Lionel Messi, Argentina x França, Copa do Mundo 2022. Foto: Reprodução/Getty Images
Futebol Copa do Mundo

Pênaltis na Copa do Mundo: quem é o melhor, quem mais pipoca e o que dizem as estatísticas

A fase de grupos da Copa do Mundo chegou ao fim, dando a vez para os mata-matas. Em outras palavras: chegou o momento mais dramático da competição. Só que esta também é a fase em que aparecem as temidas disputas de pênalti, uma situação que algumas seleções evitam ao máximo.

Na Copa de 2022, o torneio bateu o recorde e contou com cincos disputas por penalidades. Só que, em 2026, com mais participantes no Mundial, incluindo uma rodada extra (16 avos), há uma chance considerável desta marca ser ultrapassada.

Mas, o que tem de tão importante nisso tudo, além de uma vaga na próxima fase?

Foi aí que a Opta Analyst, em parceria com o portal BBC Sport, fizeram uma análise das seleções quando se trata da ‘marca da cal’.

Argentina, Alemanha, Croácia se saem melhor

Croácia, Copa do Mundo. Créditos da foto: Reprodução/Getty Images via Sport.
Croácia, Copa do Mundo. Créditos da foto: Reprodução/Getty Images via Sport.

 

Desde que a Fifa estabeleceu a disputa por pênaltis como critério de desempate, na Copa do Mundo de 1978, foram registradas 320 cobranças em 35 disputas.

Com sobras, a Argentina — curiosamente sede de 1978 — é o país que mais bem-sucedido é em penalidades. A Albiceleste venceu seis de sete disputas, incluindo a última, da qual rendeu o título mundial contra a França, no Catar. Ironicamente, quando os argentinos sediaram o Mundial, o torneio não teve uma decisão por pênaltis sequer.

Mas, as particularidades não param por aí. O primeiro país a vencer uma disputa neste modelo é um dos também que tem melhor aproveitamento: a Alemanha. A Mannschaft saiu vencedora no duelo na marca da cal contra a França, em 1982.

Aquela decisão terminaria em 5 a 4 para os alemães do ocidente e, de lá para cá, a história consolidou a tetracampeã mundial como uma das que saiu vitoriosa em penalidades. Foram 18 pênaltis batidos e 17 convertidos, com quatro triunfos em quatro disputas.

Por fim, a última seleção que também tem um bom desempenho na marca da cal é uma das quais os brasileiros não gostam de lembrar: a Croácia. Carrascos do Brasil em 2022, os croatas também venceram incrivelmente todas as disputas que pênalti em que estiveram (4).

A memória de longo prazo sequer é tão usada pela equipe ‘quadriculada’, já que todos os seus triunfos foram neste século, mas não somente isso. Foram todas nas últimas duas Copas, nos duelos contra Dinamarca e Rússia (em 2018); e Japão e Brasil (em 2022).

Quais são os piores?

Espanha, Copa do Mundo. Créditos da foto: Bernadett Szabo/Reuters
Espanha, Copa do Mundo. Créditos da foto: Bernadett Szabo/Reuters

 

Até 2022, quem detinha a maior marca de desperdícios em pênaltis era a Inglaterra. Porém, a Espanha veio para superar todas as expectativas e buscar um feito inimaginável.

Inacreditavelmente, La Roja errou todas as cobranças nas oitavas de final em 2022, no duelo contra Marrocos. Nenhuma conversão em três chutes, o que elevou sua estatística para nove. Os espanhóis perderam quatro de cinco decisões por pênaltis, ultrapassando outras nações nesse quesito — incluindo a própria Inglaterra — e se usurpando um trono indesejado de quem perdeu disputas de pênaltis em Copas.

Mas, além de Espanha e Inglaterra, há outras menções honrosas. Japão, México e Romênia também perderam todas as suas disputas (2), enquanto a Suíça jamais converteu um pênalti em decisões na Copa do Mundo.

Jogadores que fazem da cobrança de pênalti uma arte

Messi fez seu sexto gol nesta Copa do Mundo 2026. Foto: Reprodução/@Argentina via X
Messi fez seu sexto gol nesta Copa do Mundo 2026. Foto: Reprodução/@Argentina via X

 

Somente Messi e Luka Modric acertaram todas as suas cobranças. Uma taxa de 100% de aproveitamento — isso, sabendo que uma das de Lionel foi na final contra a França.

