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Poatan x Jones: a luta dos sonhos do UFC pode ser um pesadelo tático para o brasileiro

O UFC vive um momento raro em sua história. Alex “Poatan” Pereira, atual campeão dos meio-pesados e um dos nomes mais carismáticos da nova era da organização, acabou de reconquistar o cinturão com um nocaute avassalador sobre Magomed Ankalaev no UFC 320. No auge da popularidade, o brasileiro mira mais alto: subir aos pesados e enfrentar ninguém menos que Jon Jones, o homem que muitos consideram o maior lutador de todos os tempos.

Mas, como alertou o veterano Matt Brown, o duelo dos sonhos pode ser também o pior casamento de estilos possível para o brasileiro.

O duelo que o UFC (e os fãs) querem ver

A luta entre Poatan e Jones ainda é apenas hipotética, mas já movimenta o noticiário. Durante seu discurso pós-luta no UFC 320, Poatan pediu um minuto de silêncio em homenagem a Arthur Jones, irmão do ex-campeão dos pesados, falecido em 3 de outubro. O gesto de respeito antecedeu a intenção do brasileiro de desafiá-lo para o evento do UFC na Casa Branca, previsto para 2026.

A ideia de um card histórico no centro do poder político estadunidense já é, por si só, um acontecimento inédito. Colocar nele dois dos atletas mais marcantes de suas respectivas gerações, o destruidor de strikers e o gênio do MMA, seria o tipo de evento capaz de parar o mundo das lutas.

No entanto, por trás do apelo midiático, há uma realidade técnica incontornável: Jon Jones representa tudo aquilo que mais incomoda o estilo de Poatan

Durante o podcast The Fighter vs. The Writer, o ex-lutador do UFC Matt Brown foi direto: “O casamento é literalmente o pesadelo para Alex Pereira. Jon é do mesmo tamanho, talvez até maior. É infinitamente melhor wrestler. Não há como Alex competir nesse aspecto”.

Brown chegou a comparar a luta com o duelo entre Conor McGregor e Floyd Mayweather, que movimentou milhões de dólares, mas foi claramente um confronto entre mundos diferentes. Para ele, Pereira até teria mais chances do que McGregor teve no boxe, mas ainda assim enfrentaria um abismo técnico na luta agarrada.

“Mesmo que Jon tivesse passado o último ano inteiro se divertindo fora de forma, ele ainda seria um lutador com uma base de wrestling e controle de solo muito acima de qualquer coisa que o Alex possa apresentar”, completou.

Força bruta de Poatan x refinamento técnico de Jones

Poatan, sem dúvida, é um fenômeno ofensivo. Seu poder de nocaute — principalmente com o gancho de esquerda e os chutes baixos — transformou-o em um dos maiores strikers da história recente do MMA. O brasileiro tem um senso de distância quase matemático e uma compostura que raramente se vê no octógono.

Contudo, subir para enfrentar Jones nos pesados significa mudar completamente o ambiente em que ele reina soberano. O estadunidense é um especialista em neutralizar esse tipo de adversário. Durante anos, construiu sua carreira controlando lutas contra atletas mais fortes ou agressivos, sempre com uma combinação letal de envergadura, clinch e domínio posicional.

Mesmo envelhecido e menos ativo, Jones mantém um QI de luta que poucos na história do esporte alcançaram. Sua vitória sobre Ciryl Gane, em seu retorno em 2023, foi um lembrete cruel disso: o estadunidense precisou de apenas dois minutos para levar o francês ao chão e finalizá-lo.

A imprevisibilidade de Jones e o favoritismo de Poatan com o público

Se, dentro do octógono, Jones representa uma ameaça quase impossível de superar, fora dele o cenário se inverte. Dana White, CEO do UFC, admitiu recentemente que não confia mais totalmente na disponibilidade de Jon Jones. Entre suspensões, lesões e negociações travadas, o ex-campeão se tornou uma figura imprevisível.

Enquanto isso, Poatan tem feito exatamente o oposto: salvou eventos, lutou com frequência e se mostrou disposto a enfrentar qualquer um. Em pouco mais de dois anos, ele se tornou o rosto de uma nova geração de lutadores técnicos, mas disciplinados — o oposto da imprevisibilidade de Jones.

White, inclusive, reconheceu publicamente que “Poatan tem feito inúmeros favores ao UFC”, aceitando desafios em cima da hora e ajudando a manter o calendário ativo. Isso pode pesar a favor do brasileiro em uma eventual negociação para o evento da Casa Branca.

Contudo, a luta só acontecerá se Jon Jones realmente quiser lutar — e essa, historicamente, é uma incógnita.

Espetáculo ou pesadelo técnico?

O possível encontro entre Alex Poatan e Jon Jones seria, sem dúvida, um dos eventos mais grandiosos da história do UFC. Seria o duelo entre o melhor striker da atualidade e o grappler mais inteligente da era moderna. Um combate que transcende o aspecto esportivo e toca no simbólico — o novo contra o velho rei.

Mas, como lembram especialistas, a beleza do espetáculo não apaga a dura realidade da luta. Se Poatan não conseguir defender as quedas e impor seu ritmo na trocação, o duelo pode rapidamente se transformar em um domínio unilateral.

Ainda assim, a audácia do brasileiro é o que mantém viva a essência do MMA: o desafio constante aos limites.
E é justamente por isso que, mesmo diante de um pesadelo tático, o mundo inteiro quer ver esse confronto acontecer.

Foto: Reprodução/Instagram/UFContnt