Premier League Arteta Amorim
Futebol Premier League

Premier League: um raio-x entre Arteta e Amorim nos primeiros 50 jogos dos treinadores; Confira

Nesta edição da Premier League, o co-proprietário dos Red Devils, Jim Ratcliffe, mencionou o início “miserável” de Mikel Arteta como técnico do Arsenal como motivo para sustentar paciência com Rúben Amorim, que atualmente está sob críticas no Manchester United. Mas como se comparam os primeiros 50 jogos de ambos no comando? O treinador espanhol justificou a fé do clube ao transformar os Gunners em candidato constante ao título. Mas o português conseguirá colocar o United no mesmo caminho de sucesso a longo prazo? E o que mostram seus registros até aqui nesta temporada.

Embora o Arsenal tenha estado muito abaixo do seu padrão atual nos primeiros 50 jogos de Arteta (entre dezembro de 2019 e abril de 2021), seu desempenho foi bastante superior ao do Manchester United sob Amorim. Arteta venceu 27 dos primeiros 50 jogos, contra 19 de Amorim, o que dá uma taxa de vitórias de cerca de 54% contra aproximadamente 38% do técnico português. O espanhol perdeu 13 partidas, Amorim 19; empates foram 12 para Arteta e 10 para Amorim, com o português vindo do Sporting nos anos anteriores.

As colunas de gols marcados são quase idênticas: o Arsenal de Mikel Arteta marcou 79 gols nos seus primeiros 50 jogos, o Manchester United de Rúben Amorim 78. Mas há uma diferença substancial nos gols sofridos: o time de Amorim levou quase 60% a mais que o Arsenal, com 76 gols contra um número muito menor dos Gunners. O time londrino mantiveve 18 partidas sem sofrer gols nos primeiros 50 de Arteta, demonstrando uma solidez defensiva superior; os Red Devils sob Amorim só conseguiram 8 jogos sem sofrer gol. Além disso, o United sofreu três ou mais gols em nove ocasiões, algo que só aconteceu três vezes nos 50 primeiros jogos de Arteta com o Arsenal.

Foto: Getty Images

Arteta x Amorim: Posições e troféus na Premier League

No Arsenal, Mikel Arteta herdou um time na décima posição na Premier League ao assumir em dezembro de 2019. O Manchester United estava ainda pior: 14º, quando Amorim foi contratado para substituir Erik Ten Hag, demitido pelos maus resultados. Arteta promoveu uma melhora relativa: ao fim de sua primeira temporada completa, o Arsenal terminou em oitavo lugar, embora esse tenha sido o pior resultado do clube desde a temporada 1992/93, quando ficaram em 10º.

Já o Manchester United terminou ainda abaixo da posição em que Amorim os encontrou na sua primeira temporada: terminou em 15º, um recorde histórico baixo para o clube, com 42 pontos, contra 56 do Arsenal sob Arteta na temporada equivalente.

Ambos os treinadores chegaram à final de uma Copa em suas primeiras temporadas. Arteta levou o Arsenal à vitória na Copa da Inglaterra, derrotando o Chelsea na final, após superar o Manchester City nas semifinais. Amorim encontrou decepção: na Europa League, o United foi eliminado pelo Tottenham.

Por fim, Arteta não conseguiu ultrapassar o oitavo lugar do Arsenal em sua primeira temporada completa, terminando novamente nessa posição. No momento do 50º jogo de Arteta, o time estava na nona colocação (após derrota por 3 a 0 para o Liverpool, no Emirates, em abril de 2021), apenas uma posição acima do United na meia centena de jogos de Amorim.

Formações utilizadas

Arteta mostrou pragmatismo: venceu a Copa da Inglaterra no comando do Arsenal em 2019/20, abandonando temporariamente seu 4-2-3-1 favorito, que depois evoluiu para um 4-3-3, além de usar esquemas com três defensores, mudança pensada para aproveitar melhor o elenco que tinha naquele momento. Amorim, por sua vez, adotou uma abordagem mais rígida no United, mantendo quase sempre o 3-4-2-1, apesar de pressões externas para mudança de sistema. A única variação significativa foi o 3-4-3, utilizado cerca de cinco vezes.

Em relação aos jogadores: no Arsenal de Arteta, só Bukayo Saka permanece do time que iniciou contra o Bournemouth no Boxing Day de 2019, Saka foi utilizado como lateral-esquerdo naquela partida. No United de Amorim, também houve rotatividade, no primeiro jogo do português (empate 1-1 com o Ipswich), cinco titulares daquela partida saíram ou por empréstimo ou definitivamente: Onana, Evans, Eriksen, Garnacho e Rashford.

