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Premier League: os segredos por trás do Sunderland, a maior surpresa da temporada

Antes de encarar o Everton nesta segunda-feira (3), pelo encerramento da décima rodada da Premier League, o Sunderland chega ao confronto em posição de destaque na tabela, determinado a garantir vaga nas competições europeias da próxima temporada. Após investir cerca de 155 milhões de libras durante o verão em 14 novas contratações, o elenco reformulado começou a campanha de forma promissora. O repórter Keith Downie, da Sky Sports News, na região nordeste da Inglaterra, analisou os fatores que explicam o surpreendente sucesso dos Black Cats sob o comando do técnico Régis Le Bris.

O Sunderland conta hoje com uma estrutura de gestão singular. Kristjaan Speakman atua como diretor esportivo, mas nesta janela recebeu o reforço do francês Florian Ghisolfi, nomeado diretor de futebol. Juntos, ambos trabalham não apenas para conduzir o clube de volta à Premier League, mas também para consolidar essa nova fase. Desde que chegou, Ghisolfi assumiu papel central na reconstrução do projeto esportivo, conduzindo o Sunderland do ostracismo na League One à sonhada estabilidade na elite do futebol inglês.

Durante seu retorno a Premier League, Florian Ghisolfi foi peça-chave na reestruturação completa da área de futebol do clube. Assim como outros times do campeonato, o Sunderland dispõe de redes de observação locais, nacionais e internacionais, mas aposta fortemente em dados e análises. O proprietário Kyril Louis-Dreyfus e o técnico Le Bris também foram essenciais no esforço coletivo que marcou a última janela. No clube, prevalece a filosofia de “fazer o que é certo, e não quem está certo”.

Dessa forma, os 14 reforços do Sunderland chegaram no verão para fortalecer o elenco na Premier League. O planejamento, contudo, começou meses antes — nada foi feito de forma reativa. Na temporada anterior, Speakman e sua equipe elaboraram dois planos paralelos: um para permanecer no Championship e outro para uma eventual promoção. Após o triunfo em Wembley, ficou evidente a necessidade de investir pesado no elenco principal. O resultado superou as expectativas.

O montante gasto de 155 milhões de libras, sem contar bônus, reflete essa ambição. O primeiro nome anunciado foi Enzo Le Fée, cuja transferência permanente foi automaticamente ativada assim que o Sunderland garantiu o acesso, graças a uma cláusula em seu empréstimo com a Roma. O meio-campista francês custou 17 milhões de libras, estabelecendo o novo recorde de contratação do clube, e foi apontado internamente como peça vital na ascensão à Premier League.

O dirigente Florent Ghisolfi, vindo também da Roma, desempenhou papel crucial nas negociações no Sunderland. Oficialmente, começou em julho, mas já vinha operando nos bastidores. Algumas contratações, como Habib Diarra (27 milhões de libras, do Strasbourg) e Noah Sadiki (14 milhões de libras, do Union Saint-Gilloise), já estavam encaminhadas antes de sua chegada, mas a experiência e o prestígio de Ghisolfi abriram portas para nomes como Granit Xhaka, Omar Alderete e Nordi Mukiele.

Até mesm, o atacante Brian Brobbey, contratado pelo Sunderland no último dia da janela de transferências, vinha conversando com o clube havia semanas. Inicialmente decidido a permanecer no Ajax, o atacante mudou de ideia ao conhecer o projeto em andamento em Wearside e o nível dos novos reforços. A estratégia dos Black Cats foi clara: apostar em jogadores experientes e fisicamente imponentes, com Xhaka assumindo papel de liderança imediata e servindo de exemplo dentro e fora de campo.

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A trajetória de Ghisolfi e seu impacto no Sunderland

Florian Ghisolfi ganhou destaque ao comandar o departamento técnico do Lens, levando o time ao acesso à Ligue 1 e consolidando sua permanência na elite francesa. Depois disso, passou pelo OGC Nice e pela Roma, onde fortaleceu sua reputação como especialista em recrutamento e gestão de elenco. Sua rede de contatos e parcerias estratégicas na Europa chamou a atenção do Sunderland, que viu nele o perfil ideal para conduzir o novo projeto.