Há outras circunstâncias das quais jogadores ficam marcados, mesmo que tenham um bom desempenho. Esse é o caso de Roberto Baggio, que foi bem sucedido em dois de três arremates da marca da cal. Só que o único em que o atacante italiano perdeu foi crucial — na final de 1994, contra o Brasil.

Como mencionado anteriormente, Modric é um dos reis das penalidades. Mas, o destaque croata não fica somente na imagem do camisa 10. Outros dois jogadores também tem seu nome marcado na história — pelo lado de quem defende, não por quem cobra.

Danijel Subasic (2018) e Dominik Livakovic (2022) são dois dos quatro goleiros que mais defenderam pênaltis em disputas na Copa do Mundo. Os dois arqueiros impediram quatro cobranças de chegarem ao fundo das redes — de dez e oito chutes, respectivamente. Curiosamente, Modric e os dois goleiros são da mesma cidade: Zadar.

Já que Alemanha e Argentina são os países que mais venceram pênaltis, não seria nenhuma surpresa ver que Harald Schumacher, da Alemanha Ocidental (que enfrentou nove) e Sergio Goycochea, da Argentina (enfrentou 10), também se destacam. Assim como Livakovic e Subasic, os dois defenderam quatro cobranças.

Aliás, os dois croatas são dois dos únicos goleiros, junto com o português Ricardo, que defenderam três em uma única disputa de pênaltis. O goleiro, que ficou conhecido na Euro de 2004 por não usar luvas, tem o maior percentual de defesas, com 75%, tendo sofrido apenas quatro pênaltis.

Existe um jeito “certo” de cobrar?

Os números da Opta também mostram tendências interessantes. Ao contrário do que muitos imaginam, finalizar no meio do gol não é a estratégia mais eficiente.

As cobranças direcionadas ao canto direito apresentam taxa de conversão de 72,4%. No canto esquerdo, o índice é de 71,1%. Já os chutes centrais caem para apenas 61,6%.

O principal motivo não está nas defesas dos goleiros, mas nos erros dos próprios cobradores. Enquanto apenas 5,7% das cobranças nos cantos terminam para fora, esse percentual sobe para 19,2% nas finalizações pelo centro.

Cobrar primeiro faz diferença?

Em uma competição como a Copa do Mundo, na história, praticamente não existe vantagem para quem inicia a disputa. Das 35 decisões por pênaltis, 17 foram vencidas pela equipe que cobrou primeiro, enquanto 18 terminaram com vitória de quem bateu depois. Porém, individualmente, existe uma diferença.

Os primeiros cobradores apresentam o melhor aproveitamento da série, convertendo 72,9% das tentativas. A eficiência diminui gradualmente conforme aumenta a pressão das cobranças seguintes, chegando ao menor índice entre os oitavos cobradores — justamente aqueles que normalmente precisam manter a equipe viva antes da última cobrança da série.

Atacantes levam vantagem e substituições nem sempre funcionam

Harry Kane, Inglaterra, Copa do Mundo. Foto: Hannah Mckay/Reuters
Harry Kane, Inglaterra, Copa do Mundo. Foto: Hannah Mckay/Reuters

 

Como esperado, os atacantes são os especialistas nas disputas de pênaltis. Eles convertem 75% das cobranças em Copas do Mundo. Entre os meio-campistas, o índice cai para 67,9%, enquanto os defensores apresentam aproveitamento de 65%.

Outro dado curioso envolve as substituições feitas exclusivamente pensando nas penalidades. Desde 1978, apenas cinco jogadores entraram nos minutos finais de uma partida para participar da disputa. Apenas dois converteram suas cobranças.

O caso mais famoso continua sendo o de Tim Krul, que entrou aos 121 minutos da vitória da Holanda sobre a Costa Rica, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2014. O goleiro defendeu duas cobranças e garantiu a classificação holandesa.

Na semifinal, porém, Louis van Gaal já havia utilizado todas as substituições. Jasper Cillessen permaneceu no gol contra a Argentina, não defendeu nenhuma cobrança, e a Holanda acabou eliminada.

Em um torneio que promete ainda mais confrontos eliminatórios, a tendência é que a marca da cal volte a decidir capítulos importantes da história da Copa do Mundo. E, se os números servirem de referência, Argentina, Alemanha e Croácia entram em qualquer disputa com um retrospecto que inspira confiança — enquanto outras seleções certamente farão de tudo para evitar que a classificação dependa dos pênaltis.

Créditos da foto de capa: Reprodução/Getty Images