O Palmeiras deixou de defender a liderança e agora precisa perseguir
Durante boa parte do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras esteve na posição que agora pertence ao Flamengo.
A situação mudou nas últimas rodadas. Depois do empate sem gols com o Grêmio, o Verdão chegou aos 57 pontos e viu o Flamengo abrir três de vantagem na liderança, com 60. A diferença ainda é pequena, mas muda completamente a maneira como a reta final precisa ser encarada.
O Palmeiras não terá mais o conforto de administrar uma vantagem. Agora, precisará perseguir. E o calendário não oferece uma sequência simples para quem precisa recuperar terreno.
Bahia, Corinthians, Athletico-PR, Red Bull Bragantino, Santos, Remo, Cruzeiro, Flamengo, Chapecoense e Coritiba são os 10 adversários restantes. A lista mistura praticamente todos os tipos de dificuldade possíveis.
Há clássicos. Há concorrentes que também estão na parte de cima. Há equipes que podem chegar pressionadas pela luta contra o rebaixamento. E existe, no meio disso tudo, o confronto direto com o Flamengo.
O Palmeiras ainda está na disputa. Mas, a partir de agora, cada rodada terá também a obrigação de olhar para o que o líder está fazendo.
Os clássicos podem decidir o ritmo da perseguição
O primeiro grande desafio dessa reta final está nos clássicos contra Corinthians e Santos.
O Palmeiras enfrenta o Corinthians em casa pela 30ª rodada e visita o Santos pela 33ª. São dois jogos em que a classificação pode até estabelecer diferenças entre os clubes, mas a rivalidade costuma produzir partidas de contexto próprio. A CBF confirmou o clássico contra o Corinthians para 11 de outubro e Santos x Palmeiras para a 33ª rodada.
E existe uma questão importante para o Palmeiras nesses confrontos. Quando se está atrás na tabela, o empate pode ser interpretado de maneira diferente. O adversário pode comemorar um ponto. O Palmeiras pode enxergar dois pontos perdidos.
Essa mudança de perspectiva aumenta a pressão sobre o time de Abel Ferreira. Não basta entrar em campo para competir. O contexto da tabela exige que o Verdão procure transformar sua superioridade técnica em vitórias, principalmente quando enfrentar adversários que estão abaixo na classificação.
Os clássicos, porém, não permitirão tanta margem para controle. Serão jogos em que intensidade, concentração e capacidade de lidar com diferentes momentos terão peso enorme.
Bahia, Athletico e Cruzeiro representam concorrentes no caminho
O Palmeiras também terá pela frente equipes que estão próximas da zona de classificação para a Libertadores.
Bahia, Athletico-PR e Cruzeiro fazem parte desse grupo e tornam a reta final ainda mais complicada.
O jogo contra o Bahia será logo na volta da Data Fifa, no Nubank Parque. Depois, o Palmeiras visita o Athletico-PR e, mais adiante, encara o Cruzeiro fora de casa. São partidas que colocam frente a frente equipes com objetivos relevantes na parte de cima da tabela.
Isso significa que o Palmeiras não terá apenas de acompanhar o Flamengo. Também precisará disputar pontos contra equipes que não entrarão em campo apenas para se defender.
Esse tipo de confronto pode favorecer uma partida mais aberta, mas também aumenta o risco de o Palmeiras perder pontos justamente em jogos nos quais esperava construir uma sequência.
E, para quem está três pontos atrás do líder, sequência é a palavra mais importante. O Palmeiras precisa somar enquanto espera que o Flamengo deixe pontos pelo caminho.
As maiores armadilhas podem estar justamente nos jogos aparentemente mais acessíveis
É aqui que a reta final pode ficar mais perigosa. Remo e Chapecoense aparecem entre os adversários do Palmeiras. Coritiba também estará no caminho na última rodada.
À primeira vista, são partidas nas quais o Palmeiras entra com obrigação de vencer. Mas essa obrigação também cria uma armadilha.
O adversário ameaçado pelo rebaixamento pode jogar cada lance como uma decisão. Pode diminuir os espaços, aceitar uma partida mais física e transformar o jogo em uma sequência de disputas. Para o Palmeiras, isso significa que dominar a posse ou controlar o território não será suficiente.
Será preciso transformar domínio em gol.
Esse foi justamente um dos problemas apontados depois do empate com o Grêmio: o Palmeiras teve volume ofensivo elevado, mas não conseguiu transformar as oportunidades em resultado. A equipe chegou a 31 finalizações na partida, mas terminou sem marcar.
Esse detalhe merece atenção. Porque uma equipe que está perseguindo a liderança não pode desperdiçar jogos em que terá mais responsabilidade ofensiva.
O Palmeiras terá de melhorar a eficiência enquanto corre atrás do líder
A reta final não exigirá apenas mais intensidade. Exigirá eficiência.
