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Palmeiras domina o Bahia, mas falta eficiência para transformar superioridade em tranquilidade na briga pelo título; confira as impressões do jogo

O Palmeiras voltou do período de pausa para a Data Fifa com uma vitória importante na disputa pelo Brasileirão, mas também com um problema que pode custar caro na reta final da temporada. Na noite desta quinta-feira, no Nubank Parque, o time de Abel Ferreira venceu o Bahia por 1 a 0, pela 29ª rodada, e reduziu para apenas um ponto a distância para o líder Flamengo. O resultado foi construído com organização defensiva, pressão sobre a saída de bola adversária e volume ofensivo suficiente para produzir uma vantagem muito maior, mas a falta de precisão nas finalizações impediu que o Verdão transformasse o domínio em uma vitória tranquila.

O gol de Flaco López, ainda no início da partida, definiu o placar de um confronto no qual o Palmeiras criou 26 oportunidades de finalização e acertou o alvo 14 vezes. Do outro lado, o Bahia terminou com 58% de posse de bola, mas encontrou dificuldades para transformar a circulação em perigo real, acertando apenas uma finalização na direção do gol. A atuação segura de Ronaldo, somada à bola na trave e às oportunidades desperdiçadas pelos mandantes, evitou um resultado mais elástico para a equipe baiana.

As impressões deixadas pelo confronto são diferentes para os dois lados. O Palmeiras apresentou sinais positivos na construção ofensiva e na proteção defensiva, mostrando que pode competir pelo título com uma equipe equilibrada e capaz de criar chances em sequência. Entretanto, a dificuldade para matar o jogo mantém um alerta importante para Abel Ferreira, especialmente porque os adversários tendem a oferecer menos espaços conforme a temporada se aproxima do fim. O Bahia, por sua vez, precisa encontrar alternativas para transformar a posse de bola em produção ofensiva, já que a atuação na capital paulista evidenciou problemas para superar uma defesa bem organizada.

Palmeiras encontra soluções ofensivas e mostra evolução na criação de chances

A escalação de Abel Ferreira apresentou algumas particularidades em razão do retorno dos jogadores que estavam com suas seleções durante a Data Fifa. Dos 11 convocados que voltaram ao elenco, apenas Gustavo Gómez e Flaco López começaram como titulares, enquanto nomes como Giay, Piquerez e Arias permaneceram inicialmente no banco de reservas. Mesmo com essas mudanças, o Palmeiras conseguiu estabelecer um funcionamento coletivo consistente e encontrou no meio-campo uma das principais razões para sua superioridade.

Com Murilo, Gómez e Barboza formando uma linha de três zagueiros, o treinador montou um setor central composto por Marlon Freitas, Lucas Evangelista e Andreas Pereira, além de Vitor Roque e Flaco López no ataque. A estrutura permitiu que o time pressionasse a saída de bola do Bahia e explorasse os espaços deixados pelos visitantes quando tentavam avançar com a posse. Em vez de depender exclusivamente de longos períodos de controle territorial, o Verdão procurou recuperar a bola em regiões favoráveis e acelerar as jogadas assim que encontrava condições para atacar.

A estratégia funcionou logo nos primeiros minutos. Em uma cobrança de escanteio ensaiada por Andreas Pereira, Barboza ajeitou a bola para Flaco López concluir e abrir o placar. O lance demonstrou a importância das jogadas trabalhadas e permitiu que o Palmeiras passasse a administrar o confronto com uma vantagem construída sem precisar de uma sequência extensa de ataques.

A partir dali, a equipe encontrou espaço para ampliar o repertório ofensivo. Vitor Roque apresentou a explosão característica de seu jogo, pressionando os defensores e atacando os espaços em velocidade, enquanto Marlon Freitas, Evangelista e Andreas ajudaram a dar ritmo às ações pelo meio. Khellven também se destacou com ultrapassagens pelo lado direito, oferecendo uma alternativa para avançar e obrigando a defesa do Bahia a se preocupar com diferentes caminhos de ataque.

O aspecto mais relevante foi a quantidade de oportunidades criadas. Depois de um empate sem gols com o Grêmio, no qual havia finalizado 29 vezes, o Palmeiras voltou a produzir bastante e terminou a partida contra o Bahia com 26 finalizações, sendo 14 no alvo. Os números mostram que o problema ofensivo não estava necessariamente na incapacidade de chegar ao gol adversário, mas na dificuldade para converter as chances em uma vantagem compatível com o desempenho apresentado.

Essa diferença é importante para avaliar a evolução da equipe. Durante parte da temporada, o Palmeiras foi questionado pela falta de criatividade e pela dificuldade de produzir oportunidades com regularidade. Contra o Bahia, o time conseguiu atacar de diferentes maneiras, aproveitou a pressão sobre a saída adversária e encontrou jogadores capazes de acelerar a circulação. A criação, portanto, foi uma das principais notícias positivas da noite.

