A Federação de Futebol dos Estados Unidos (U.S. Soccer ou USMNT) deu o primeiro passo para o próximo ciclo da seleção masculina. Nesta quinta-feira, Steve Cherundolo foi anunciado como treinador da equipe olímpica sub-23 dos EUA, que disputará os Jogos de Los Angeles 2028. Mais do que pensar em uma medalha em casa, a missão do ex-lateral é preparar a base da próxima geração da seleção americana.
A eliminação precoce dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 2026 acelerou um processo que já parecia inevitável. Grande parte da espinha dorsal da equipe chegará ao próximo Mundial fora do auge físico, o que obriga a federação a iniciar uma renovação profunda.
Nesse contexto, a seleção olímpica passa a ter papel estratégico. A expectativa é que muitos dos jovens que disputarão os Jogos de Los Angeles se tornem protagonistas da equipe principal nos anos seguintes, repetindo um caminho já percorrido por diversas seleções que brilham na atual Copa do Mundo.
Olimpíadas como trampolim para a seleção principal
Os exemplos recentes reforçam essa estratégia. A França conta com sete jogadores que participaram da campanha olímpica de Paris 2024. A Espanha levou seis atletas daquela equipe para a Copa do Mundo de 2026, número que poderia ser ainda maior sem a lesão de Fermín López. Já Marrocos também aproveitou boa parte da geração olímpica, com seis jogadores integrando o elenco mundialista.
A U.S. Soccer quer seguir exatamente esse modelo.
“O sucesso em competições de base e nos ciclos olímpicos acelera o desenvolvimento dos jogadores e cria condições para campanhas melhores nas Copas do Mundo seguintes”, afirmou Dan Helfrich, diretor de operações da federação.
Segundo o dirigente, o investimento nas categorias de base e na equipe olímpica faz parte de um planejamento pensado para elevar o nível competitivo dos EUA nos grandes torneios internacionais.
Cherundolo chega credenciado
A escolha por Steve Cherundolo também segue essa lógica. Ídolo da seleção americana como jogador, o ex-lateral disputou 87 partidas pelos EUA e foi um dos destaques da campanha na Copa do Mundo de 2010.
Depois de encerrar a carreira, iniciou sua trajetória como treinador nas categorias de base do Hannover 96 (ALE), passou pela seleção sub-15 da Alemanha e ganhou projeção no Los Angeles FC (EUA).
Entre 2022 e 2025, conquistou a MLS Cup, o Supporters’ Shield e a U.S. Open Cup, além de conduzir o clube à classificação para a Copa do Mundo de Clubes.
Seus times ficaram conhecidos por unir organização defensiva, pressão na marcação e velocidade nas transições ofensivas, sem abrir mão da flexibilidade tática. Durante sua passagem pelo LAFC, alternou esquemas como o 4-3-3 e o 3-4-3 de acordo com o adversário, característica que pode ser importante em um elenco jovem e ainda em formação.
A nova geração americana

O grupo que poderá disputar Los Angeles 2028 reúne alguns dos principais talentos do futebol norte-americano.
Entre os destaques aparece Zavier Gozo, ponta do Real Salt Lake e considerado um dos maiores prospectos do país. No meio-campo, Benjamin Cremaschi, atualmente no Parma, desponta como uma das referências técnicas após conquistar a Chuteira de Ouro da Copa do Mundo Sub-20 de 2025.
Também chamam atenção nomes como Niko Tsakiris, do San Jose Earthquakes, Peyton Miller, do New England Revolution, o goleiro Diego Kochen, ligado ao Barcelona e atualmente emprestado ao Lyngby, além do atacante Julian Hall, do New York Red Bulls.
Na defesa, Joshua Wynder, do Benfica, surge como principal candidato a liderar o setor, enquanto Adri Mehmeti, também dos Red Bulls, é visto como uma das maiores promessas da nova geração.
Experiência também será decisiva
Apesar de ser uma competição sub-23, o torneio olímpico permite a convocação de três jogadores acima da idade limite.
Essas vagas costumam fazer diferença nas campanhas de sucesso, mas os EUA podem enfrentar um dilema importante. Caso a Copa América seja disputada no mesmo período, a seleção principal também exigirá atletas experientes.
O cenário obriga a federação a definir prioridades. Em tese, um zagueiro, um volante e um atacante mais rodados seriam os reforços ideais para equilibrar um elenco majoritariamente jovem. No entanto, dificilmente algum atleta conseguirá participar dos dois torneios simultaneamente.
Muito além da medalha

Embora o desenvolvimento dos jogadores seja o principal objetivo, Los Angeles 2028 representa uma oportunidade ainda maior para o futebol americano.
As Olimpíadas possuem enorme apelo popular nos EUA e jogar diante da torcida pode ajudar a fortalecer a conexão entre a seleção masculina e o público, algo que a modalidade ainda busca consolidar.
Conquistar uma medalha olímpica em pleno Rose Bowl significaria muito mais do que um resultado esportivo. Seria um marco para um programa que tenta reconstruir sua identidade após a frustração da Copa de 2026 e iniciar, de vez, um novo ciclo rumo ao protagonismo internacional.
Créditos da foto de capa: Rich Lam/Getty Images