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Palace abre o jogo sobre Marc Guéhi: se pagar, leva, mas não é tão simples assim

Por mais que o torcedor do Crystal Palace queira fingir que não está ouvindo ou vendo… o assunto Marc Guéhi já está batendo na porta de Selhurst Park, e isso não é de hoje. O maior dos problemas é que, isso não é apenas uma batida, ou qualquer uma: é daquelas que vêm acompanhadas de cifrões, agentes, olheiros e clubes gigantes da Europa inteira, tudo o que costuma envolver os bons e jovens jogadores do mundo.

O técnico Oliver Glasner resolveu falar abertamente sobre a situação do capitão dos Eagles e deixou claro o que todo mundo já suspeitava: se aparecer uma proposta “irrecusável”, o Palace vende, isso não é segredo para ninguém. Simples assim.

Guéhi, zagueiro da seleção inglesa, tem contrato apenas até o fim da temporada. Ou seja: janeiro virou o último momento real para o Palace tentar faturar algo antes de correr o risco (bem real) de perder o jogador de graça no verão europeu. E ninguém quer ver um ativo desse tamanho saindo pela porta dos fundos, apesar de já ter noção da perda de seu valor, por conta do risco que a equipe corre no momento.

Manchester City entra forte no jogo

Quem apareceu com mais força na disputa foi o Manchester City. Pep Guardiola, que já deve estar ficando careca de vez com os problemas defensivos, viu Gvardiol e Rúben Dias se lesionarem no empate contra o Chelsea e ligou o sinal de alerta. Não tinha outro caminho, diferente de correr atrás de Guéhi como se o mundo dependesse disso, e o fato da equipe do Palace estar em declínio, auxilia bastante nesta realidade.

Vale lembrar que no verão passado o Palace recusou uma oferta de cerca de £35 milhões do Liverpool. Na época, o clube bateu o pé. E olhando em retrospecto… até fez sentido.

Afinal, Guéhi foi peça-chave numa temporada histórica: o Crystal Palace terminou em 12º na Premier League, conquistou a FA Cup (sim, você leu certo) e se classificou para competições europeias pela primeira vez. De quebra, ainda venceu o Community Shield, batendo o Liverpool nos pênaltis. Nada mal para quem, anos atrás, só pensava em não cair.

Glasner: realista, direto e sem ilusões

Oliver Glasner não tentou dourar a pílula no Crystal Palace. Em entrevista repercutida por The Athletic e The Times, o treinador foi bem honesto e reto:

“Eu não sou ingênuo. Se uma oferta gigantesca vier do City e o Marc quiser ir, isso vai acontecer.”

Sem drama, sem discurso ensaiado. Glasner deixou claro que a decisão final passa pelo jogador, mas que existe um limite financeiro que o clube não pode ignorar. Além de que, se o técnico tivesse poder de decisão direta quanto a isso, teria segurado Eberechi Eze e Michael Olise, porém, tudo se trata dos ossos do ofício.

E aí entra o ponto mais interessante: o técnico reconhece que o futebol moderno não vive só de bola rolando.

“Se você olhar só o lado esportivo, todo mundo no clube vai dizer que o Marc tem que ficar. Mas não é algo de uma dimensão só. A situação financeira também importa.”

O fantasma da saída gratuita

E como se a pressão do mercado inglês já não fosse suficiente, existe um fator ainda mais preocupante rondando Selhurst Park: Marc Guéhi pode sair de graça. A partir deste mês, o zagueiro está legalmente autorizado a assinar um pré-contrato com clubes de fora da Inglaterra, o que coloca o Crystal Palace contra o relógio. Se nenhuma venda acontecer agora, o risco de perder seu capitão sem receber um centavo sequer é real e alto.

O interesse, aliás, não vem de qualquer lugar. Alguns dos maiores clubes do futebol europeu já monitoram a situação de perto. Bayern de Munique, Real Madrid, Barcelona, Inter de Milão e Atlético de Madrid enxergam em Guéhi uma oportunidade rara de mercado: um defensor interessante, titular da seleção inglesa, em plena maturidade e disponível sem custo de transferência no meio do ano. Para qualquer um desses gigantes, seria quase um negócio de Black Friday, e para o Palace, um verdadeiro pesadelo financeiro.

É justamente esse cenário que torna o mês de janeiro tão decisivo. O clube sabe que segurar Guéhi até o fim da temporada pode significar manter competitividade dentro de campo, mas também sabe que isso pode custar caro nos bastidores. Entre preservar o capitão por mais alguns meses ou garantir uma compensação financeira agora, a diretoria precisa fazer contas, avaliar riscos e, acima de tudo, agir rápido.

Por que o Palace segurou no verão?

Glasner também explicou por que o Palace bateu o pé meses atrás. O clube tinha um objetivo claro: fazer uma temporada competitiva e tentar títulos. E deu certo, até certo ponto. Porque no momento, se encontram meio perdidos, com o treinador já falando para os quatro ventos, que esperava por mais reforços. Perdeu peças de alto nível, e não viu as peças corretas chegarem para suprí-las.

“O presidente rejeitou muitas ofertas porque queríamos uma temporada bem-sucedida. Queríamos ganhar o Community Shield.”

Naquele momento, segundo o treinador, o valor oferecido até “chegou perto” do limite aceitável, mas não passou dele. Agora, com o relógio correndo contra, esse limite pode muito bem ter mudado, principalmente pelo receio enorme de Guehi dizer adeus sem deixar nada de interessante nos cofres do Crystal Palace.

Hoje, o Palace ocupa a 14ª posição na Premier League e está vivo na Conference League, classificado para os playoffs do mata-mata. Um cenário decente, mas que pode mudar rapidamente se o capitão sair no meio da temporada.

 Foto: Reuters