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Futebol UEFA Champions League

Por que o PSG é diferente de outros times ‘riquinhos’ do mundo

O PSG terá a chance de, enfim, erguer a taça da UEFA Champions League no próximo sábado (31), em Munique, contra a Inter de Milão. Os parisienses, que perderam a final de 2020 em Lisboa para o Bayern de Munique, agora voltam à decisão com um elenco menos estrelado — tendo como principal nome o técnico Luis Enrique — e com a oportunidade de conquistar a “orelhuda” pela primeira vez.

Neste texto, falamos sobre como o clube da capital francesa se destaca entre os “novos ricos” do futebol mundial. Embora tenha se tornado, para muitos, um time antipático durante a era dos grandes investimentos e das superestrelas, o PSG chega à final com uma equipe carismática, que aprendeu com os erros do passado — e embalada por uma torcida apaixonada.

Collectif Ultras Paris: a torcida que embala o PSG

Diferente de outros clubes como Manchester City e Real Madrid — dois dos principais “super ricos” do futebol —, o PSG tem o privilégio de contar com uma torcida fanática. Localizada no setor norte do Parc des Princes, a Collectif Ultras Paris canta sem parar, seja em casa, com festas impressionantes, ou fora, sempre lotando o setor destinado aos visitantes.

Essa mesma torcida, durante os anos de gastos exorbitantes, quando o clube montou elencos estrelados com Neymar, Messi e Mbappé, foi crítica e chegou a pedir a saída de jogadores que não representavam, em sua visão, a alma do clube.

Neymar, por exemplo, foi constantemente criticado pelos ultras, que enxergavam falta de comprometimento do brasileiro com o time.

A atual campanha do PSG na Champions é marcada por uma reconexão com esses torcedores. Após a classificação para a final contra o Arsenal, todos os jogadores e membros da comissão técnica foram comemorar com os ultras, mostrando como esse elenco reconquistou a torcida.

O super rico PSG e suas diferentes fases

A era de domínio do PSG na França começou em 2011, com a compra do clube por Nasser Al-Khelaifi. Em 2012/13, iniciou-se a fase das grandes contratações: Ibrahimovic, Thiago Silva, Thiago Motta, Alex, Lucas, Cavani, Matuidi, entre outros, elevaram o patamar do clube, que passou a ser candidato à Champions e dominante na Ligue 1.

Mas um trauma mudou a história do PSG e o fez investir ainda mais: a famosa remontada do Barcelona nas oitavas de final da Champions 2016/17. Após vencer por 4 a 0 em Paris, o time comandado por Unai Emery foi a Barcelona e, com uma atuação histórica de Neymar, sofreu uma virada por 6 a 1 — uma das maiores da história da competição.

O vexame no Camp Nou levou o PSG a dobrar a aposta. Na janela seguinte, em 2017, o clube quebrou o recorde mundial de transferências ao contratar Neymar por €222 milhões. E, na mesma temporada, tirou Mbappé do Monaco, time que havia vencido a Ligue 1.

A era Neymar, Mbappé e Messi no PSG

A era de Neymar e Mbappé foi marcada por polêmicas. Além da enorme exposição midiática, rumores de rixa entre os dois e protestos da torcida criaram um ambiente conturbado. Apesar da expectativa, o time não conseguia corresponder em campo.

Em 2020, em plena pandemia da Covid-19, o PSG chegou à sua primeira final da Champions, com jogos em formato reduzido em Lisboa. O time de Thomas Tuchel enfrentou o Bayern, que vinha de uma campanha perfeita — incluindo um 8 a 2 sobre o Barcelona — e foi derrotado por 1 a 0, com gol de Coman, revelado justamente pelo PSG.

Mesmo após a decepção, o clube seguiu investindo pesado. Lionel Messi chegou ao PSG em 2021/22 após deixar o Barcelona. Com ele, Neymar e Mbappé, o clube formava um dos trios ofensivos mais estrelados da história. No entanto, o resultado em campo decepcionou.

Na Champions daquela temporada, o PSG venceu o Real Madrid no jogo de ida, abriu o placar no Bernabéu, mas viu Benzema marcar três gols e eliminar o time. No fim da temporada, ao invés de sair, Mbappé renovou com o PSG com um contrato que lhe dava influência incomum sobre decisões do clube.

A crise interna, especialmente com Neymar, culminou na saída do brasileiro rumo ao Al-Hilal. Messi também deixou o clube e seguiu para o Inter Miami.

Essas mudanças abriram caminho para a chegada de Luis Enrique, que mudou a cultura do PSG.

Com a saída das estrelas, o PSG mudou seu perfil de contratações. Passou a investir em jovens talentos — como Barcola, Dembélé e Desiré Doué — e a valorizar a base. E, principalmente, apostou em Luis Enrique.

O técnico espanhol transformou o PSG em um time coletivo. A campanha que terminou com eliminação para o Borussia Dortmund na semifinal da Champions passada já dava sinais dessa transição. E nesta temporada, o PSG retomou sua identidade com um elenco mais jovem, “mais humilde” e comprometido.

Um clube que aprendeu com seus erros

O PSG se diferencia da maioria dos “clubes ricos” porque teve coragem de recuar, repensar seu projeto esportivo e reconstruir a equipe com base no coletivo — não apenas no brilho individual.

Aprendendo com erros do passado, especialmente com as temporadas em que apostava apenas em grandes nomes, o PSG agora é um time competitivo e bem treinado. Luis Enrique tem protagonismo total, comandando um grupo equilibrado, com jovens promissores, a experiência de Marquinhos e a segurança de Donnarumma no gol.

Neste sábado, o PSG chega a mais uma final de Champions — e, dessa vez, com grandes chances de realizar o seu maior sonho.

Foto: REUTERS