As 14 contratações feitas sob sua gestão têm sido amplamente elogiadas — algo raro numa Premier League tão exigente, em que a adaptação costuma ser lenta. O estilo incansável de Ghisolfi se encaixou perfeitamente nos valores de trabalho e dedicação que definem os Black Cats.

Durante uma entrevista recente, o francês revelou que praticamente vive entre o centro de treinamento e o estádio desde o início da janela de verão. Ele respira futebol, e esse comprometimento reflete a filosofia do clube, que retorna à elite após oito anos de ausência.

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Como o Sunderland conseguiu investir tanto?

O Sunderland vinha se preparando financeiramente há algum tempo, o que torna sua promoção ainda mais notável. Nas últimas janelas, o clube vendeu jogadores como Ross Stewart e Jack Clarke por cerca de 30 milhões de libras, mantendo a política de contratar jovens talentos, desenvolvê-los e vendê-los com lucro. O modelo vinha funcionando perfeitamente.

Na temporada passada, mesmo com uma folha salarial abaixo da média do Championship, o desempenho foi impressionante. Após o acesso, o clube ainda negociou Jobe Bellingham e Tom Watson com Borussia Dortmund e Brighton, respectivamente, arrecadando mais 40 milhões de libras. Somando-se às vendas anteriores, o total de 70 milhões de libras financiou quase metade dos investimentos recentes.

Apesar da saída de Bellingham ter frustrado parte da torcida, suas funções foram cobertas com qualidade por Xhaka, Diarra e Sadiki. O suíço, embora em reta final de carreira, foi contratado por um preço competitivo — 13 milhões de libras, podendo chegar a 17 — e trouxe liderança imediata, enquanto os jovens reforços mostraram potencial de evolução.

Essa combinação de boas vendas e aquisições inteligentes foi essencial num cenário de rígidas regras financeiras. A estratégia, vista internamente como uma “decisão transformadora”, envolveu toda a cúpula do clube. O proprietário Louis-Dreyfus foi decisivo ao convencer Xhaka a se juntar ao projeto, chegando a buscá-lo pessoalmente em seu jato particular.

O meio-campista, bicampeão da FA Cup pelo Arsenal, ainda alimentava o desejo de uma nova oportunidade na Premier League e recusou ofertas mais vantajosas do futebol saudita para jogar em Wearside. No Sunderland, tornou-se líder incontestável. Durante a pré-temporada em Portugal, ficou claro que o elenco precisava de uma figura de comando — papel que Xhaka assumiu com autoridade. Os próprios companheiros admitem “ter receio de errar um passe” na sua presença.

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As novas ambições do Sunderland

O técnico Régis Le Bris insiste que o objetivo do clube é alcançar os 40 pontos que tradicionalmente garantem a permanência na Premier League. Ainda assim, uma vitória sobre o Everton deixaria o Sunderland a meio caminho dessa meta em apenas 10 jogos — um feito notável.

Mesmo que publicamente o discurso seja de cautela, internamente já se fala em voos mais altos. A equipe desenvolveu rapidamente uma forte coesão, unindo talento e trabalho coletivo. Cada reforço tem contribuído de forma significativa, e a forma como todos se adaptaram impressiona até os mais céticos.

Embora ainda haja muito campeonato pela frente, quem viu o Sunderland em ação no Stadium of Light dificilmente aposta contra o clube em seus domínios. O início invicto em casa reforça a confiança da torcida.

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Os planos do Sunderland para a janela de janeiro

O Sunderland pretende atuar novamente no mercado de janeiro, mas de maneira seletiva — apenas se surgir uma oportunidade capaz de agregar valor real ao elenco. A diretoria sabe que o setor ofensivo, especialmente as pontas, pode exigir reforços para oferecer mais variações táticas.

Outro desafio será a Copa Africana de Nações, entre dezembro e janeiro, que deve afastar até sete jogadores temporariamente. Isso pode influenciar diretamente as movimentações da próxima janela, forçando o clube a buscar soluções de curto prazo.

De qualquer forma, após um verão eletrizante de contratações, os torcedores dos Black Cats aguardam com expectativa tanto a janela de inverno quanto o próximo compromisso em campo.

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