Ainda pouco conhecido do grande público, Petar Šučić já é tratado dentro da Inter como um dos projetos mais promissores para o futuro. Com apenas 22 anos, vindo da formação do Dinamo Zagreb, uma das melhores academias da Europa, ele carrega consigo as características típicas dos grandes meio-campistas croatas: técnica refinada, inteligência tática avançada e uma maturidade que foge à idade.
Mas o que realmente faz dele um nome capaz de se tornar estrela no clube de Milão nos próximos anos?
Uma trajetória moldada pela escola croata
Para entender o potencial de Šučić, é fundamental reconhecer o ambiente que o formou. A Croácia tornou-se referência mundial na produção de meio-campistas completos, capazes de dominar diferentes fases do jogo. Modrić, Brozović, Kovačić, Rakitić e mais recentemente Majer e Sučić (do RB Salzburg) são exemplos de jogadores que aliam técnica, resistência, leitura de jogo e capacidade de controlar a posse.
Esse padrão não é coincidência. Em Zagreb, Split e Rijeka, a formação juvenil prioriza inteligência tática desde cedo. Os jogadores são incentivados a compreender o jogo em profundidade, aprender diferentes funções e interpretar variados cenários. Petar Šučić cresceu exatamente nesse ambiente, e isso já o coloca um passo à frente de muitos jovens europeus de sua faixa etária.
No Dinamo Zagreb, ficou evidente sua versatilidade: atuou como meia central, interior de chegada, volante construtor e até como meia mais avançado. Esse repertório, lapidado em competições europeias de base e nas seleções sub-17 e sub-19 da Croácia, chamou a atenção da Inter.
As características que tornam Šučić um talento
O grande diferencial de Šučić é sua capacidade de interpretar espaços. Ele se posiciona constantemente para oferecer linhas de passe, antecipa pressões e lê o jogo com calma impressionante para alguém de menos de 25 anos. Não é um jogador que se afoga no ritmo da partida; pelo contrário, tem a capacidade de “aquietar” o jogo quando necessário, algo típico dos meio-campistas croatas.
Essa leitura, quase instintiva, faz dele um atleta perfeito para os sistemas baseados em posse e controle, como o 3-5-2 de Inzaghi.
Além disso, Šučić é elegante com a bola nos pés. Seu passe vertical rompe linhas com naturalidade, suas inversões de jogo são precisas e seu primeiro toque é limpo. Ele não precisa de muitos movimentos para se livrar de um marcador ou girar o corpo em direção ao campo ofensivo. A Inter, que depende de construção limpa desde a base, enxerga nele um futuro organizador.
Para completar, Šučić é polivalente. Ele pode atuar em algumas posições, jogando como mezzala na direita ou esquerda, com chegada à área e apoio à construção. No entanto, é como volante, no papel de iniciador de jogadas, que ele se destaca. Ele também joga como meia ofensivo, mais próximo dos atacantes.
Essa versatilidade é valiosa não só para ganhar minutos nos próximos anos, mas também para se adaptar a eventuais mudanças táticas.
O futuro: minutos graduais, espaço crescente e projeção de titularidade
O plano é claro: integração progressiva, experiências em jogos controlados, crescimento físico e possivelmente um empréstimo dentro da Serie A. A Inter aprendeu a não queimar etapas, vide o caso de Asllani, que amadurece no tempo certo e está emprestado no Torino.
Se Šučić mantiver sua curva de evolução, pode se tornar titular em médio prazo. Seu teto é alto, sua formação é sólida e seu estilo se alinha com o que a Inter busca para os próximos cinco a oito anos.
No final, Petar Šučić não é apenas uma promessa; é um projeto de jogador moldado para brilhar em alto nível. Sua técnica, visão, polivalência e maturidade tática fazem dele uma das joias mais interessantes da nova geração croata. A Inter aposta que ele pode ser mais do que uma alternativa — pode ser o próximo pilar do meio-campo nerazzurro.
Se o desenvolvimento seguir no rumo certo, Šučić tem tudo para se tornar uma estrela da Inter na próxima década.
(Foto: Getty Images)