafirmada por ele como “campeã de tudo”. A soberba com a qual alguns atletas agiram sobre o duelo antes dele ocorrer foi outro momento determinante para a derrota deste sábado, e deve servir como uma lição para disputas futuras.
Os amigos do outro lado falaram que iam amassar, falaram que eles eram favoritos, mas esqueceram que do outro lado é o campeão de tudo, o super campeão. Agora, eles choram com a medalha de prata, e eu dou risada com a medalha de ouro – disse Alves.
Foto: Victor Monteiro/Ag. Paulistão


