O Palmeiras chega para o confronto contra o Flamengo vivendo talvez seu momento mais delicado na temporada 2026. Apesar da liderança no Campeonato Brasileiro, o ambiente no clube mudou drasticamente nos últimos dias após atuações ruins, queda de rendimento ofensivo e principalmente a derrota por 1 a 0 para o Cerro Porteño no Allianz Parque pela Libertadores. O resultado não apenas aumentou a pressão sobre Abel Ferreira, mas também fez crescer uma sensação rara nos últimos anos: a de que o Palmeiras perdeu parte de sua identidade competitiva ofensiva.
A repercussão após a derrota continental foi imediata. A principal torcida organizada do clube, a Mancha Verde, publicou um duro manifesto pedindo a saída de Abel Ferreira. No comunicado, a organizada criticou diretamente a falta de criatividade, o excesso de cruzamentos e um time “sem intensidade, sem jogada e sem alma”.
O peso dessas críticas chama atenção justamente porque elas atingem um dos pontos que mais marcaram a era Abel Ferreira no Palmeiras: a capacidade do time de competir em jogos grandes. Nos últimos anos, mesmo em partidas ruins tecnicamente, o Palmeiras costumava manter intensidade, organização defensiva e principalmente agressividade ofensiva em transições. Em 2026, porém, esse cenário começou a mudar.
Queda ofensiva aumenta pressão sobre Abel Ferreira

Os números recentes ajudam a explicar o aumento da pressão. O Palmeiras chega para enfrentar o Flamengo vindo de sua pior sequência no Campeonato Brasileiro de 2026, acumulando três empates consecutivos antes do clássico nacional.
Mais do que os resultados, o desempenho ofensivo preocupa. O time vem demonstrando enorme dificuldade para criar jogadas em ataques posicionais, dependendo excessivamente de bolas levantadas na área e cruzamentos laterais. A crítica, inclusive, aparece repetidamente entre torcedores e analistas nas últimas semanas.
O próprio manifesto da Mancha Verde aponta esse problema como central no momento da equipe. A organizada fala em um Palmeiras previsível ofensivamente e sem capacidade de acelerar o jogo quando enfrenta defesas mais organizadas.
Outro fator que aumenta o debate é a queda de intensidade física da equipe. Após a derrota para o Cerro Porteño, Abel Ferreira voltou a criticar o calendário brasileiro e mencionou desgaste físico e mental do elenco em meio à sequência pesada de jogos e convocações.
A situação acaba criando um contraste importante. Mesmo ainda liderando parte das competições que disputa, o Palmeiras já não transmite a mesma sensação de domínio competitivo que marcou temporadas anteriores. E isso aparece principalmente no setor ofensivo.
Em muitos jogos recentes, o time controla posse de bola, circula o campo ofensivo, mas cria poucas oportunidades realmente claras. A dificuldade para infiltrar pelo centro e quebrar linhas defensivas vem obrigando o Palmeiras a insistir constantemente em cruzamentos, algo que tornou o ataque mais previsível.
Além disso, alguns dos principais jogadores ofensivos da equipe também convivem com oscilações físicas e técnicas. O Palmeiras tenta encontrar novamente equilíbrio criativo no meio campo, principalmente através de jogadores como Andreas Pereira, mas o momento coletivo ainda preocupa.
Flamengo surge como maior teste para o momento do Palmeiras

O confronto contra o Flamengo aumenta ainda mais a pressão sobre o ambiente palmeirense porque o duelo virou, nos últimos anos, o principal parâmetro de competitividade do futebol brasileiro. Mesmo Abel Ferreira tentando diminuir o peso do clássico recentemente, o contexto transforma a partida em um teste enorme para o momento atual do Palmeiras.
Existe também um componente emocional importante. Pela primeira vez em muito tempo, parte da torcida começa a demonstrar desgaste real com Abel Ferreira. O treinador segue extremamente respaldado pelos títulos conquistados, mas o nível das críticas recentes mostra que o ambiente deixou de ser confortável.
Ao mesmo tempo, o Flamengo aparece como exatamente o tipo de adversário que mais expõe os problemas ofensivos atuais do Palmeiras. O time carioca costuma controlar posse, pressionar alto e obrigar o adversário a criar jogadas rápidas e eficientes para conseguir competir ofensivamente.
E justamente aí está o principal problema do Palmeiras neste momento. A equipe ainda segue competitiva defensivamente, mas perdeu fluidez ofensiva. Em vez de um time agressivo e vertical, o Palmeiras atual muitas vezes parece lento na circulação de bola e excessivamente dependente de jogadas laterais.
Abel Ferreira ainda tenta proteger o elenco publicamente e evitar transformar o duelo em uma decisão antecipada pelo Brasileirão. Porém, internamente, o jogo contra o Flamengo ganhou peso muito maior após a derrota na final da Libertadores e principalmente pela reação negativa da torcida.
A partida no Maracanã pode acabar funcionando como um divisor importante para o restante da temporada palmeirense. Uma boa atuação pode aliviar o ambiente e devolver confiança ao elenco. Já um novo desempenho ofensivo abaixo do esperado tende a aumentar ainda mais as dúvidas sobre o momento do time.
E o principal sinal da pressão atual talvez seja justamente esse: pela primeira vez em anos, o Palmeiras chega para um grande clássico nacional não sendo discutido apenas pelos títulos ou resultados, mas principalmente pelas dificuldades que vem demonstrando dentro de campo.
(Foto de capa: Cesar Greco/Palmeiras/by Canon)


