Semana vem, semana vai, e o VAR segue dando sopa para as mais variadas polêmicas no futebol brasileiro, levantando a ira de cartolas e torcedores, e sendo discutido com frequência nas redes sociais, mesas redondas da TV, nos sofás e nas mesas de bar. O aparato que nasceu em meados da década de 2010 e ganhou força logo após a Copa do Mundo de 2014 surgiu com a proposta de contornar o “erro humano” dos profissionais de arbitragem no esporte mais assistido da terra, e que por muitas vezes levantou dúvidas sobre a conduta destes, tão execrados por decisões que às vezes beneficiavam, às vezes prejudicavam, mudando em diversas ocasiões o enredo de alguma competição.
Mas diante de tal aplicação, que pouquíssimas vezes gera problemas no exterior, por que o Árbitro de Vídeo se tornou um problema no Brasil, e não uma solução concreta, como nos acostumamos a ver por exemplo na Europa? Elencamos aqui fatores que podem explicar de maneira concreta a situação grave do sistema, e o que se espera do futuro da classe de árbitros do nosso país, tão polemizada por esta sequência de erros.
Os fatores que contribuem para o insucesso do VAR no futebol brasileiro
A ineficácia do VAR no futebol brasileiro desde o seu surgimento se dá por inúmeros fatores, que a cada dia ganham novas histórias para elencar a vasta coleção de erros cometidos em competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que não toma atitudes evidentes para conter danos na imagem da arbitragem e da própria insituição.
Na mais recente rodada da Série A do Brasileirão, a principal discussão sobre a falha da tecnologia veio do 0x0 entre Sport e Fortaleza em Recife, no qual o Laion teve um gol anulado e deixou a capital pernambucana esbravejando contra a arbitragem, principal alvo de reclamação a cada erro cometido, e raramente justificado de forma aceitável pela CBF. O árbitro de campo Matheus Candançan paralisou o jogo por incríveis oito minutos para verificar na cabine o lance que teria mudado os rumos da partida, e mais uma vez levantou a polêmica em torno do sistema, operado nesse jogo pelo árbitro Rodolpho Toski.
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Sob a indignação da diretoria e de seus jogadores, o Fortaleza entrou nesta segunda-feira (28) com uma representação formal na CBF, após a arbitragem do jogo de sábado interpretar o lance de Yago Pikachu como “bola que não ultrapassou totalmente a linha”, e aguarda um posicionamento da instituição máxima do futebol brasileiro diante de tal incidente. Contudo, o próprio clube foi um dos que aclamaram de forma unânime a reeleição do presidente Ednaldo Rodrigues para um novo mandato à frente da entidade, e deixaram a entender que concordam com o que vem sendo feito pelo gestor principalmente no quesito arbitragem de vídeo, que possui como fatores negativos:
A lentidão nas revisões e o impacto causado no jogo
Desde a implementação do VAR no Brasil, uma das principais reclamações de clubes e espectadores é a demora pela avaliação de jogadas que muitas vezes poderiam ser decididas até mesmo sem a intervenção de quem opera o sistema em um determinado jogo, o que esfria totalmente os ânimos do confronto e o faz terminar cercado de dúvidas. Uma série de paralisações impacta e muito no desenvolvimento de partidas decisivas em campeonatos, como por exemplo, na final da Copa do Brasil de 2018 entre Cruzeiro e Corinthians, quando um gol de Pedrinho para a equipe paulista acabou anulado após o vídeo constatar uma falta de Jadson em Dedé durante a jogada, e a Raposa terminou campeã.
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A subjetividade nas decisões e a “espetacularização” do lance
Outra marca deixada pelo VAR no futebol brasileiro é a particularidade com que árbitros de campo agem em ocasiões como por exemplo clássicos, determinando a sua palavra acima do que seus colegas de vídeo orientam e vice-versa. Um caso recente ocorreu durante o clássico Gre-Nal da 5ª rodada do Brasileirão desse ano, quando o juiz Bráulio da Silva Machado consultou o lance de possível pênalti de Aguirre sobre Aravena em favor do Grêmio e ignorou o alerta feito pelo árbitro de vídeo Wagner Reway, analisando o contato como algo normal, e causando a ira de torcedores e dirigentes do Imortal.
Tal episódio, logo depois reconhecido como erro pela própria CBF, é outro fator que ‘espetaculariza’ algo que não deveria vir ao caso num jogo de importância como era este clássico, disputado no último dia 20, e que acabou empatado em 1 a 1. A arbitragem deveria estar em segundo plano diante dos personagens principais da história do confronto, e acaba roubando a cena com decisões controversas em detrimento de um dos times.
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A falta de treinamento profissional
Com a promessa da CBF em modernizar a arbitragem brasileira e reparar a quantidade de erros cometidos por seus profissionais desde o começo da utilização do VAR no país, esperava-se que a comissão responsável pelas atividades ganharia o devido respaldo para implementar um trabalho de nível exemplar e pouquíssimas falhas, a começar pela melhora da tecnologia. Entretanto, mesmo com os pedidos do ex-presidente do departamento, o ex-árbitro Wilson Seneme, mudanças como a implantação de treinamentos presenciais para os árbitros foram vetadas pela administração Ednaldo Rodrigues, e de acordo com a revista Piauí, possuiu como entrave a “falta de dinheiro”, algo não condizente com o que foi relatado pela reportagem veiculada no início de abril.
Foto: Divulgação/ CBF