Duplas mistas US Open
Tenis US Open

Polêmica das duplas mistas no US Open 2025: ótima inovação ou vergonha para o tênis?

Há algum tempo, o US Open anunciou que a disputa das duplas mistas seria diferente nesse ano. Em 2025, o Grand Slam não irá fazer as partidas de mistas durante o período normal e sim na semana anterior. Todos os jogos irão acontecer em apenas dois dias: 19 e 20 de agosto.

Não só isso, mas o que tem causado a maior polêmica sobre o assunto: estrelas do simples estão sendo convidadas. Dessa forma, os tenistas que focam apenas nas duplas ‘perderam’ as vagas para a competição de mistas. É importante lembrar que não houve qualquer mudança nas duplas femininas ou masculinas.

Há alguns pós e contras para esse novo formato. No entanto, ao falar sobre o assunto, as opiniões costumam ir de um extremo para o outro.

Duplas mistas do US Open

Grandes estrelas do tênis estarão na disputa das duplas mistas do US Open, mas tenistas que não são duplistas. Jannik Sinner, Aryna Sabalenka, Iga Swiatek, Carlos Alcaraz, entre outros. São atletas que, apesar de já terem jogado duplas, ou ainda participam de uma competição ou outra como duplista, costumam ficar longe dessa categoria.

A ideia principal da organização do Grand Slam estadunidense é atrair público. Não é uma novidade que os jogos de simples chamam mais atenção do que as duplas. Trazendo as estrelas para a competição de mistas, é esperado mais telespectadores. Além disso, o torneio de mistas não dão pontos para os tenistas.

No entanto, a ideia é vista como um desrespeito por duplistas. Não haverá muitos tenistas que só jogam nas duplas presentes na competição. É claro que alguns foram convidados, como Katerina Siniaková e Marcelo Arévalo, líderes do ranking de duplas.

Além disso, há também top 10 do simples que são duplistas e estarão, como Mirra Andreeva e Jasmine Paolini. Mas diversos nomes conhecido das duplas ficaram de fora, e criticam abertamente a organização do US Open.

Errani e Vavassori fizeram história ao vencer Us Open © ANSA/Getty Images via AFP
Sara Errani e Andrea Vavassori venceram as mistas do US Open em 2024. Foto: ANSA/Getty Images via AFP

Duplistas reclamam

Desde que essa mudança foi anunciada, duplistas se manifestam contra. Cada vez mais perto do US Open, mais opiniões sobre o assunto são divulgadas. Julian Cash, campeão das duplas masculinas de Wimbledon, foi mais um a não gostar do novo formato:

“Sobre a questão das duplas mistas do US Open, entendo os dois lados. Para nós, jogadores de duplas, é uma verdadeira vergonha, sem dúvida. Entendo perfeitamente porque fizeram isso, fica claro quando você olha os nomes na chave.”

Mas não foi o único e, ainda em junho, Jan Zielinski falou sobre, em suas redes sociais: “parece que vencer dois Grand Slams nas duplas mistas em um ano não é o suficiente para ganhar um convite para o torneio de ‘exibição’ do US Open. Obrigado por nos tirarem a oportunidade de competir e por fazer isso justo para todos.”

Na época, nenhum especialista de duplas havia sido anunciado. Na nova lista, divulgada pelo US Open nesta segunda-feira (21), o polonês foi incluído, ao lado de sua parceira Su-Wei Hsieh. Em fevereiro, Marcelo Melo e Rafael Matos, duplistas brasileiros, também já haviam criticado:

“Entre os duplistas, ninguém acabou gostando. Vai ser na semana anterior ao torneio, quando está sendo disputado o quali ainda. Vão ser dois dias apenas de jogos, só oito duplas entrando com o ranking e oito convidadas, a chave vai diminuir. A gente sente que quem ganhar não vai poder dizer que é campeão de Grand Slam. Acho que descaracterizou bastante”, – disse Matos.

“Acho que eles poderiam fazer o que escolheram, mas mantendo a outra competição, deixando essa para os jogadores de simples para manter a outra como era, caracterizando assim um Grand Slam. Manteve o fato de ser Grand Slam para incentivar os jogadores a jogar, mas não sei até que ponto eles vão querer participar e se vão se sentir campeão de Grand Slam”, – afirmou Melo.

Marcelo Melo e Rafael Matos estão na semifinal de duplas do Rio Open
Marcelo Melo e Rafael Matos reclamaram da mudança. Foto: Fotojump

Afinal, é bom ou ruim?

Há prós e contras para a mudança do US Open. O público menor nas duplas é um ‘problema’ já conhecido no mundo do tênis. A mudança para o último Grand Slam do ano irá tornar a competição de mistas mais atrativo. Só que não é uma solução real, já que ainda há as duplas femininas e masculinas.

O principal foco precisa ser em tornar o produto mais atrativo para os telespectadores. Esse novo modelo pode ajudar em ter uma ideia do que ajudaria. Como muitos já apontaram em debates nas redes sociais sobre o assunto, talvez o ideal seja mesclar.

Trazer algumas estrelas para a disputas das mistas ajuda a fazer com que mais pessoas fiquem interessadas. Entretanto, também é importante manter os duplistas, mesmo não valendo pontos para o ranking. São eles que disputam na categoria o ano inteiro e mostraria respeito a eles, uma das principais reclamações feitas sobre a mudança.

Foto: Simon Bruty/USTA