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Prévia Playmaker Brasil – UFC Abu Dhabi: Whittaker x de Ridder

O UFC retorna ao Oriente Médio com um card que promete movimentar a divisão dos médios e abrir novas possibilidades para nomes brasileiros em ascensão. O UFC Abu Dhabi: Whittaker x de Ridder, marcado para 26 de julho de 2025, terá como atração principal o confronto entre o ex-campeão Robert Whittaker e o invicto Reinier de Ridder, duelo que pode definir o próximo desafiante ao cinturão dos 84 kg.

No card preliminar, quatro brasileiros entram em ação com oportunidades de ouro para subir no ranking ou se consolidar dentro da organização.

Robert Whittaker x Reinier de Ridder

O main event do UFC Abu Dhabi coloca frente a frente dois lutadores que representam extremos técnicos e momentos distintos na carreira. Robert Whittaker, ex-campeão dos médios, retorna ao octógono após uma dura derrota para Khamzat Chimaev, em que foi finalizado e precisou de cirurgia dentária após perder dois dentes. Apesar do revés, o australiano continua sendo um dos nomes mais respeitados da divisão, com histórico de vitórias sobre Yoel Romero, Derek Brunson, Marvin Vettori e Jared Cannonier.

Do outro lado, Reinier de Ridder, holandês de 34 anos, chegou ao UFC após dominar o circuito asiático como campeão duplo do ONE Championship. Com um estilo altamente voltado para o jiu-jítsu e controle posicional, de Ridder venceu três lutas seguidas na organização, incluindo finalizações sobre Kevin Holland e um nocaute sobre Bo Nickal, consolidando seu status como ameaça real ao topo da divisão.

A luta se desenha como um clássico confronto de estilos: Whittaker com sua movimentação lateral, combinações rápidas de boxe e forte defesa de quedas, contra o grappling sufocante de de Ridder, que sempre busca encurtar e levar ao solo o mais rápido possível. A grande questão será se Whittaker conseguirá manter a luta em pé e aplicar seu ritmo característico — ou se de Ridder será capaz de travar o duelo na grade e impor seu jogo no solo.

Com a divisão dos médios ainda indefinida após lesões e mudanças no topo, este confronto pode ser decisivo para colocar um dos dois diretamente em uma futura disputa de cinturão, especialmente se o vencedor apresentar uma performance dominante.

Petr Yan x Marcus McGhee

Petr Yan, ex-campeão dos galos e atualmente número 3 do ranking, retorna após duas vitórias por decisão contra Deiveson Figueiredo e Song Yadong. A sequência de triunfos resgatou seu prestígio, após um período conturbado com derrotas para Aljamain Sterling, Sean O’Malley e Merab Dvalishvili. Yan tem vasto histórico dentro do UFC e uma habilidade técnica refinada, especialmente no boxe. Sua defesa de quedas ronda 85% e sua precisão de golpes significativos excede 54%.

Marcus McGhee, o “Maniac”, soma quatro vitórias seguidas no UFC, três delas por nocaute ou finalização: um perfil explosivo que chama atenção. Aos 35 anos, McGhee entra como azarão, mas com o momento a seu favor pelas boas performances.

Yan tenta ditar o ritmo com golpes elevados, precisão e movimentação lateral. A estratégia recomendada para ele é evitar o início frenético de McGhee, usar jabs e chutes para manter a distância e, se possível, misturar quedas estilo Machida para elevar o nível tático — assim pode ganhar por decisão, especialmente em um co-main de três rounds, onde ele tem um gás melhor e está mais acostumado com lutas longas.

McGhee deve buscar pressão constante, apostar no volume e tentar nocautear dentro dos dois primeiros rounds, onde suas chances de finalização crescem. Sua defesa de quedas é perfeita, e tende a tentar aplicar volume de golpes em Yan, para encaixar uma sequência devastadora

Outras lutas do card principal do UFC Abu Dhabi

No card principal, um nome desperta atenção: Sharabutdin “Shara Bullet” Magomedov, meio-médio russo que retorna ao octógono após perder pela primeira vez para Michael Page em fevereiro deste ano. Magomedov, invicto em 15 lutas, ficou famoso pelo nocaute com duplo spinning backfist no UFC 308, que lhe rendeu o bônus de Performance of the Night.

Ele luta com apenas um olho após lesão grave e oito cirurgias, mas utiliza isso como narrativa de superação, citando Michael Bisping como fonte de inspiração. Seu estilo é explosivo, imprevisível, com chutes poderosos e elementos de Muay Thai adaptados ao MMA.

No UFC Abu Dhabi, Magomedov enfrenta Marc-André Barriault. Seu retorno merece atenção: se reencontrar confiança e ritmo, pode voltar a causar rupturas na categoria. Seu histórico sugere que o sobrenome “Bullet” segue carregado de perigo e imprevisibilidade.

Outro lutador a observar é Asu Almabayev, do peso-mosca. O cazaque acumula vitórias por decisão ou finalização, venceu nomes como Matheus Nicolau e José Johnson, e foi eleito Performance of the Night em sua estreia por finalização por mata-leão, mas vem de derrota para Manel Kape.

Apesar de ter sido criticado por enfrentar adversários fracos, Almabayev demonstra grappling de alta qualidade, alcance físico e presença de finalização. Ele entrou no ranking entre os cinco melhores depois de uma ascensão meteórica. Agora, enfrenta o peruano Jose Ochoa, que faz apenas a sua terceira luta no UFC, com uma vitória e uma derrota.

Brasileiros no card preliminar

O UFC Abu Dhabi também oferece uma vitrine valiosa para atletas brasileiros que buscam crescer dentro da organização. O card preliminar contará com quatro representantes nacionais: Carlos Leal, Amanda Ribas, Tabatha Ricci e o estreante no UFC, mas multicampeão do jiu-jítsu, Marcus “Buchecha” Almeida.

Carlos Leal enfrenta uma pedreira na figura de Muslim Salikhov, o veterano conhecido como “Rei do Kung Fu”, com estilo imprevisível, chutes plásticos e experiência internacional. Leal, ex-PFL, entra com moral após uma vitória contundente em sua última luta, e promete agressividade em pé e aposta em seu muay thai afiado para frear a criatividade do russo. O confronto deve acontecer inteiramente em pé e promete ser um dos mais empolgantes da noite, com trocação franca desde o início.

O duelo entre Amanda Ribas e Tabatha Ricci coloca frente a frente duas brasileiras com passagens pelo ranking do peso-palha. Ribas, mais experiente, tem um estilo versátil e agressivo, misturando bem o jiu-jítsu com o boxe. Ricci, por sua vez, tem evoluído, especialmente em sua movimentação e controle de distância. A luta pode ser definida nos detalhes: quem conseguir impor o ritmo e manter o domínio no clinch e no solo deve sair vencedora. Além disso, uma vitória pode colocar a vencedora no radar da categoria.

A luta de estreia de Marcus “Buchecha” Almeida no UFC é uma das mais esperadas entre os fãs de grappling. Considerado um dos maiores nomes da história do jiu-jítsu competitivo, Buchecha já vinha lutando no ONE Championship com sucesso e agora tenta fazer sua transição definitiva para o topo do MMA. Seu adversário será o eslovaco Martin Buday, um peso-pesado com poder de nocaute e jogo físico. Se Buchecha conseguir derrubar, deve dominar com facilidade no solo. Mas caso fique em pé por muito tempo, o risco de sofrer um nocaute é real.

(Foto: Divulgação/UFC)