Na tarde deste sábado, o Nice recebeu o PSG no estádio Allianz Riviera em duelo válido plea 27ª rodada do Campeonato Francês. Ainda em uma ferrenha corrida pelo título com o Lens, a equipe parisiense entrou em campo com um time bastante modificado, marcado por muitas ausências e com seu foco principal voltado para a disputa da Champions League. Do outro lado, o Nice, vivendo um dos piores momentos de sua história recente, tinha a difícil missão de conseguir os três pontos e se livrar de vez do risco de rebaixamento na competição.
O primeiro tempo foi disputado e o PSG saiu com a vantagem no placar apenas após um pênalti convertido nos minutos finais, mas o retorno do vestiário representou impacto imediato para o time de Luis Enrique, e a expulsão de Ndayishimiye abriu as portas para a goleada. Com os três pontos, a equipe parisiense volta ao topo da tabela com 60 pontos – o Lens possui 59, mas um jogo a mais. Já o Nice segue na 15ª colocação – a situação é delicada, mas mesmo com a derrota, a equipe da Riviera ainda tem uma vantagem de cinco pontos do 16ª colocado, Auxerre.
PSG não tem bom início e Nice marca bem
O PSG teve dificuldades em conseguir avançar para o último terço nos minutos iniciais da partida. Com Vitinha mais recuado, o time de Luis Enrique dependia dos avanços de Nuno Mendes e Zaire-Emery para conseguir ter opções no setor ofensivo, com Kang-in Lee e Mayulu responsáveis por ligar a defesa ao ataque. Porém, o Nice não tornou a vida do time parisiense fácil. Com uma linha de cinco no meio de campo, a equipe de Claude Puel conseguia ao mesmo tempo impedir o avanço dos alas adversários e congestionar a intermediária – destaque para a ótima atuação de Youssouf Ndayishimiye neste quesito.
E com a formação e time escalado por Luis Enrique, o Paris necessitava justamente dos movimentos pelo meio-campo para conseguir encontrar Kvaratskhelia ou Doué no ataque, já que, além de não contar com um centroavante de origem no 11 inicial ou qualquer atleta que seja capaz de fazer essa função, o Nice defendia com uma linha de três zagueiros fixos. Ou seja, eram necessários movimentos que modificassem o posicionamento do trio defensivo para que a linha de frente dos visitantes encontrasse espaços para atacar.
E por mais que o Nice tenha feito um bom trabalho defensivo, quando falamos do PSG, estamos falando do que é provavelmente o time mais técnico do planeta. Mesmo quando parece não haver soluções, a facilidade de praticamente todos os atletas da equipe de Luis Enrique sair da pressão é assustadora, e inevitavelmente, espaços eram encontrados. O primeiro surgiu com Kang-in Lee acionando Vitinha na direita – o português cruzou e Kvaratskhelia dominou na entrada da área, tirando do goleiro Dioup e finalizando – de maneira espetacular, o defensor Juma Bah fez a interceptação antes da bola entrar no gol.
Pênalti “no detalhe” coloca Paris na frente
Apesar de estar melhor no jogo, a chegada do PSG com Kvara foi rara, e o Nice também levava perigo em jogadas de contra-ataque graças à fragilidade defensiva do time visitante na intermediária. O cenário mudou apenas após um pênalti marcado a favor do time parisiense – em cobrança de escanteio, Sanson tocou a bola com a mão na tentativa de aliviar, em um lance bastante ajustado e que foi marcado apenas após revisão do VAR. Na cobrança, Nuno Mendes converteu seu oitavo pênalti seguido para colocar o PSG na frente.

O gol deixou os ânimos mais tranquilos para o plantel parisiense, que passou a ter mais facilidade em encurralar o Nice ao diminuir o ritmo da troca de passes e manter mais a posse no campo adversário. Antes do fim da primeira etapa, Luis Enrique foi obrigado a tirar Mayulu, que vinha sendo um dos destaques da equipe, por conta de uma lesão. Em seu lugar, Beraldo entrou para fazer o papel de volante da equipe, liberando Vitinha para subir mais no campo.
Gol cedo e expulsão abrem caminho para goleada
E na volta do intervalo, sequer deu tempo do Nice respirar e colocar em prática as instruções de seu treinador – com apenas dois minutos, Desire Doué marcou o segundo gol do time visitante. A jogada foi construída praticamente inteira por Nuno Mendes, que recebeu um passe “despretensioso” na lateral, mas com apenas um movimento, conseguiu se posicionar e iniciar a corrida pela ala. Chegando perto da grande área, o português tabelou com Kvaratskhelia, saindo em boas condições para fazer um cruzamento rasteiro para Doué, que não teve dificuldades na finalização.
O cenário do time visitante piorou ainda mais quando Ndayishimiye foi expulso após uma entrada forte em Kang-in Lee, que precisou até mesmo ser substituído. O volante burundiano do Nice estava realizando seu primeiro jogo desde abril do ano passado após sofrer uma grave lesão nos ligamentos cruzados do joelho. Foi um baque não só em questão de números em campo para o time da casa, mas também emocional para a equipe.
Com o jogo já definido a seu favor, o PSG viu uma boa história coroar os três pontos fora de casa: com apenas 18 anos, Dro Fernández, que trocou o Barcelona pelo time de Paris de maneira polêmica na última janela, marcou seu primeiro gol com a camisa da equipe francesa, e em grande estilo: em uma troca de passes rápida, Vitinha acionou Dembelé na entrada da área, que rapidamente encontrou Dro infiltrando em velocidade. Com um ótimo domínio, o espanhol tirou do marcador e finalizou no cando esquerdo de Diop.
Ainda deu tempo de Zaire-Emery voltar a balançar as redes depois de quase quatro meses sem marcar, com direito a assistência brasileira: em outra jogada que se iniciou com Vitinha e Dembelé, o francês recebeu do português e deu um toque fantástico de calcanhar para Beraldo, que passava em velocidade pela direita. O brasileiro ex-São Paulo fez o cruzamento rasteiro e Emery completou para o fundo da rede, fechando o marcador em 4 a 0.
Resultado: Nice 0 – 4 Paris Saint-Germain
Foto principal: (F.Faugere/L’Equipe)