O Palmeiras transformou um início avassalador em uma vitória construída na resistência. Na Arena da Baixada, o time de Abel Ferreira precisou de apenas nove minutos para abrir 2 a 0 contra o Athletico-PR, mas a expulsão de Andreas Pereira, aos 42 do primeiro tempo, mudou completamente o roteiro da partida. Com um jogador a menos durante toda a etapa final, o Verdão precisou abandonar parte de sua iniciativa ofensiva, reorganizar o meio-campo e confiar na própria estrutura defensiva para proteger a vantagem. Quando o Athletico finalmente encontrou espaços, esbarrou em Carlos Miguel, que teve participação decisiva na vitória por 2 a 0.
O resultado tem peso direto na disputa pelo Brasileirão. Com 66 pontos, o Palmeiras assumiu provisoriamente a liderança e colocou pressão sobre o Flamengo, que tem dois pontos a menos e ainda entraria em campo no domingo. Mas a vitória também deixou uma mensagem importante para a sequência da temporada: mesmo em um momento no qual precisa dividir suas atenções com a semifinal da Libertadores, o time de Abel mostrou capacidade para competir em condições adversas.
Do outro lado, o Athletico saiu derrotado de casa depois de uma atuação que evidenciou problemas no elenco. A equipe de Odair Hellmann teve dificuldades para se reorganizar após sofrer dois gols tão cedo, encontrou pouca variedade para atacar uma defesa bem postada e não conseguiu aproveitar a superioridade numérica durante todo o segundo tempo. As ausências e os problemas físicos ajudam a explicar parte do cenário, mas não eliminam a preocupação com um time que tenta se manter entre os primeiros colocados e garantir uma vaga na Libertadores de 2027.
Palmeiras começou com eficiência e construiu uma vantagem decisiva
O primeiro tempo do Palmeiras foi praticamente o roteiro que Abel Ferreira desejava. Mesmo com mudanças na escalação e preservando jogadores importantes para a decisão contra o Fluminense pela Libertadores, o time começou acelerado, ocupou o campo ofensivo e aproveitou as primeiras oportunidades com uma eficiência que nem sempre conseguiu demonstrar ao longo da temporada.
Mauricio abriu o placar aos cinco minutos, e Piquerez ampliou quatro minutos depois, em uma cobrança de falta direta. Com duas finalizações e dois gols nos primeiros 20 minutos, o Palmeiras conseguiu transformar sua superioridade inicial em uma vantagem concreta. O time não precisou dominar a posse durante longos períodos para controlar o confronto. Foi agressivo nas ações ofensivas e preciso nas finalizações.
Esse aspecto merece destaque porque eficiência tem sido uma questão importante para Abel. Em diferentes momentos de 2026, o Palmeiras conseguiu construir volume de jogo sem transformar esse domínio em gols suficientes. Na Arena da Baixada, aconteceu o contrário: as primeiras oportunidades foram convertidas, e o placar obrigou o Athletico a mudar seus planos antes que a partida estivesse realmente estabelecida.
A equipe paranaense também contribuiu para esse cenário. Sem Esquivel, que vinha sendo utilizado como zagueiro pela esquerda, Odair precisou improvisar Luiz Gustavo no setor e reorganizar a estrutura defensiva. Felipinho entrou no meio-campo, enquanto Leozinho voltou a ser titular no ataque. As mudanças eram necessárias diante das ausências, mas a equipe demorou a encontrar o posicionamento adequado.
O Palmeiras explorou esse momento de desorganização e quase ampliou aos 37 minutos, quando Flaco López acertou o travessão de Mycael. Até então, o time de Abel parecia ter a partida sob controle.
Foi justamente quando a vantagem parecia confortável que surgiu o problema mais desnecessário da noite.
A expulsão de Andreas mudou o plano de Abel
Aos 42 minutos, Andreas Pereira chutou uma segunda bola que estava no gramado e acertou a bola utilizada na partida. A ação resultou em expulsão e obrigou o Palmeiras a disputar todo o segundo tempo com dez jogadores.
A decisão teve consequências imediatas para a partida e também para o planejamento da semana. O Palmeiras já havia preservado peças importantes pensando na semifinal da Libertadores e precisava administrar o esforço físico dos titulares. A expulsão, porém, aumentou a carga de trabalho dos jogadores que permaneceram em campo e exigiu uma reorganização tática que não estava prevista.
O cartão vermelho não apagou a boa atuação construída até aquele momento, mas criou um risco que poderia ter sido evitado. Em uma temporada na qual o Palmeiras disputa o Campeonato Brasileiro e a Libertadores, perder um jogador por uma atitude sem relação direta com a disputa da bola é um custo alto.
Abel respondeu no intervalo com a entrada de Marlon Freitas no lugar de Mauricio. A substituição reduziu o poder ofensivo do time, mas ofereceu mais proteção ao meio-campo e ajudou a fechar os espaços centrais. O Palmeiras deixou de pressionar com a mesma frequência e passou a trabalhar para impedir que o Athletico conseguisse transformar a superioridade numérica em chances claras.
A mudança também revelou uma característica importante da equipe. O Verdão não tentou continuar jogando como se tivesse onze jogadores. Aceitou que o contexto havia mudado, reduziu os riscos e procurou manter uma estrutura compacta, com os jogadores próximos uns dos outros e menos espaço para o adversário circular a bola perto da área.
Essa escolha exigia concentração durante praticamente 45 minutos. E, apesar da pressão crescente do Athletico, o Palmeiras conseguiu sustentá-la.
