Roland Garros Sinner
Tenis Grand Slams Roland Garros

Protestos em Roland Garros deixam alerta para próximos Grand Slams?

Roland Garros não aumentou a porcentagem da premiação aos tenistas e grandes estrelas do tênis decidiram protestar em Paris. Um boicote já havia sido discutido e agora está confirmado que alguns atletas irão fazer coletivas de apenas 15 minutos após os jogos. A ideia é lembrar que os Grand Slams destinam apenas cerca de 15% das receitas à premiação.

Além disso, aqueles que aderirem ao protesto também irão recusar entrevistas exclusivas aos detentores dos direitos de transmissão. Nesta sexta-feira (22), alguns top 10 do ranking da ATP e WTA já falaram sobre o assunto. E os próximos Slams já podem ficar de alerta sobre o assunto.

Roland Garros não é o único alvo

Apesar de estar acontecendo em Roland Garros, o alvo são os quatro Grand Slams. A porcentagem paga de premiação é de 14,9%. Se for comparar com algumas grandes ligas dos Estados Unidos, por exemplo, o valor é ínfimo. A NBA repassa 51%, NHL e MLB estão na marca de 50% e NFL é a mais baixa, em 48,5%.

O pedido dos tenistas sequer é pela divisão total das receitas nos majors. Por enquanto, estão pedindo para sair de cerca de 15% para somente 22%, o que ainda é pouco. No entanto, já registraria uma alta na premiação, principalmente para os atletas de ranking mais baixo. Nesta sexta, Jannik Sinner foi perguntado se o protesto pode se estender e deixou em aberto:

“Isso precisamos ver, sabe? Envolve todos os jogadores e todos os jogadores estão muito conectados. Estamos todos muito juntos e acho que é algo bom, porque sem nós os eventos não são possíveis de jogar. Como eu também disse em Roma, é sobre respeito.” O italiano também mencionou a questão da aposentadoria dos jogadores:

“Ao mesmo tempo, não estamos falando apenas sobre premiação. Também estamos falando sobre aposentadoria, que é um tema muito importante, porque depois que você é jogador de tênis, esperamos receber algum dinheiro de aposentadoria.” Por fim, Sinner cobrou mais participação na tomada de decisões:

“Além da tomada de decisões, porque quem decide se eles começam agora… 3 grand slams de 4, começamos no domingo, mas não sabemos se eles querem começar no sábado ou na sexta. Gostaríamos de ter também uma pequena conversa sobre isso. Vamos ver para onde vamos e vamos ver como os outros Grand Slams vão reagir depois daqui e então vamos decidir.”

Todos esses fatores são aplicados a todos os Grand Slams. O próximo é Wimbledon e, caso siga a mesma situação de Roland Garros, o terreno já parece estar sendo preparado para protestos em Londres também.

Protesto em Roland Garros não é sobre o top 10

Em 2025, a receita de Roland Garros foi de 395 milhões de euros, o que representou um aumento de 14% sobre o ano anterior. Contudo, a premiação aumentou em apenas 5,4%. Para 2026, a imprensa internacional estima mais de 400 milhões de receita e a premiação ficará abaixo de 15% sobre esse valor.

Sabemos muito bem que os melhores tenistas do mundo recebem ótimos valores. Não só pelas premiações, mas também com patrocínios ou outros contratos firmados. Aryna Sabalenka fez questão de reforçar que é sobre melhorar as condições para os outros tenistas, de ranking muito mais baixo:

“Sinto que o ponto principal aqui não é sobre mim. É sobre os jogadores que estão mais abaixo no ranking, que estão sofrendo. Não é fácil viver neste mundo do tênis com essa porcentagem que estamos ganhando. Mas como número 1 do mundo, sinto que tenho que me posicionar e lutar por essas jogadoras.”

E é possível usar um exemplo brasileiro para o assunto. Nesta semana, foi comemorado por torcedores brasileiros o fato de Pedro Boscardin vencer na primeira rodada do quali de Roland Garros. Não só pela possibilidade de mais um tenista do Brasil na chave principal, mas também pela premiação. A quantia é ‘apenas’ 24 mil euros, por volta de R$ 140 mil.

Para um tenista fora do top 200, é um montante que faz enorme diferença.

Foto: Daniel Kopatsch/Getty Images