A vantagem de um gol do PSG no jogo de ida da semifinal da Champions League trouxe um alerta. Jogar contra o Bayern na Allianz Arena era sinal de que o time francês passaria por dificuldade.
A preocupação maior era a defensiva, afinal, parecia que cada ataque resultaria em gol na partida em Paris. A defesa parisiense não conseguiu segurar o ímpeto ofensivo do adversário e sofreu quatro gols em sete finalizações a gol.
O Paris Saint-Germain sabia que a semifinal estava longe de acabar, visto que o Bayern era dono do melhor ataque da Europa, com 90 gols em 56 jogos na temporada. No entanto, a tranquilidade veio cedo na Alemanha.
A sólida partida defensiva do PSG
Dembélé tratou de deixar a situação do Paris Saint-Germain mais tranquila ao abrir o placar logo aos dois minutos. Fora de casa, a proposta do time de Luis Enrique era atacar no contra-ataque, utilizando Kvaratskhelia como principal condutor do ataque. O grego recebeu a bola e cruzou na área para Dembélé finalizar sem chances para Manuel Neuer.

Com a vantagem assegurada, o PSG recuou completamente as linhas e viu um Bayern dominante com o controle do jogo. Entretanto, o time alemão foi anulado pela equipe de Luis Enrique. A solidificação defensiva do clube parisiense não esteve presente no gol de Harry Kane, marcado aos 48 minutos da etapa final. Porém, o início da reação era tarde.
O Paris Saint-Germain conseguiu o placar necessário para disputar a segunda final consecutiva de Champions e a terceira em sua história. Longe da vitória na partida de ida, o resultado foi formado com base em uma defesa com um perfeito posicionamento e atuação impecável sem a bola, deixando poucos espaços ao Bayern.
A decisão será um confronto entre duas equipes com qualidades principais: o incrível ataque do PSG e a grande defesa do Arsenal. A maneira como o time inglês lidará com o quarteto Dembélé, Désiré Doué, Khvicha Kvaratskhelia e Bradley Barcola pode ser fundamental para conquistar o principal torneio europeu pela primeira vez.
Contudo, o jogo da Alemanha mostrou que o PSG sabe ter uma sólida atuação coletiva quanto a qualquer outro visto neste campeonato, graças à segura e atenta defesa. Mikel Arteta terá outro grande desafio para derrotar o adversário.
Os números do empate na Alemanha
O Bayern teve uma leve superioridade ofensiva em comparação ao Paris Saint-Germain. O time de Vincent Kompany criou 17 chances de gol contra 14 do clube francês. No entanto, o PSG teve o menor total de gols esperados (1,41) em uma partida nesta temporada. As finalizações do clube alemão tiveram uma média de 0,08 xG, amplamente inferior a qualquer outra em um jogo no período e a segunda menor no geral, atrás apenas da vitória por 3 x 1 sobre o Köln, fora de casa, no início de janeiro, pela Bundesliga.
A impecável atuação defensiva do Paris Saint-Germain possibilitou que o Bayern tivesse oportunidades de baixa qualidade no decorrer da partida. O goleador Kane marcou um gol após muitas finalizações criadas pelo time alemão.
O técnico Luis Enrique gostou da maneira como o seu time permitiu que o Bayern obtesse a posse de bola, sendo que o time registrou a menor porcentagem em qualquer competição desde o confronto contra o Barcelona, pelas oitavas de final da Champions League de 2020/21. A postura foi completamente incomum ao que o time produziu na atual edição da competição, prevalecendo um controle maior da posse de bola em todo o gramado.

O treinador montou uma formação compacta, com uma defesa formada com unidade impecável. Considerado o melhor jogador do PSG em campo, William Pacho teve uma grande atuação no centro da defesa, fazendo cinco desarmes e cinco cortes, o maior número do confronto.
Marquinhos teve mais uma grande participação, mantendo a calma e mostrando que a experiência trouxe um jogador decisivo. Já o desempenho de Warren Zaïre-Emery foi marcado por conter o ágil Luis Díaz durante todo o jogo.
O trio de meio-campo do PSG possui um dos melhores aproveitamentos do futebol mundial em posse de bola, porém, os pontas tiveram maior controle de jogo. Kvaratskhelia (57)e Doué (47) tiveram mais toques na bola que o trio Vitinha (45), João Neves (39) e Fabián Ruiz (32)
Para ingressar no ataque, o PSG insistiu em lançamentos longos. A equipe cobrou tiros de meta longos 13 vezes, ocupando o quarto lugar neste requisito na atual edição do campeonato, atrás de Kairat (19) contra o Pafos e o Bodø/Glimt contra a Inter (18) e contra o Sporting (24).
Em um retrospecto geral, o time francês fez 22,3% de passes longos, a sétima maior porcentagem entre todos os clubes em um jogo da Champions e a maior entre todas as equipes em um jogo eliminatório da competição. Times com grandes campanhas no torneio não costumam realizar tanto esse requisito quanto o PSG fez na partida em Munique.
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