Autor de dois gols da vitória sobre o Fluminense, Pedro alcançou uma marca histórica com a camisa do Flamengo ao ultrapassar Gabigol como maior goleador da equipe neste século. O feito já levanta debates sobre uma possível convocação para Seleção Brasileira, algo que não aconteceu desde que Carlo Ancelotti assumiu o comando da Amarelinha.
Opções não faltam para Carleto, já que há uma gama de centroavantes brasileiro no mundo inteiro e o camisa 9 do Fla sequer foi testado. Igor Thiago, Vitor Roque, João Pedro, Kaio Jorge e Endrick são alguns exemplos, mas que ao analisarmos bem, compõem um padrão de jogo. Mas, afinal, Pedro merecia de fato ser testado pelo menos?
Pedro é o artilheiro isolado do Flamengo na temporada, mas só isso não basta

Pedro vive boa fase em 2026. São 11 gols em 20 jogos (média de 0,55 por partida), sendo cinco deles no Brasileirão, o que o coloca entre os principais artilheiros da competição.
O desempenho individual é sólido, mas não suficiente para convencer Ancelotti. Tecnicamente, o ‘P9’ está entre os melhores atacantes da América do Sul. No entanto, o que pesa contra ele não é qualidade — é perfil.
O centroavante do Flamengo é forte no jogo apoiado, com boa finalização e capacidade de proteção da bola. Mas, sem ela, oferece pouco em termos de intensidade e mobilidade. E é justamente aí que está o ponto de ruptura.
O modelo de jogo de Ancelotti pede um atacante dinâmico, capaz de pressionar alto, atacar espaços e sustentar um ritmo intenso. Características que aparecem com mais frequência em nomes como Vitor, Roque, João Pedro, Kaio Jorge, Endrick e Igor Thiago.
Pedro, por outro lado, é mais estático. Participa menos da construção em movimento e oferece menor variação tática.
Comparativo entre Pedro e os outros atacantes
No Flamengo de Leonardo Jardim, o jogo passa muito pela referência do centroavante. Pedro recebe mais bolas no pé do que em profundidade — algo que dialoga com suas características. Nesta temporada, tem média de 23,7 ações por jogo.
Só que o contraste aparece quando comparado aos concorrentes: Igor Thiago, Endrick e João Pedro ultrapassam a casa das 30 ações por partida. A diferença não é só numérica, é estrutural. O futebol europeu exige mais intensidade, menos retenção e mais progressão. Veja o comparativo:
Ações com a bola em média
- João Pedro: 34,8
- Igor Thiago: 32,1
- Endrick: 39,7
Números provenientes das ligas em que os atacantes jogam
Mesmo entre os atacantes que atuam no Brasil, como Kaio Jorge e Vitor Roque, o padrão se mantém: mais mobilidade, mais pressão e mais participação sem a bola.
O atacante moderno não é apenas finalizador, é o primeiro defensor. Roubar a bola no campo de ataque virou arma ofensiva. E esse é um fundamento que não está entre os pontos fortes de Pedro.
Essa diferença no dinamismo é comprovado pelo perfil dos atacantes convocados que atuam no futebol brasileiro — Kaio Jorge e Vitor Roque — que também tem uma média abaixo dos que atuam no Velho Continente. Em 2025, inclusive, o atacante do Cruzeiro (27,6) e o do Palmeiras (25,2) tem estatísticas superiores as de Pedro.
O centroavante do Flamengo entrega gols, regularidade e presença de área. Mas a Seleção Brasileira de Ancelotti busca outra coisa: intensidade, mobilidade e compromisso tático sem a bola. Não é uma questão de merecimento, e sim de encaixe.
Flamengo na temporada
As características de Pedro voltam a ser testadas nesta quinta-feira (16), às 21h30, no Maracanã, contra o Independiente Medellín, pela 2ª rodada da fase de grupos da Libertadores 2026.
Créditos da foto de capa: Gilvan De Souza/Flamengo