O desafio agora é fazer com que esse volume produza resultados mais expressivos no placar. Criar 26 finalizações representa um sinal de superioridade, mas também exige uma análise sobre a qualidade das conclusões e a capacidade de tomar decisões nos momentos decisivos. Em uma partida na qual Ronaldo realizou defesas importantes e evitou gols que pareciam próximos, o Palmeiras teve mérito na construção das oportunidades, mas não conseguiu resolver o confronto quando teve condições para isso.

A defesa protegeu Carlos Miguel e impediu que a posse do Bahia se transformasse em ameaça

Se a falta de eficiência ofensiva impediu uma vitória mais confortável, o comportamento defensivo foi fundamental para que o Palmeiras não sofresse um empate que tornaria o resultado ainda mais frustrante. Diferentemente de outras partidas em que a equipe encontrou dificuldades para se reorganizar depois de perder a bola, o time de Abel Ferreira mostrou melhor transição defensiva e conseguiu controlar as tentativas de avanço do Bahia.

A estrutura com três zagueiros e três meio-campistas ajudou a proteger os espaços centrais e a dificultar as infiltrações dos visitantes. Mesmo quando o Bahia conseguiu manter a posse por períodos prolongados, encontrou problemas para transformar os passes em situações claras de finalização. O time baiano terminou com 58% de posse de bola, mas esse número não representou um domínio efetivo da partida, porque boa parte da circulação aconteceu sem conseguir romper as linhas palmeirenses.

O Palmeiras soube conviver com a iniciativa adversária sem perder o equilíbrio. Os jogadores do meio-campo participaram da proteção à defesa, enquanto a linha de três zagueiros reduziu os espaços para que os atacantes do Bahia recebessem em condições favoráveis dentro da área. Como consequência, os visitantes tiveram dificuldades para construir jogadas que realmente ameaçassem Carlos Miguel.

A diferença entre posse e perigo ficou evidente nas estatísticas ofensivas do Bahia. A equipe produziu nove finalizações, mas apenas uma foi na direção do gol e exigiu intervenção do goleiro palmeirense, já aos 40 minutos do segundo tempo, em chute de Erick. Para um time que passou boa parte da partida com a bola, a produção foi insuficiente para ameaçar de maneira consistente a vantagem dos mandantes.

O Palmeiras também conseguiu aproveitar os erros de saída de bola dos visitantes para criar contra-ataques. O Bahia insistiu em iniciar as jogadas desde a defesa, mas encontrou dificuldades para conectar os primeiros passes e progredir em direção ao campo ofensivo. Quando perdia a posse em regiões perigosas, abria espaço para que o Verdão acelerasse e voltasse a ameaçar o gol de Ronaldo.

Nesse aspecto, o resultado reforça a importância do equilíbrio apresentado pela equipe. O Palmeiras não precisou dominar a posse para controlar a partida, porque conseguiu limitar o adversário e criar mais perigo quando recuperava a bola. A organização defensiva também permitiu que os mandantes mantivessem uma postura ofensiva sem ficarem excessivamente expostos aos contra-ataques.

A atuação, contudo, não elimina a necessidade de ajustes. Uma vantagem mínima sempre mantém o adversário dentro do jogo, mesmo quando ele encontra dificuldades para atacar. A bola na trave, as intervenções de Ronaldo e algumas situações em que o Bahia conseguiu explorar espaços mostram que o Palmeiras não estava completamente livre de riscos. Ainda assim, o desempenho sem a bola foi uma das principais razões para a equipe sustentar a vitória até o apito final.

Bahia tem a posse, mas não consegue transformar circulação em produção ofensiva

A derrota deixa uma preocupação importante para Rogério Ceni. O Bahia terminou a partida com mais posse de bola do que o Palmeiras, mas teve pouca capacidade para transformar esse controle em chances claras. A equipe encontrou dificuldades desde o início, quando sofreu o gol de Flaco López após uma falha de comunicação na marcação de escanteio, e não conseguiu desenvolver uma resposta ofensiva consistente ao longo dos 90 minutos.

O lance do gol reuniu problemas que ajudam a explicar o desempenho tricolor. Enquanto a linha defensiva tentou deixar Flaco López em posição de impedimento, Roman Gómez deu condição ao atacante, e Ronaldo saiu mal para tentar interceptar a jogada. A falha individual do goleiro foi decisiva para o resultado, mas o problema coletivo estava na falta de coordenação para defender uma bola parada que havia sido trabalhada pelo adversário.

Atrás no placar, o Bahia teve de assumir mais responsabilidades com a bola, mas encontrou dificuldades para progredir. Jean Lucas e Rodrigo Nestor alternaram posições no meio-campo, enquanto Acevedo tentou participar mais diretamente da construção. Nenhuma dessas movimentações, porém, foi suficiente para desmontar a organização defensiva palmeirense ou criar superioridade de maneira constante nas regiões mais perigosas.

O time ainda encontrou algumas oportunidades pelos lados, mas pecou na tomada de decisão. Em jogadas pela direita, Kike Olivera e Jean Lucas não conseguiram aproveitar situações que poderiam gerar perigo, enquanto finalizações de média distância acabaram se tornando uma das poucas alternativas disponíveis. A equipe parecia ter a bola, mas não encontrava o passe capaz de acelerar o ataque e obrigar a defesa adversária a se desorganizar.