O Palmeiras chega a esse momento com uma defesa que voltou a apresentar solidez, mas com questionamentos recentes justamente sobre a capacidade de transformar volume ofensivo em gols. Contra o Grêmio, o time teve controle e criou oportunidades, mas não conseguiu sair do zero.
É um problema que ganha outra dimensão quando o adversário direto está três pontos à frente. Se o Flamengo vencer, o Palmeiras precisará vencer. Se o Flamengo empatar, o Palmeiras terá a oportunidade de diminuir a diferença. E, se o Palmeiras desperdiçar uma rodada em que tinha condições de pontuar, a pressão sobre os jogos seguintes aumenta.
Não é apenas uma questão de jogar melhor.
É uma questão de aproveitar as oportunidades que o campeonato oferecer.
A semifinal da Libertadores também entra na equação
Existe ainda um elemento que não aparece na lista dos 10 jogos do Brasileirão, mas que pode influenciar diretamente a reta final.
O Palmeiras também está na semifinal da Libertadores, contra o Fluminense, e terá a semifinal da Copa do Brasil diante do Vasco. Ou seja, Abel Ferreira terá de administrar um elenco envolvido em três competições importantes justamente no momento em que o Brasileirão começa a definir seus rumos.
Isso transforma gestão de elenco em uma questão central. O Palmeiras não poderá utilizar sempre a mesma equipe, nem tratar todas as partidas com a mesma estratégia.
Haverá necessidade de preservar jogadores. Haverá mudanças provocadas por desgaste. Haverá semanas em que o foco estará dividido entre mata-mata e campeonato.
E, ao contrário de quem lidera, o Palmeiras não possui o luxo de pensar apenas em administrar.
Precisa correr atrás.
O confronto com o Flamengo pode concentrar toda a pressão da reta final
Existe uma razão para o Palmeiras poder olhar para as próximas rodadas pensando na 36ª. O confronto contra o Flamengo será no Nubank Parque e poderá representar um momento importante da disputa.
Mas a partida só terá o peso que a tabela permitir. Se o Palmeiras conseguir diminuir a diferença antes do confronto, poderá chegar ao duelo direto com uma oportunidade concreta de mudar a disputa.
Se a distância aumentar, o jogo terá outro contexto. Por isso, o Palmeiras não pode esperar pelo Flamengo. Precisa construir a própria sequência.
Essa talvez seja a maior diferença entre os dois candidatos neste momento. O Flamengo pode olhar para a tabela e defender uma vantagem. O Palmeiras precisa produzir resultados e, ao mesmo tempo, torcer para que o líder perca pontos.
O confronto direto pode ser importante.
Mas não resolverá sozinho tudo o que acontecer nas oito rodadas anteriores.
A perseguição começa antes da disputa direta
Os números dos confrontos do primeiro turno ajudam a dimensionar a situação.
Nos mesmos 10 adversários que ainda enfrentarão, o Palmeiras conquistou 22 pontos no primeiro turno, enquanto o Flamengo somou 23. Se os dois repetissem exatamente esses resultados, o Flamengo terminaria o campeonato quatro pontos à frente do Palmeiras.
Não é uma previsão do que acontecerá.
É apenas uma demonstração de como a diferença atual pode ser construída ou ampliada jogo a jogo.
O Palmeiras não precisa necessariamente ganhar todos os 10 jogos. Mas precisa aproveitar as oportunidades de reduzir a diferença.
E, principalmente, precisa evitar que o Flamengo consiga transformar os três pontos atuais em uma vantagem muito maior antes da 36ª rodada.
O Palmeiras ainda está na disputa, mas não pode esperar
A reta final coloca o Palmeiras em uma posição diferente daquela que ocupava algumas semanas atrás. O time ainda está a apenas três pontos do líder e terá um confronto direto em casa.
Ao mesmo tempo, não pode ignorar os obstáculos que existem até lá.
Bahia e Athletico representam concorrentes da parte de cima. Corinthians e Santos trazem a rivalidade dos clássicos. Remo, Chapecoense e Coritiba podem transformar a obrigação de vencer em pressão. Cruzeiro e Bragantino também estarão no caminho.
E, entre todos eles, existe o Flamengo. O Palmeiras terá de perseguir o líder sem perder pontos pelo caminho. Essa é a verdadeira dificuldade da reta final. Não basta chegar ao confronto direto ainda próximo.
É preciso chegar lá tendo construído uma sequência capaz de manter o título ao alcance.
O Flamengo chega com três pontos de vantagem. Agora, cabe ao Palmeiras transformar cada rodada em uma oportunidade de diminuir essa distância. Porque, nesta reta final, o Verdão não terá apenas de vencer seus próprios jogos. Terá de correr atrás de um líder que já descobriu como chegar à frente.
Foto: Cesar Greco/Palmeiras/Divulgação



