O atacante Endrick vive atualmente seu período mais turbulento desde sua chegada ao Real Madrid, em agosto de 2024. Considerado uma das maiores promessas do futebol mundial, o jovem brasileiro de 19 anos enfrenta uma fase delicada, praticamente sem espaço nos planos de Xabi Alonso — somando apenas 11 minutos em campo nesta temporada. Em meio à crescente polêmica e à provável saída na janela de inverno, o pai do jogador voltou às redes sociais para defender o filho, enquanto o Lyon surge como principal destino para o restante da campanha.
Essa não é a primeira vez que algo assim acontece desde que Endrick desembarcou em Madri. Há cerca de um mês, quando a situação começou a escapar de controle e o distanciamento entre o jogador e a comissão técnica se tornou evidente — lembrando que o brasileiro não atuava desde antes do Mundial de Clubes —, Douglas Sousa fez sua primeira manifestação pública. Na ocasião, escreveu: “Eu sei, meu filho, o quanto você se dedica e trabalha duro a cada minuto do seu dia. Sei exatamente do que você é capaz. Você é um vencedor e está mostrando a todos a força de um verdadeiro guerreiro. Sua estrela seguirá brilhando, mesmo que alguns tentem apagá-la. Acredito que seu futuro está aí”.
No futebol, a passagem bíblica de Mateus 23:12 — “Pois todo o que se exaltar será humilhado, e todo o que se humilhar será exaltado” — ganha um peso especial, e não por acaso foi escolhida pelo pai de Endrick para este momento. Após mais uma partida no banco e outra noite sem ser utilizado, a citação soou como uma mensagem carregada de significado, direcionada tanto ao próprio filho quanto, indiretamente, aos responsáveis pela gestão de seu tempo de jogo no Real Madrid, sob o comando de Xabi Alonso.
Num ambiente em que talento pode rapidamente virar fama, e fama pode se transformar em arrogância, o trecho bíblico funciona como alerta: o futebol tende a punir quem se coloca acima dos outros. Em contrapartida, costuma recompensar aqueles que permanecem humildes, reconhecem que sempre há espaço para evolução, entendem a fragilidade do sucesso e valorizam o coletivo acima do individual. É justamente esse caminho — o da paciência e da discrição — que Endrick tenta trilhar, mesmo sem espaço no elenco merengue.
A mensagem veio acompanhada por uma foto do atacante sentado sozinho no banco do Santiago Bernabéu. Uma frase simbólica… e uma imagem que sintetiza a solidão vivida pelo brasileiro. Paralelamente, após o cartão vermelho direto recebido em meio ao caos na derrota para o Celta de Vigo por 1 a 0 em La Liga, sua saída do Real Madrid parece ainda mais inevitável em janeiro do ano que vem. Desde que foi comprado junto ao Palmeiras, Endrick soma 38 partidas e apenas sete gols marcados.

Pai de Endrick reage indignado após expulsão no banco contra o Celta de Vigo
No dia 7 de dezembro de 2025, pela 15ª rodada da LaLiga, o Real Madrid foi derrotado em casa por 2 a 0 pelo Celta de Vigo, em uma partida marcada por tensão com a arbitragem e múltiplas expulsões. Entre os episódios polêmicos, o jovem atacante brasileiro — que sequer entrou em campo — acabou expulso diretamente do banco por protestar veementemente com o quarto árbitro. Segundo a súmula, ele deixou a área técnica, dirigiu-se ao árbitro e “gritou”, sendo contido por membros da comissão.
Para Douglas Sousa, pai do jogador, esse momento representou o limite de uma sequência que ele considera profundamente injusta com Endrick. Nas redes sociais, ele desabafou, exaltando as qualidades do filho e apontando “injustiça” como principal motivo da falta de oportunidades no clube. “Eles não sabem quem você é, o brilho que você tem”, declarou, destacando a humildade, o talento e a dedicação do atacante.
A manifestação ocorreu em meio à crescente frustração. Nos últimos meses, Endrick vinha acumulando pouquíssimos minutos, quase sempre esquecido no banco — situação que parte da imprensa espanhola classificou como “invisibilidade”. Além disso, aumentam as especulações sobre um possível empréstimo ou até uma saída antecipada, com clubes europeus demonstrando interesse no jovem. A própria família, segundo o pai, não descarta mudanças significativas no futuro imediato do atleta.
A expulsão na derrota para o Celta de Vigo vai além de um ato isolado: simboliza o ponto de ruptura entre uma promessa em maturação e a frustração de ver seu desenvolvimento travado. O desabafo público do pai evidencia uma dor familiar e ilumina uma crise de protagonismo — e de paciência — que pode definir os próximos capítulos da carreira de Endrick.