Carlos Miguel garantiu o resultado quando a defesa foi superada
A organização defensiva do Palmeiras foi importante, mas não explica sozinha a vitória. O Athletico conseguiu encontrar espaços na etapa final e finalizou o suficiente para transformar a partida em um teste importante para Carlos Miguel.
O goleiro respondeu com uma série de intervenções decisivas. Viveros teve uma oportunidade logo no primeiro minuto do segundo tempo. Mais tarde, Leozinho, o próprio Viveros, Aguirre e Zapelli também encontraram situações para finalizar, mas foram impedidos de marcar pelo desempenho do camisa 1 alviverde.
A atuação ganha ainda mais importância pelo contexto recente. Carlos Miguel havia falhado na vitória sobre o Fluminense e chegava ao confronto sob pressão para mostrar segurança. Em Curitiba, conseguiu responder de maneira convincente e ajudou a preservar uma vantagem que, diante da inferioridade numérica, poderia ter desaparecido.
Isso não significa que o Palmeiras tenha defendido perfeitamente. Pelo contrário: a quantidade de finalizações permitidas mostra que o Athletico conseguiu avançar em diferentes momentos. A diferença é que, quando a organização defensiva não foi suficiente para impedir o chute, o goleiro apareceu para resolver.
Em partidas de alta pressão, essa capacidade pode ser determinante. Uma equipe que disputa títulos precisa de uma defesa organizada, mas também de um goleiro capaz de transformar uma chance perigosa em uma defesa e manter o resultado quando o adversário cresce.
Carlos Miguel fez exatamente isso. Sua atuação não deve esconder os méritos do sistema defensivo, mas reforça que o Palmeiras teve mais de uma resposta para enfrentar o segundo tempo.
Athletico teve a bola, mas faltaram alternativas para atacar
A derrota também deixou um alerta para Odair Hellmann. O Athletico teve toda a etapa final para explorar a vantagem numérica, mas não conseguiu encontrar variedade suficiente para desmontar o bloqueio palmeirense.
O time aumentou a presença no campo ofensivo e tentou utilizar cruzamentos para chegar à área, mas boa parte dessas bolas foi cortada pelos zagueiros ou ficou nas mãos de Carlos Miguel. A insistência pelo alto facilitou o trabalho defensivo do Palmeiras, que passou a proteger a área com superioridade física e menos espaço para infiltrações.
Os lances individuais de Leozinho também tiveram pouco efeito, enquanto Kevin Viveros encontrou dificuldades diante de uma marcação que, apesar da inferioridade numérica, conseguiu proteger os espaços centrais. O Athletico teve volume, mas não conseguiu transformar esse volume em oportunidades de qualidade com a frequência necessária.
É importante considerar as ausências. Esquivel, Benavídez, Dantas e Kerwin Vargas estavam no departamento médico, enquanto Claudinho precisou deixar o campo poucos minutos depois de entrar, com suspeita de uma lesão grave no joelho. Arthur Dias e Leozinho também haviam sentido problemas físicos na rodada anterior.
Essa sequência de desfalques limita as alternativas de Odair e torna mais difícil manter o mesmo nível de desempenho durante a reta final. Ainda assim, a partida mostrou que o Athletico precisa encontrar soluções além das bolas aéreas e das jogadas individuais, especialmente quando enfrenta uma equipe capaz de se organizar defensivamente.
O problema não foi apenas sofrer dois gols cedo. Foi não conseguir construir uma resposta ofensiva convincente mesmo depois de ganhar uma vantagem numérica tão grande.
A reta final exige respostas dos dois lados
A vitória coloca o Palmeiras em uma posição importante na disputa pelo título brasileiro. Com 66 pontos, o time de Abel assumiu provisoriamente a liderança e agora espera o resultado do Flamengo para saber se permanecerá no topo. O Verdão também segue vivo na Libertadores e terá a chance de disputar uma segunda final consecutiva caso consiga superar o Fluminense na semifinal.
O cenário exige equilíbrio. A expulsão de Andreas aumentou o desgaste do elenco e deixou uma ausência importante para o próximo compromisso do Brasileirão, mas o retorno de Giay e Gustavo Gómez deve ajudar a reorganizar a defesa. A recuperação de Vitor Roque também será acompanhada de perto, já que o Palmeiras precisa manter alternativas ofensivas em um período de calendário apertado.
Para o Athletico, a derrota não apaga a campanha que mantém a equipe no G-4, mas expõe a fragilidade de um elenco que começa a sentir o peso das lesões. Os próximos jogos fora de casa, contra Vitória e Grêmio, podem ser decisivos para manter o clube na disputa por uma vaga na Libertadores de 2027. São adversários que também enfrentam dificuldades na parte de baixo da tabela, mas o Athletico precisará apresentar uma versão mais organizada para transformar essas oportunidades em pontos.
A partida na Arena da Baixada deixou, portanto, duas lições diferentes. O Palmeiras mostrou que pode proteger uma vantagem mesmo depois de uma expulsão e encontrou em Carlos Miguel a segurança necessária para resistir à pressão. O Athletico mostrou que a superioridade numérica não garante o controle de uma partida quando faltam alternativas ofensivas e o elenco está desfalcado.
Abel Ferreira saiu com os três pontos e a liderança provisória. Odair Hellmann saiu com a necessidade de encontrar soluções rapidamente. Na reta final do Brasileirão, a diferença entre essas duas situações pode ter um peso enorme: enquanto o Palmeiras tenta sustentar a disputa pelo título, o Athletico precisa impedir que os problemas de elenco comprometam uma campanha que ainda pode terminar com uma vaga na Libertadores.
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)



