Futebol UEFA Champions League

PSG x Arsenal: dois modelos de futebol dentro e fora de campo

O PSG chega à final da Champions League com 142 milhões de seguidores, quase o triplo de um Arsenal que aposta na tradição como identidade.

Puskas Arena em Budapeste, dia 30 de maio. Neste local e data vão entrar em campo os finalistas da UEFA Champions League 2025/26, representantes de dois dos projetos mais relevantes do futebol europeu contemporâneo.

De um lado, o Paris Saint-Germain, símbolo de uma nova lógica de construção de marca no futebol global. Do outro, o Arsenal FC, um dos clubes mais tradicionais da Europa, que volta a disputar a final da competição europeia após quase duas décadas.

A competição, no entanto, extrapola o campo. No ambiente digital, PSG e Arsenal representam dois modelos distintos de presença online, de relacionamento com torcedores e fortalecimento de marca, refletindo o impacto da cultura de influência na comunicação institucional futebolística, dentro da lógica do chamado “sportainment”, fusão entre esporte e entretenimento.

O levantamento online foi realizado pelo núcleo de Pesquisas e Tendências da Imagem Corporativa, no dia 7 de maio, imediatamente após a definição dos finalistas da Champions League (nas semifinais, o Paris Saint-Germain eliminou o Bayern e o Arsenal eliminou o Atlético de Madri).

Foi analisado o conjunto de seguidores dos times finalistas nas principais redes sociais (Instagram, Facebook, TikTok, X/Twitter, Youtube, WhatsApp e Twitch), visando mapear a sua presença digital.

O PSG lidera com ampla vantagem em praticamente todas as plataformas digitais analisadas. Ao todo, o clube acumula aproximadamente 142 milhões de seguidores contra cerca de 49 milhões da equipe inglesa.

O Arsenal supera o clube francês apenas no X/Twitter, rede mais associada à conversa esportiva em tempo real e ao debate entre torcedores. Já o PSG domina plataformas, como Instagram, TikTok, YouTube e Twitch — ambientes voltados para produção de conteúdos ligados a lifestyle, bastidores e personalidade dos jogadores, formatos que tendem a gerar maior engajamento. A diferença expressiva entre os números reflete estratégias distintas de construção de marca e relacionamento com o público.

O modus operandi de PSG e Arsenal

A equipe francesa, hoje um dos principais representantes da cultura de futebol-entertainment, passou por uma transformação radical com a entrada do fundo qatari Qatar Sports Investments, em 2011, deixando de ser um clube de expressão regional para se tornar uma marca global.

O investimento ultrapassou a dimensão esportiva e passou a incluir reposicionamento institucional, expansão digital internacional e a contratação de atletas com forte apelo midiático. A passagem de nomes como Neymar, Messi e Mbappé ampliou o alcance cultural do PSG e fortaleceu sua inserção em uma lógica próxima à da indústria do entretenimento global. Entre os nomes atuais de especial destaque no elenco do clube estão Ousmane Dembélé, Khvicha Kvaratskhelia, o português Vitinha e o brasileiro Marquinhos. E o atual técnico Luis Enrique atingiu o auge de sua carreira exatamente no PSG.

Nesse contexto, o clube francês se aproxima de tendências contemporâneas do sportainment, em que clubes — buscando ampliação de mercado e aproximação com o público mais jovem cujo principal meio de consumo não é mais a TV — deixam de atuar exclusivamente como representantes esportivos para disputar atenção dentro da economia da influência, com conteúdos mais variados para além do esporte, como narrativas culturais, experiências visuais, bastidores e a construção de celebridades globais.

Já o Arsenal opera em uma lógica distinta. Um dos clubes mais antigos e respeitados da Inglaterra, o time londrino também possui ampla presença e relevância digitais, mas constrói sua comunicação de forma mais centrada na herança esportiva, sem priorizar a construção de marca no molde do sportainment.

Sua comunicação é voltada para uma audiência enraizada na tradição, cujo engajamento se concentra mais no debate sobre futebol. Formatos modernos e conteúdos rápidos virais fazem parte do seu repertório digital, porém mais como um complemento do que como estratégia de comunicação global.

Ainda assim, a oposição entre “tradição” e “sportainment” não deve ser interpretada de forma absoluta. No futebol contemporâneo, os grandes clubes europeus operam simultaneamente como instituições esportivas, marcas globais e produtores de conteúdo. A diferença está menos na existência dessas estratégias e mais na intensidade e na forma como cada clube escolhe se apresentar ao público.

Enquanto o PSG simboliza a aceleração de uma lógica fortemente orientada pelo entretenimento e pela cultura digital, o Arsenal demonstra como tradição, identidade histórica e comunidade continuam sendo ativos centrais de engajamento e relevância global. Em comum, ambos evidenciam que, no cenário atual, desempenho esportivo e presença digital caminham cada vez mais de forma integrada na construção das grandes potências do futebol.