Sem espaço no Real Madrid, Endrick aposta no Lyon em 2026 para garantir vaga na Copa do Mundo
Apesar da grande expectativa criada em sua chegada ao Real Madrid, Endrick vive um período de quase total ostracismo. Na temporada 2025/26, o atacante soma entre 11 e 14 minutos disputados — todos em uma única aparição, na vitória sobre o Valencia.
Diante da falta de oportunidades e da preocupação crescente com a Copa do Mundo de 2026, seu estafe acertou um empréstimo de seis meses ao Lyon. O acordo, já encaminhado, deve ser confirmado no início de janeiro, com o clube francês arcando com parte dos salários e sem cláusula de compra obrigatória.
Em Lyon, Endrick terá um ambiente mais acolhedor para retomar ritmo e confiança. O técnico, fluente em português, já conversou com o atacante, e o clube vê nele uma aposta concreta para reforçar o ataque — com grande possibilidade de titularidade.
Na ótica da Seleção Brasileira, o empréstimo é visto como estratégia para recolocar o jogador no radar de Carlo Ancelotti. O treinador não descartou convocá-lo para o Mundial, mas foi claro: ele precisa voltar a atuar com regularidade.
A expectativa é que, em solo francês, Endrick volte a ganhar minutos, marque gols e reconstrua sua trajetória rumo à Copa. A passagem pelo Lyon desponta como um possível divisor de águas — tanto no clube quanto na carreira internacional.

Endrick mira no Lyon o caminho de Cris, Fred e Juninho antes da Copa de 2006
A provável ida de Endrick ao Lyon em janeiro de 2026 representa mais do que uma tentativa de recuperar espaço após meses de pouca utilização no Real Madrid. O jovem atacante também enxerga no clube francês a chance de repetir a trajetória vitoriosa de três brasileiros que brilharam no Lyon antes da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha: Cris, Fred e Juninho Pernambucano.
Assim como o atacante agora, aqueles jogadores encontraram em Lyon o ambiente ideal para alcançar regularidade, evoluir e se destacar. Cris se tornou um dos zagueiros mais consistentes da Europa; Fred, recém-chegado do Cruzeiro na época, impressionou Carlos Alberto Parreira com seus primeiros meses na França; e Juninho virou líder técnico, referência tática e protagonista das campanhas que colocaram o clube no topo do futebol francês.
Endrick busca exatamente esse salto. A falta de espaço no Real Madrid contrasta com as expectativas criadas desde sua chegada à Europa, e o Lyon surge como chance real de reconstruir seu caminho às vésperas da Copa de 2026. O clube mantém tradição de desenvolver jogadores brasileiros, oferece ambiente acolhedor e promete minutos em campo — essenciais para convencer Ancelotti de que merece estar no Mundial.
Ao seguir o exemplo de Cris, Fred e Juninho, Endrick tenta trilhar a mesma lógica: jogar regularmente, assumir responsabilidades, evoluir técnica e mentalmente e chegar à Copa com confiança e protagonismo. Para o jovem atacante, o Lyon pode ser mais do que um simples empréstimo — pode ser o ponto de virada que transforme potencial em realidade, abrindo o mesmo caminho que levou tantos brasileiros ao topo do futebol mundial.
(Foto: Getty Images)