A mudança de elenco foi gradual para Arteta: entre seus primeiros 50 jogos ele foi incorporando Gabriel Magalhães, Martin Odegaard e Thomas Partey. Amorim, ao completar seus 50 jogos, marcou uma vitória importante sobre o Sunderland por 2 a 0, escalando uma equipe titular que incluía três novas contratações.

Finanças: Transferências

Os gastos do Arsenal aumentaram bastante nos últimos anos, chegando a recordes recentes, mas nos primeiros 50 jogos de Arteta, o clube teve de se apoiar mais em empréstimos e transferências gratuitas; o gasto total foi cerca de 81,5 milhões de libras em duas janelas. Os jogadores de maior valor foram Partey e Gabriel.

O Manchester United trouxe menos jogadores nesse período inicial sob Amorim, mas gastou muito mais em taxas de transferência: 232,4 milhões de euros no total, com contratações como Benjamin Šeško, Bryan Mbeumo, Matheus Cunha, Senne Lemmens, Diego Leon e Ayden Heaven.

Nas vendas, o Arsenal só recuperou uma taxa considerável, o goleiro Emiliano Martínez foi vendido ao Aston Villa por 17 milhões de libras. Já o United conseguiu recuperar 61,7 milhões de libras com as vendas, incluindo Garnacho e Antony.

Foto: Getty Images

Arteta x Amorim: dois caminhos diferentes, mas com a mesma meta — revitalizar Arsenal e Manchester United

Os técnicos Mikel Arteta e Rúben Amorim representam duas vertentes da revolução de ideias na Premier League. Um, já consolidado, próximo de restituir o Arsenal como campeão inglês. O outro, ainda sob desconfiança, tentando reerguer um Manchester United que há muito vive à sombra do seu passado.

Apesar dos contrastes nos resultados e nos estágios de desenvolvimento, ambos compartilham missão: devolver identidade e competitividade a gigantes tradicionais do futebol inglês.

Arteta e o Arsenal da maturidade

Cinco anos após assumir, Mikel Arteta consolidou um projeto que combina juventude, disciplina tática e intensidade. Ele transformou o Arsenal num time de identidade clara: posse de bola ofensiva, pressão alta, ocupação racional de espaços.

A paciência da diretoria e o investimento gradual em jogadores como Declan Rice, Odegaard e Saka têm dado frutos. O Arsenal voltou a lutar pelo título nas últimas temporadas, firmando-se como principal desafiante do Manchester City. Mais do que resultados, Arteta reconstruiu cultura de exigência no clube, algo que faltava desde os tempos finais de Wenger.

Ele também melhorou sua gestão de elenco: rotação bem controlada, aproveitamento de jovens talentos, e um treinador que aprendeu com derrotas, especialmente nas disputas pelo título, tornando-se mais maduro, menos refém de estética ou resultados imediatos.

Amorim e o desafio da reconstrução no United

No Manchester United, Rúben Amorim enfrenta ambiente diferente: contratado pela nova gestão liderada por Jim Ratcliffe, ele pegou um elenco fragmentado, um vestiário pouco estável, marcado por crises de confiança.

Em poucos meses de trabalho, busca implantar sua filosofia: linhas compactas, transições rápidas, herança de seu sucesso no Sporting. Mas a adaptação à Premier League está sendo dura. O United alterna momentos de bom desempenho ofensivo com falhas defensivas recorrentes, mostrando que o time ainda busca equilíbrio.

Os números reforçam essa diferença de estágio: menos vitórias, mais derrotas, deficiências defensivas maiores, comparado ao que Arteta tinha nos seus primeiros 50 jogos. Amorim, porém, conta com respaldo da diretoria que o vê como peça central de um projeto de longo prazo.

A estratégia inclui rejuvenescimento do elenco, nomeações como Sesko, Matheus Cunha e um modelo de jogo baseado em intensidade, algo que ele pretende solidificar até o fim da temporada.

Dois caminhos, uma ambição

Enquanto Arteta já colhe frutos da consistência, Amorim tenta plantar as bases do Manchester United ideal. O espanhol persegue o título que coroaria seu ciclo; o português busca estabilidade que permita iniciar o seu.

Ambos entendem que o sucesso na Premier League não vem só de táticas modernas, mas de convicção, paciência e estrutura. Se Arteta é prova de que o tempo pode transformar um projeto, Amorim encara o desafio de fazer o United voltar a acreditar num processo. Dois estilos, duas fases, mas o mesmo objetivo: reposicionar Arsenal e Manchester United entre os protagonistas reais do futebol inglês.

(Foto: Getty Images)