PSG e Bayern se enfrentam nesta terça-feira (28), no primeiro jogo da semifinal da Champions League, a partir das 16h (horário de Brasília), no Parc des Princes. Marcando o confronto entre dois favoritos ao título, o duelo também traz um embate muito interessante entre equipes com propostas de jogo totalmente diferentes.
Hoje, controlar o meio-campo é um passo muito importante para se aproximar da vitória no futebol. Nesse cenário, veremos um confronto entre equipes que possuem estratégias opostas nesse setor. A semifinal da Champions League será um choque de filosofias, servindo como uma espécie de prova final para dois esquemas que vêm encontrando sucesso ao longo da temporada.
Os estilos distintos de PSG e Bayern
Terceiro maior campeão da história da Champions League, o Bayern tenta chegar ao sétimo título na competição. No entanto, para seguir adiante no torneio, a equipe alemã terá que derrotar o atual campeão. Tentando bater o Paris Saint-Germain, o time comandado por Vincent Kompany terá como seu pilar principal um meio-campo com três funções muito bem definidas.
O Bayern pratica um futebol posicional. Há um “esqueleto” que se mantém intacto durante os 90 minutos. No meio-campo, a construção de jogadas começa de trás, com Joshua Kimmich aparecendo como uma peça importante, regendo o time.
Ao lado de Kimmich, aparece Aleksandar Pavlović, atleta que serve como um ponto de equilíbrio, ajudando também a fortalecer a organização defensiva. Se constrói menos que Kimmich, o jogador destaca sua importância por ser uma base sólida no meio-campo. Já mais à frente, Jamal Musiala é o responsável pela progressão, levando o time ao ataque com sua criatividade.
É assim que Kompany coloca o time em campo, com um estilo concreto. O Bayern não tem tanta movimentação na troca de posições. É um jogo mais rígido e que dá menos espaço para improvisos. Podemos dizer que a equipe pratica um futebol alemão mais tradicional, ocupando espaços e demonstrando bastante solidez. É um clube que busca ter o total controle da partida, baseado em uma estrutura que não se desfaz.
Do outro lado, o PSG traz um estilo completamente diferente. A equipe de Luis Enrique conquistou a Champions League da última temporada apresentando um meio-campo totalmente móvel, com trocas de posições e muita movimentação durante os 90 minutos de cada jogo.
Nesse estilo de jogo, o português Vitinha é o primeiro a aparecer, sendo o grande motor da equipe. Responsável pela organização desde trás, o atleta não se limita a ser apenas um volante ou meia central, tendo espaço para dominar o meio-campo da maneira que for necessária.
Já com uma importância mais ofensiva, aparecem João Neves e Warren Zaïre-Emery. Ambos são responsáveis pela forte chegada ofensiva da equipe francesa. Os atletas devem fazer a ligação entre o meio-campo e o ataque.
É assim que Luis Enrique montou uma equipe de grande mobilidade. Os jogadores do PSG não permanecem em uma única posição. Em muitos momentos, há até trocas de função momentâneas, afinal, é comum ver os três meio-campistas ocupando diferentes espaços do gramado.
Dessa forma, o time francês também é mais imprevisível no campo de ataque. Afinal, não se trata de um jogo posicional, mas sim de algo mais caótico. O Paris Saint-Germain tem como trunfo a fluidez para levar perigo aos adversários.
O que isso significa para PSG e Bayern
É bastante evidente que teremos o choque de dois estilos completamente diferentes. Porém, o que isso significa para as equipes?
Para o Bayern, é a certeza de que o controle total será importante. Com um sistema sólido, mas também mais previsível, o time terá que ter atenção à mobilidade intensa do Paris Saint-Germain. Nesse cenário, o jogo posicional dos alemães pode sofrer com a aparição de jogadores do PSG aproveitando espaços entre linhas.
Além disso, o PSG pode levar vantagem nas transições rápidas e na pressão alta, o que também causaria problemas ao Bayern. Afinal, assim, o time alemão pode ser impedido de buscar o controle de jogo que tanto procura, passando a se sentir sufocado em campo.
Enquanto isso, o Paris Saint-Germain precisa encontrar uma forma de quebrar a organização dos alemães. Com muita disciplina tática, o time de Vincent Kompany pode ter o “antídoto” para a imprevisibilidade do PSG. A equipe francesa pode acabar “presa” por um sistema extremamente sólido, ficando sem espaço para encontrar soluções com a criatividade individual de seus jogadores de meio-campo.
Também devemos lembrar que o Paris Saint-Germain cresce em jogos de ritmo acelerado, afinal, o time de Luis Enrique é montado para ser intenso e fluido. Nesse contexto, o controle de partida que o Bayern costuma ter, com segurança na posse de bola, também pode impedir que o jogo se torne favorável aos franceses, obrigando o PSG a atuar em um cenário diferente daquele ao qual está acostumado.
O cenário é propício para um grande jogo. Ambos os times chegam ao confronto com características que podem anular alguns dos pontos mais fortes do adversário. Dessa forma, podemos afirmar que é uma questão de “encaixar o jogo”. A equipe que for capaz de impor seu estilo primeiro pode ter grande vantagem.
Créditos da foto de capa: Kevin C. Cox/Getty Images.