A volta do intervalo não alterou significativamente esse cenário. O Bahia conseguiu criar uma boa oportunidade quando Kike Olivera explorou o espaço nas costas da defesa e cruzou para Erick Pulga, que finalizou com a tentativa travada pela marcação. O lance poderia ter servido como ponto de partida para uma reação, mas o time voltou a depender de trocas de passes pouco incisivas e teve dificuldade para chegar ao último terço com perigo.

As substituições também não ajudaram a mudar o panorama. Caio Alexandre, Erick e Ademir entraram aos 19 minutos da etapa final, mas a equipe perdeu capacidade de produzir e passou a cometer ainda mais erros na saída de bola. As falhas ofereceram novas oportunidades ao Palmeiras, que poderia ter ampliado o placar em mais de uma ocasião.

Na reta final, as entradas de Sanabria e Willian José também não foram suficientes para alterar a dinâmica ofensiva. A única finalização do Bahia na direção do gol aconteceu aos 40 minutos, quando Erick arriscou de fora da área e obrigou Carlos Miguel a trabalhar. O dado resume a dificuldade do time: mesmo com superioridade na posse, o Tricolor passou boa parte da partida sem conseguir ameaçar de verdade a meta adversária.

A atuação preocupa porque o Bahia disputa uma vaga na próxima Libertadores e precisa somar pontos para continuar próximo do grupo que ocupa as primeiras posições. A derrota para o Palmeiras, somada ao revés diante do Athletico-PR antes da pausa para a Data Fifa, complica a perseguição ao G-4 ou ao G-5. Com 46 pontos, na sexta colocação, a equipe está dois atrás do Cruzeiro, quinto, e quatro atrás do Athletico, quarto.

O próximo compromisso, contra o Mirassol, na Arena Fonte Nova, ganha importância justamente porque o Bahia precisa recuperar a capacidade de transformar posse em ameaça. O time não precisa abandonar sua proposta de construção, mas terá de encontrar maneiras mais agressivas de avançar e criar situações dentro da área. Caso contrário, corre o risco de repetir o padrão observado contra o Palmeiras: controlar a bola sem controlar o jogo.

A eficiência pode definir até onde o Palmeiras chegará na reta final

A vitória por 1 a 0 aproxima o Palmeiras do objetivo de conquistar o Campeonato Brasileiro, mas também evidencia uma questão que precisa ser resolvida antes das rodadas decisivas. Com o empate do Flamengo diante do Santos, o Verdão reduziu a distância para o líder a apenas um ponto e voltou a depender de seus próprios resultados para disputar o título. O cenário é favorável, mas a margem para desperdícios tende a diminuir conforme a competição avança.

O calendário aumenta a importância desse cuidado. Além das rodadas restantes do Brasileirão, o Palmeiras ainda tem compromissos decisivos nas competições eliminatórias, dependendo de seu desempenho para alcançar as finais da Copa do Brasil e da Libertadores. Em uma sequência de partidas de alta pressão, a capacidade de aproveitar as oportunidades pode ser tão importante quanto a qualidade da construção ofensiva.

A equipe de Abel Ferreira demonstrou que consegue criar chances e controlar adversários sem depender exclusivamente da posse de bola. Também mostrou uma organização defensiva capaz de reduzir o perigo mesmo quando o oponente mantém a iniciativa territorial. Esses são sinais positivos para um time que precisa combinar consistência e poder de decisão para disputar títulos em diferentes frentes.

O problema é que nem sempre o Palmeiras encontrará um goleiro como Ronaldo, que fez defesas importantes e impediu que o placar se tornasse mais elástico. Em outras partidas, uma vantagem mínima pode desaparecer após um único erro defensivo, uma bola parada ou uma finalização isolada. Por isso, a equipe precisa aproveitar melhor os períodos em que domina e evitar que a falta de precisão mantenha os adversários com chances de pontuar.

O resultado contra o Bahia vira uma combinação de confiança e cobrança. O Palmeiras fez o necessário para vencer, aproveitou o tropeço do Flamengo e mostrou evolução na criação de jogadas, mas deixou a sensação de que poderia ter resolvido a partida com muito menos sofrimento. Para um candidato ao título, essa diferença entre dominar e decidir pode ser determinante.

A impressão final é de que o Palmeiras sai do Nubank Parque mais forte na disputa pelo Brasileirão, mas ainda com uma tarefa importante pela frente. A organização defensiva e a variedade de soluções ofensivas indicam que a equipe está preparada para competir na reta decisiva; a baixa conversão das oportunidades, entretanto, impede que o desempenho seja considerado completo.

Se conseguir transformar o volume de jogo em gols com maior regularidade, o Verdão terá condições de converter sua superioridade em resultados mais seguros. Caso contrário, partidas como essa podem deixar de ser vitórias importantes e se tornar pontos perdidos justamente quando o campeonato estiver em sua fase mais aguda.

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)