Lucas Paquetá não esperava que a grande oportunidade da sua temporada e talvez da sua carreira recente, viesse de uma notícia ruim. Mas o futebol tem dessas ironias. A lesão de Giorgian de Arrascaeta, sofrida no duelo contra o Estudiantes, abriu um espaço enorme no Flamengo. E esse espaço tem tudo para ser ocupado justamente pelo camisa 20.
O problema na clavícula do uruguaio não é simples. Dependendo do tratamento, o tempo de recuperação pode passar de dois meses, chegando a algo entre 68 e 83 dias em caso cirúrgico. Mesmo no cenário mais otimista, com tratamento conservador, a ausência gira em torno de 61 dias. Ou seja, estamos falando de um período longo, que exige adaptação imediata do time.
E é aí que entra Paquetá.
Paquetá volta a ser protagonista no Flamengo
Desde que passou a trabalhar com Leonardo Jardim, Paquetá começou a dar sinais claros de evolução. Não necessariamente em números absurdos, mas em algo que vale tanto quanto: posicionamento e influência no jogo, de fiasco em seu retorno, quando estava nas mãos de Filipe Luís, já voltou a ser um nome forte para próxima Copa do Mundo.
O técnico português fez algo que parecia simples, mas mudou completamente o cenário: recolocou Paquetá por dentro. E isso faz toda a diferença.
Antes, o jogador chegou a ser utilizado aberto pelos lados, uma herança do modelo anterior de Filipe Luís. Nessa função, ele até participava, mas ficava limitado. Longe da zona central, perdia a chance de ditar o ritmo e assumir o papel de organizador.
Agora, atuando como segundo volante ou meia central, certas vezes como 10, Paquetá volta a ser aquele jogador que pensa o jogo, distribui passes e aparece em momentos decisivos. É o tipo de função que potencializa o que ele tem de melhor. E com Arrascaeta fora, essa responsabilidade aumenta ainda mais.
A vaga que “caiu no colo” de Paquetá e precisa ser aproveitada
Substituir Arrascaeta não é tarefa simples. Estamos falando de um dos jogadores mais decisivos do futebol sul-americano nos últimos anos. Mas, ao mesmo tempo, o cenário atual praticamente obriga o Flamengo a buscar uma nova referência criativa.
E, dentro do elenco, Paquetá é quem reúne mais características para assumir esse papel.
Ainda mais quando se observa o momento de Jorge Carrascal. O colombiano, que poderia ser uma alternativa direta, vive uma fase irregular e não consegue se firmar. Atuações abaixo do esperado e pouca consistência acabam tirando força da sua candidatura. Resultado? O caminho fica mais aberto para Paquetá.
Mas aqui vale um alerta: não basta ocupar o espaço. É preciso transformar minutos em impacto.
Copa do Mundo no horizonte: Paquetá entra no radar
Se já existia uma disputa acirrada por vagas na Seleção Brasileira, agora Paquetá ganha um trunfo importante. Temos Danilo, do Botafogo, Andrey Santos, do Chelsea, Neymar, do Santos, e inúmeras outras peças cotadas para aparecer no final desta lista de Ancelotti, até nomes que nem do meio de campo são.
A sequência como titular, jogando na sua posição ideal e com protagonismo dentro do Flamengo, pode ser exatamente o que faltava para recolocá-lo com força na briga por uma vaga na Copa do Mundo. E a lógica é simples: treinador de Seleção valoriza momento.
Se Paquetá conseguir assumir o comando criativo do time, entregar boas atuações e, principalmente, ser decisivo, o nome dele naturalmente volta a aparecer nas listas e discussões.
Talento nunca foi questionado. O desafio sempre foi manter regularidade e encaixe dentro de um sistema. E, agora, parece que esse encaixe finalmente está acontecendo.
Pressão, responsabilidade e o timing perfeito
O momento é delicado para o Flamengo, que perde uma peça-chave. Mas, ao mesmo tempo, é perfeito para Paquetá.
Ele já não é mais promessa. Tem experiência, bagagem internacional e conhece o ambiente do clube. Sabe o peso da camisa e o tamanho da responsabilidade.
E talvez seja justamente isso que faça a diferença agora. Assumir protagonismo em um momento de dificuldade é o tipo de teste que separa bons jogadores de nomes realmente decisivos.
Lucas Paquetá ganhou uma oportunidade que muitos jogadores esperam, mas nem todos conseguem aproveitar.
A ausência de Arrascaeta, somada à má fase de concorrentes diretos, cria um cenário quase ideal para que ele assuma o papel de principal articulador do Flamengo. E, de quebra, entre de vez na disputa por uma vaga na Copa do Mundo.
O roteiro está pronto. A vaga está ali. Agora, tudo depende dele. Porque no futebol, oportunidade aparece. Mas protagonismo… esse precisa ser conquistado.
Foto: Gilvan de Souza/Flamengo
