Aston Villa x PSG
Futebol UEFA Champions League

PSG avança com derrota, mas displicência e má leitura de jogo quase custam caro contra o Aston Villa

O PSG garantiu vaga na semifinal da Champions League mesmo perdendo para o Aston Villa por 3 a 2 no Villa Park, mas a classificação veio com susto, e, acima de tudo, com sinais preocupantes. Após vencer o jogo de ida por 3 a 1 em casa, a equipe de Luis Enrique abriu 2 a 0 fora de casa, e parecia ter encaminhado a vaga sem dificuldades.

No entanto, ao invés de administrar o resultado, o PSG se desorganizou, adiantou suas linhas desnecessariamente e flertou com um vexame histórico. A vitória inglesa ficou a um gol de empurrar o duelo para a prorrogação. E não fosse Donnarumma em noite inspirada, talvez estivéssemos falando de uma eliminação vergonhosa.

O jogo

O primeiro tempo do PSG foi praticamente exemplar. A equipe soube absorver a pressão inicial do Aston Villa, usou os contra-ataques com inteligência e foi cirúrgica nas oportunidades que teve. Hakimi e Nuno Mendes aproveitaram bem os espaços deixados pela defesa inglesa e transformaram o começo agressivo do Villa em uma vantagem de dois gols ainda antes dos 25 minutos.

Com 5 a 1 no placar agregado, o jogo parecia resolvido. E aí começou o problema. Em vez de adotar uma postura pragmática e baixar as linhas, controlar a posse e jogar com o relógio, o PSG manteve a marcação alta, adiantou os laterais e seguiu oferecendo espaços. Era como se o time estivesse tentando vencer o jogo novamente, ao invés de apenas garantir a classificação. A estratégia, que em tese pode parecer corajosa, acabou sendo imprudente.

O Aston Villa, valente e empurrado por um estádio inflamado, não se rendeu ao cenário. Mesmo com a classificação parecendo distante, o time seguiu acreditando e, com uma mistura de vontade, qualidade técnica e aproveitamento dos vacilos do PSG, foi crescendo no jogo. O gol de empate no agregado veio em um lance típico de mata-mata: McGinn teve liberdade pelo meio e contou com desvio da zaga para enganar Donnarumma.

A partir daí, o PSG entrou em colapso tático. A equipe parecia sem eixo, com volantes mal posicionados, laterais descoordenados e um ataque desconectado. E mesmo assim, continuava se lançando ao ataque como se precisasse do gol.

A virada inglesa com Konsa colocou fogo total no confronto, e a noite só não virou pesadelo porque Donnarumma, em uma das melhores atuações de sua carreira, salvou três bolas claras de gol. Foi o goleiro quem manteve o PSG de pé quando o coletivo desmoronou. No final, o Villa ainda teve uma última chance, mas Pacho salvou em cima da linha e garantiu a classificação.

Decisões erradas quase custaram a classificação do PSG e a consolidação do bom trabalho de Luís Enrique

Luis Enrique tem feito uma boa campanha na Champions, e os resultados recentes mostram evolução do PSG como equipe. No entanto, o jogo desta terça-feira escancarou um ponto frágil: a insistência em manter uma proposta ofensiva mesmo quando o contexto pedia controle e maturidade. A postura do segundo tempo foi, no mínimo, ingênua. A classificação veio, sim, mas com um gosto amargo pela forma como o time conduziu os minutos finais.

Com um elenco experiente e um goleiro em noite brilhante, o time escapou por pouco de ser manchete mundial por outro motivo. O técnico espanhol precisa ajustar a mentalidade da equipe, principalmente em jogos eliminatórios onde, muitas vezes, a melhor escolha não é atacar mais, e sim saber defender bem o que já foi conquistado.

Do lado inglês, o Aston Villa sai da Champions com a cabeça erguida. O time, que voltou à competição com pouca tradição recente no torneio, entregou duas atuações dignas e quase protagonizou uma virada histórica. Tielemans, McGinn e Rashford foram motores do time no meio e ataque, enquanto Dibu Martínez, apesar da falha no primeiro gol, teve papel importante em manter o time no jogo em vários momentos.

A atitude do Villa, que nunca deixou de lutar, serve de exemplo. Se o clube mantiver essa base e reforçar algumas posições, pode voltar ainda mais forte na próxima temporada europeia.

O PSG está novamente entre os quatro melhores da Europa, o que já é, por si só, um feito importante. É a quarta semifinal nas últimas seis edições. A missão de conquistar a “Orelhuda” continua viva. Mas o que ficou claro no Villa Park é que o time de Luis Enrique ainda carece de leitura de jogo em momentos críticos. A vantagem construída foi colocada em risco por excesso de confiança e falta de controle emocional e tático.

Com Real Madrid ou Arsenal pela frente, erros como os cometidos em Birmingham não serão perdoados. E Donnarumma, por melhor que seja, não poderá salvar sempre.

(Foto: Paul Ellis/AFP)