Abel Ferreira, Palmeiras
Futebol Copa do Mundo de Clubes

Palmeiras já se complicou em estreias de Mundiais; confira o histórico

O Palmeiras estreia neste domingo na Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025 enfrentando o Porto, de Portugal. A partida marca o início da caminhada do Verdão em mais uma edição do torneio, agora com novo formato de 32 times. Mas antes da bola rolar, vale olhar para trás: como o clube se saiu nas estreias de suas campanhas anteriores em torneios intercontinentais e mundiais?

A trajetória palmeirense nesses palcos é rica em história, marcada por conquistas, frustrações e debates que ainda reverberam. Do polêmico título da Copa Rio de 1951 ao formato moderno da FIFA, o Palmeiras tem sido um dos principais representantes sul-americanos na busca pela consagração mundial.

1951: o polêmico título que gera discussões até hoje

A primeira grande participação internacional do Palmeiras foi na Copa Rio Internacional, em 1951. Organizado pela CBD com participação de clubes europeus e sul-americanos, o torneio foi disputado no Brasil e, anos mais tarde, reconhecido pela FIFA como o primeiro campeonato mundial interclubes da história.

Na estreia, o Verdão venceu a Juventus, da Itália, por 1 a 0 no Maracanã, com gol de Rodrigues. Ao longo do torneio, o time mostrou força ao eliminar o Estrela Vermelha (Iugoslávia) e vencer novamente a Juventus na final. A conquista é motivo de orgulho para o clube e até hoje gera controvérsia entre torcedores rivais, apesar do reconhecimento oficial da FIFA em 2014 e reafirmação em 2021.

1999: o reencontro do Palmeiras com o topo, e uma derrota amarga

Após vencer a Libertadores em 1999, o Palmeiras voltou ao cenário mundial para disputar a Copa Intercontinental (então chamada de Mundial), em Tóquio, contra o Manchester United, campeão europeu.

A partida foi dura e bastante equilibrada, com chances dos dois lados. Porém, uma falha defensiva de Marcos permitiu a Roy Keane marcar o único gol da partida ainda no primeiro tempo. O Verdão pressionou, teve um gol mal anulado de Alex, e ficou no quase. A estreia, que também foi o jogo final, terminou com derrota por 1 a 0, e deixou o sentimento de que a taça escapou por pouco.

2020: estreia sob pressão e queda precoce

Em 2020, o Palmeiras voltou ao Mundial, agora sob o formato FIFA, que leva o campeão da Libertadores diretamente à semifinal. Disputado em fevereiro de 2021 no Catar (devido à pandemia), o Verdão enfrentou o Tigres, do México, em sua estreia.

A partida foi decepcionante. Dominado durante boa parte do jogo, o time brasileiro perdeu por 1 a 0 com gol de Gignac, em pênalti marcado após revisão do VAR. O time mal criou e foi eliminado sem sequer disputar a final. Depois, ainda perderia nos pênaltis para o Al Ahly, do Egito, na decisão do terceiro lugar.

A estreia revelou as limitações daquele elenco frente à exigência do torneio mundial. A falta de intensidade e a dificuldade ofensiva foram cruciais para o tropeço.

2021: estreia convincente na melhor participação na era moderna

Em 2021 (torneio disputado em fevereiro de 2022, nos Emirados Árabes), o Palmeiras voltou mais preparado. E sua estreia foi sólida: vitória por 2 a 0 contra o Al Ahly, com gols de Raphael Veiga e Dudu.

Com um time mais maduro e ajustado por Abel Ferreira, o Palmeiras se impôs na semifinal, mostrando controle e eficiência. Na grande final, contra o Chelsea, o time fez um jogo duro e levou o empate até a prorrogação, mas perdeu por 2 a 1 após um pênalti convertido por Havertz.

Ainda assim, foi a melhor campanha moderna do Verdão no torneio da FIFA. A estreia positiva foi um dos sinais de um time mais competitivo no cenário global.

Um novo formato, velhos rivais e o mesmo sonho

Agora, em 2025, o Mundial tem formato inédito, com 32 clubes e fase de grupos. O Palmeiras caiu no Grupo A ao lado de Porto, Al Ahly e Inter Miami, e enfrenta o time português logo na estreia.

O duelo tem carga simbólica. Além do histórico entre brasileiros e portugueses, há o fator emocional: Abel Ferreira, técnico do Palmeiras, é natural de Portugal e conhece bem o futebol lusitano. Do outro lado, o Porto vive um momento instável, mas mantém a tradição de um clube que já foi campeão da Champions League. Diferente de anos anteriores, o Palmeiras precisa somar pontos desde o início para avançar às oitavas de final. A estreia, portanto, se torna ainda mais vital, não há margem para erro.

Se há algo que os dados mostram, é que o Palmeiras nunca teve um caminho fácil em suas estreias mundiais. Seja pela pressão histórica, seja pela qualidade dos adversários, o clube sempre enfrentou desafios grandes logo na largada. Das cinco participações anteriores em torneios mundiais (1951, 1999, 2020, 2021, 2025), só em duas venceu na estreia: 1951 e 2021.

O retrospecto impõe um alerta, mas também uma chance de redenção. Vencer o Porto pode não apenas abrir o caminho no grupo, mas também ajudar a enterrar o estigma de que o clube “treme” no Mundial. Para Abel e seus comandados, é hora de transformar a história em motivação, e estrear não apenas com os pés, mas com a alma no torneio.

Foto: Cesar Greco/Palmeiras