Marcelo Paz, ex-presidente e atualmente CEO da SAF do Fortaleza EC
Brasileirão Futebol

Fortaleza: Marcelo Paz critica jogadores apalavrados com o clube e afirma: ‘Um mercado em que a palavra não vale mais para algumas pessoas’

O CEO do Fortaleza, Marcelo Paz, em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (19), após o empate do Leão com o Ceará por 3 a 3 pela penúltima rodada da primeira fase do Campeonato Cearense, afirmou que dois jogadores pré-contratados pelo clube enganaram o tricolor após voltarem atrás e assinarem com outros times para a temporada 2024. Bruno Gomes e Felipinho, segundo o chefe da SAF que comanda o Leão do Pici, estavam apalavrados com a equipe e se juntariam ao elenco brevemente para o decorrer do ano, mas, numa surpreendente puxada de tapete para a diretoria, e para os torcedores, que pedem por novos reforços, ambos fecharam com  Internacional e Athletico Paranaense, respectivamente.

No caso de Felipinho, atualmente defendendo as cores da Ponte Preta, o que realmente desagradou Paz e o Fortaleza, não foi o valor oferecido pelo Furacão para bancar sua contratação, e sim o que o jogador fez anteriormente ao fechamento do contrato com o clube do Paraná. Segundo relatou o CEO durante a sonora de ontem, nos bastidores Felipinho alegava que seu ‘sonho era vestir a camisa do Fortaleza‘, tanto que fez uma ligação para Bruno Costa, executivo de futebol do Leão, chorando, e pedindo uma oportunidade no time. Paz também citou que a Ponte não liberou o jogador antes por estar com o volante nos planos do clube para garantir permanência na primeira divisão do Campeonato Paulista, mas nessa de esperar um pouco, acabou vendo o clube de Campinas negociar o jogador com o Athletico, mesmo com o atleta tendo dado sua palavra ao Leão.

“Felipinho deu a palavra. O Felipinho ligou pro Bruno Costa chorando. ‘Cara, eu quero ir pro Fortaleza. Isso é o sonho da minha vida, vocês vão me dar um baita contrato’, e depois foi para outro canto. Por que o Fortaleza não fechou? Porque eu negociei com o dirigente da Ponte Preta e ele disse que estava tudo fechado. Disse que estavam no começo do Campeonato Paulista e tinham que garantir a permanência do time, pediu para esperar mais um pouquinho. Nessa de esperar mais um pouquinho, o Athletico-PR veio, fez uma proposta muito maior para a Ponte Preta e para o jogador, e o jogador foi. Só que tinha dado a palavra pra gente.”

– Marcelo Paz, durante a coletiva de ontem.

Sobre o também volante, Bruno Gomes, Paz afirmou que houve um valor muito maior oferecido pelo Colorado após a ida do jogador para o torneio Pré-Olímpico com a seleção brasileira, o que travou as negociações do clube com o Coxa, e deixou a equipe gaúcha livre a negociar seu retorno a Porto Alegre, onde atuou em 2022. O atleta negociou sua volta ao Inter com contrato até dezembro de 2027, e já está registrado no clube para atuar no Gauchão, na Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro. O CEO do Fortaleza na coletiva, afirmou que, não endividaria o clube com altos investimentos em jogadores de fora, desprezando aqueles que já estão no clube, pois isso seria de tamanha irresponsabilidade e consequências permanentes para levá-lo à falência.

“Eu não vou tomar medidas irresponsáveis. Irresponsabilidade quebra clube de futebol. Sabe o que quebra um clube em crescimento? É o crescimento irresponsável, sem medida. Se olharmos para trás, e vou falar apenas de clubes da Série A para não parecer que estou querendo fazer algum tipo de provocação ao nosso rival. Tem muito clube de Série A que vai quebrar em breve, porque estão agindo de forma muito irresponsável no mercado, pagando valores em compra, salários, luvas e comissão, e eu não vou fazer isso com o Fortaleza. Em respeito a nossa história e aos jogadores que estão aqui. Porque na hora que eu trago um novo jogador com salário acima do que o mercado paga, os que estão aqui vão dizer ‘pera aí, eu também quero.’”

– Marcelo Paz, durante a coletiva de ontem.

O cartola também aproveitou os microfones para alfinetar o mercado da bola no Brasil, e dizer que ele não vale mais a palavra como antes para algumas pessoas:

“A gente está vivendo um mercado no futebol brasileiro prostituído. Um mercado em que a palavra não vale mais para algumas pessoas e isso a gente tem visto em algumas das operações que a gente tentou no Fortaleza. É muito importante estar aqui quem quer estar aqui. Tenho que valorizar o Kuscevic que quis vir, o Luquinhas que quis vir, o Moisés que voltou ganhando menos. O Cardona, que era capitão do Defensa Y Justicia, e quis vir para cá, sabendo que ia brigar com o Titi. Então a gente tem que valorizar as pessoas que estão aqui e querem vestir nossa camisa.”

O Fortaleza segue em busca de jogadores para compor o elenco do clube que terá cinco competições em seu calendário de 2024, e joga nesta semana em Recife contra o Sport, na Ilha do Retiro.

Foto: Mateus Lotif/Fortaleza EC

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