Erik ten Hag chegou ao Bayer Leverkusen com a missão de substituir ninguém menos que Xabi Alonso, o homem que levou o clube a uma temporada histórica em 2023/24, conquistando a Bundesliga e a Copa da Alemanha sem perder um jogo sequer. Era uma herança pesada, mas também uma oportunidade de ouro para o holandês tentar reconstruir sua imagem, que ficou bastante abalada após a demissão no Manchester United em outubro de 2024.
Só que o início dele na Alemanha não podia ser pior. Logo no primeiro amistoso no comando do Leverkusen, seu time foi atropelado por 5 a 0 pelos garotos do Flamengo sub-20, um resultado que deixou torcedores e a imprensa alemã com a pulga atrás da orelha. No futebol de verdade, aquele que vale pontos, também não foi muito diferente. O Bayer até passou fácil pelo Grossaspach, da quarta divisão, na Copa da Alemanha, mas no campeonato nacional a coisa não engrenou.
Depois de duas rodadas da Bundesliga, o Leverkusen segue sem vencer. Perdeu na estreia para o Hoffenheim, depois de sair na frente, e na rodada seguinte deixou escapar uma vitória que parecia garantida contra o Werder Bremen. Isso, claro, já fez crescer uma pressão enorme sobre Ten Hag, mesmo estando no cargo há pouquíssimo tempo.
O jogo que acendeu o alerta vermelho
O duelo contra o Bremen escancarou os problemas do time. O adversário vinha cheio de problemas: elenco remendado, vários jogadores machucados e um futebol bem abaixo do esperado. Mesmo assim, o Bayer conseguiu complicar. Ten Hag viu sua equipe abrir 2 a 1 no primeiro tempo e ampliar para 3 a 1 já na segunda etapa, em um pênalti convertido logo depois da expulsão de Niklas Stark. Era o cenário perfeito para liquidar a partida e conquistar a primeira vitória no campeonato.
Só que o roteiro virou pesadelo. O time relaxou demais, caiu de produção e, para desespero do torcedor, tomou dois gols nos minutos finais, incluindo o empate aos 94 minutos. A sensação no estádio era de incredulidade: como um time que tinha tudo a favor consegue se complicar a ponto de deixar escapar três pontos dessa maneira?
Esse tropeço fez explodir a desconfiança sobre o trabalho do treinador. Se antes já havia especulação de que a diretoria não estava 100% convencida com o estilo dele, agora o clima azedou de vez. Afinal, um tropeço isolado poderia ser engolido, mas duas rodadas seguidas com falhas gritantes deixam a impressão de que os problemas vão além do acaso.
Desgaste com a diretoria
Para piorar, começaram a pipocar notícias de que Ten Hag já não está em sintonia com os chefes do clube. Uma das reclamações é que ele teria ficado de fora das conversas sobre a contratação de Lucas Vázquez, ex-Real Madrid, e isso não pegou nada bem. Os dirigentes alemães gostam de técnicos participativos, que se envolvem em todo o processo de planejamento do elenco, mas também prezam pela hierarquia. E o fato de Ten Hag reclamar dos bastidores mostra que a relação não está das melhores.
Revistas como a Kicker já descreveram a situação como “crítica” mesmo antes do jogo contra o Bremen. Com o empate sofrido no apagar das luzes, a pressão só aumentou. Há quem diga que, se os próximos resultados não vierem, a paciência da diretoria pode se esgotar rapidamente, por mais que demitir um técnico tão cedo na temporada não seja o estilo do Leverkusen.
O problema é que o próprio Ten Hag também não ajuda muito na comunicação. Nas entrevistas, ele parece pouco confiante e até repetitivo. Voltou a usar a velha frase de que “não é o Harry Potter”, a mesma que soltava em Manchester quando o time estava mal. Só que, na Alemanha, a cobrança é direta: os torcedores querem soluções, não comparações engraçadinhas.
Elenco em transição e reputação abalada
É verdade que Ten Hag também enfrenta um cenário complicado. O elenco que brilhou na temporada passada sofreu mudanças pesadas. Alguns jogadores importantes saíram e outros ainda podem ir embora, como Piero Hincapié e talvez até Edmond Tapsoba, que têm mercado na Europa. Montar uma equipe competitiva no meio de tantas mudanças nunca é fácil, e isso precisa ser levado em conta.
Ainda assim, a paciência não é infinita. A torcida do Bayer se acostumou a ver um time sólido, ofensivo e com identidade sob o comando de Alonso. Agora, vê um time instável, que abre vantagem e depois se perde dentro de campo. Esse contraste, claro, joga toda a responsabilidade nos ombros do novo treinador.
E tem mais: Ten Hag não chega exatamente com moral intacta. Sua passagem pelo Manchester United foi muito criticada, marcada por resultados ruins, polêmicas com jogadores e um clima de desconfiança que terminou na demissão. Por isso, cada tropeço no Leverkusen só reforça a narrativa de que ele talvez não esteja pronto para assumir um time de ponta na Europa novamente.
Futuro de Ten Hag em risco
A situação não é desesperadora ainda, afinal, a temporada está só começando. Mas o ambiente já dá sinais de turbulência, e qualquer tropeço nos próximos jogos pode colocar Ten Hag em uma posição insustentável. Se a diretoria entender que o time está regredindo e que o trabalho não apresenta evolução, uma mudança rápida não estaria descartada.
Por outro lado, ainda há espaço para recuperação. O Bayer tem elenco para brigar na parte de cima da tabela, e se Ten Hag conseguir ajustar a defesa e dar mais consistência nos momentos decisivos, pode reconquistar parte da confiança perdida. O desafio é enorme, mas também é a chance de mostrar que pode dar a volta por cima após a queda no Manchester.
De qualquer forma, a pressão já é realidade. Para um técnico que chegou querendo escrever uma nova história, Ten Hag precisa urgentemente de resultados que façam barulho — de preferência vitórias convincentes. Caso contrário, sua passagem pelo Bayer Leverkusen pode virar mais um capítulo frustrante na carreira de um treinador que, por enquanto, parece não encontrar o rumo certo.