Ilia Topuria
Lutas UFC

Por que o jogo de Topuria pode ser o maior desafio que Charles Oliveira já enfrentou?

O octógono do UFC 317 será palco de um dos confrontos mais aguardados do ano: o invicto Ilia Topuria enfrenta o brasileiro Charles “do Bronx” Oliveira pelo cinturão vago dos pesos-leves. Com trajetórias contrastantes, estilos opostos e objetivos distintos, os dois se encontram em um momento crucial de suas carreiras. Mas, se há algo claro antes do combate, é que o caminho de Charles será dos mais difíceis.

Topuria chega embalado por uma sequência impressionante de vitórias, incluindo nocautes brutais contra nomes como Max Holloway e o ex-campeão dos penas Alexander Volkanovski. Charles, por outro lado, tenta se reencontrar após alternar grandes vitórias com derrotas duras, como para Islam Makhachev e Arman Tsarukyan. Apesar de sua vasta experiência no UFC e recorde de finalizações, o brasileiro terá de lidar com um adversário que, no momento, parece ser o pior encaixe possível para seu estilo.

O momento de Ilia Topuria: confiante, invicto e com sede de domínio

Aos 27 anos, Ilia Topuria está invicto no MMA com um cartel de 16-0, sendo 13 dessas vitórias por via rápida (10 nocautes e 3 finalizações). O espanhol-georgiano é conhecido por sua agressividade, poder de nocaute e uma precisão cirúrgica no striking. No seu último combate, nocauteou Volkanovski em apenas dois rounds, resultado que o alçou ao topo da divisão dos penas.

Agora subindo para os leves, Topuria não esconde sua ambição: quer se tornar campeão em duas divisões. E o UFC, sempre atento ao marketing de novos rostos dominantes, vê nele o potencial para um novo rosto global da organização. Carismático, polêmico e extremamente confiante, ele vem usando a mídia para provocar e minar emocionalmente seus rivais, algo que ele já tenta fazer com Charles.

Em entrevistas recentes, Topuria garantiu que irá “apagar” Oliveira no primeiro round. Embora seja comum esse tipo de declaração pré-luta, o retrospecto recente do espanhol dá peso às palavras.

Charles Oliveira: o maior finalizador da história do UFC em busca de redenção

Do outro lado, Charles “do Bronx” Oliveira representa a resiliência. Com 34 vitórias no cartel, 21 delas por finalização, ele detém o recorde de mais finalizações na história do UFC. Ex-campeão dos leves, Charles superou momentos difíceis na carreira e conquistou o cinturão em 2021, após anos sendo visto apenas como um “lutador promissor que não se firmava”.

Porém, nas últimas apresentações, sua inconsistência voltou a ser pauta. Após perder o cinturão para Makhachev em 2022, venceu Dariush com uma atuação dominante, mas se lesionou antes da revanche marcada com o russo, e desde então tenta recuperar o protagonismo.

Quando retornou de lesão, foi derrotado por Arman Tsarukyan antes de voltar a vencer contra Michael Chandler, ganhando uma chance de título contra Topuria.

Por que o jogo não favorece Charles?

Topuria é um striker de elite, com mãos rápidas, contundência e inteligência de movimentação. Ele pressiona o tempo todo, muda ângulos e mantém os adversários sob constante ameaça. Contra Charles, que costuma sofrer em trocas francas e tem histórico de absorver golpes demais, esse cenário pode ser crítico.

O brasileiro não é um lutador defensivo por natureza. Sua principal força é a ofensividade: joga para frente, pressiona e confia no próprio jiu-jitsu para se recuperar mesmo após knockdowns. Isso funcionou contra nomes como Justin Gaethje e Michael Chandler, mas pode ser uma armadilha contra um adversário preciso como Topuria, que não costuma desperdiçar oportunidades.

Além disso, Oliveira tem um padrão conhecido: avança, chuta, encurta a distância e procura o clinch ou queda. O problema é que Topuria tem se mostrado eficaz em travar esse tipo de aproximação e contra-atacar com potência. Se Charles não diversificar sua abordagem, pode ser vítima de sua própria previsibilidade.

Existe um caminho para a vitória de Charles?

Sim, mas ele é estreito. Charles precisará atuar com inteligência tática, usando mais volume que potência e não entrando na linha de fogo tão cedo. A chave pode estar em desgastar Topuria com movimentação lateral, jabs e low kicks, antes de tentar encurtar e levar a luta ao solo.

Uma possível vantagem para o brasileiro está na duração da luta. Se conseguir sobreviver à tempestade dos dois primeiros rounds, onde Topuria é mais letal, Charles pode explorar o gás e a experiência superior em lutas longas. Seu jogo de solo ainda é um dos melhores do mundo, e uma queda bem-sucedida pode mudar a dinâmica da luta.

Mas o brasileiro precisa ser quase perfeito. Um erro de distância, uma entrada mal feita ou uma guarda baixa podem custar caro.

Topuria entra como favorito e por bons motivos: vive o auge da forma, é jovem, invicto e apresenta um estilo que tem se mostrado mortal contra adversários agressivos. Charles, por outro lado, tem a experiência, o coração e o jiu-jitsu necessário para surpreender. Mas precisa reinventar seu plano de luta e evitar os erros que o acompanharam em combates recentes.

Será um duelo de pressão contra paciência, explosão contra técnica, invencibilidade contra resiliência. Se Charles quiser reconquistar o cinturão, terá de entregar uma das melhores performances de sua carreira. E contra um Topuria em fase devastadora, isso está longe de ser simples.

(Foto: Chris Unger/Zuffa LLC)