Pep Guardiola já deixou claro em diversas entrevistas que um dos grandes sonhos restantes de sua carreira é comandar uma seleção nacional. Depois de revolucionar o futebol de clubes por quase duas décadas, o treinador espanhol vê a possibilidade de disputar uma Copa do Mundo ou uma Eurocopa como um desafio capaz de completar ainda mais seu legado dentro do esporte.
Em 2018, Guardiola chegou a afirmar que sonhava em viver a experiência de uma Copa do Mundo como treinador, algo que teve apenas uma vez como jogador, em 1994. Mais recentemente, reforçou que dificilmente assumiria outro clube europeu após deixar o Manchester City, indicando que o caminho mais provável para o futuro pode realmente estar no futebol de seleções.
Essa discussão ganha ainda mais força porque o ciclo de Guardiola no Manchester City parece se aproximar do fim. Após dez temporadas no Etihad Stadium, o espanhol deixará uma das eras mais dominantes da história do futebol inglês.
Desde sua chegada em 2016, Guardiola acumulou feitos históricos. Sob seu comando, o City conquistou a primeira campanha de 100 pontos da história da Premier League, venceu quatro títulos ingleses consecutivos e alcançou a histórica tríplice coroa em 2022/23, repetindo um feito que apenas o Manchester United de 1999 havia conseguido anteriormente na Inglaterra.
Mais do que os títulos, Guardiola construiu uma identidade extremamente dominante baseada em posse de bola, pressão alta e controle absoluto das partidas. Por isso, imaginar o treinador assumindo qualquer projeto comum parece praticamente impossível. Aos 55 anos, suas opções ficam naturalmente restritas a seleções nacionais ou clubes extremamente específicos.
PSG aparece como único clube realmente plausível

Pensar em Guardiola treinando outro clube da Inglaterra, Espanha ou Alemanha parece improvável. Sua ligação histórica com Barcelona, Bayern de Munique e Manchester City praticamente elimina a possibilidade de trabalhar em grandes rivais desses países. Além disso, o próprio treinador já afirmou recentemente que não teria energia para iniciar um novo projeto pesado em outro clube europeu.
Nesse cenário, o Paris Saint-Germain surge como talvez a única possibilidade realmente plausível no futebol de clubes.
O PSG reúne alguns fatores que tornam esse cenário interessante. Primeiro pela capacidade financeira praticamente ilimitada do clube francês. Segundo pelo domínio nacional já consolidado, algo que poderia diminuir o desgaste diário de Guardiola em comparação com a intensidade da Premier League.
Além disso, existe um fator histórico extremamente relevante. Caso Guardiola conquistasse a Champions League com o PSG, se tornaria o primeiro treinador da história a vencer a competição por três clubes diferentes. Atualmente, ele divide com nomes como Carlo Ancelotti, José Mourinho, Jupp Heynckes e Luis Enrique o grupo de técnicos que conquistaram a competição europeia por dois clubes distintos.
Luis Enrique já conseguiu quebrar a histórica barreira do PSG na Champions, e caso de Luis Henrique procure novos desafios na carreira, a probalidade de Guardiola assumir um elenco já estruturado para competir imediatamente na Europa pode ser extremamente atraente. Principalmente porque o espanhol sempre demonstrou motivação por desafios históricos e construção de legado.
Espanha e Itália aparecem como desafios históricos
Entre as seleções nacionais, a Espanha surge naturalmente como a conexão mais óbvia. Guardiola possui forte relação histórica com a seleção espanhola, tendo disputado 47 partidas pelo país entre 1992 e 2001. Além disso, foi capitão da equipe que conquistou a medalha de ouro olímpica nos Jogos de Barcelona, em 1992.
No aspecto esportivo, a Espanha vive um momento de transição interessante. Luis de la Fuente segue no comando, mas ciclos pós-Eurocopa e Copa do Mundo frequentemente provocam mudanças nas seleções. O principal obstáculo talvez seja político e emocional. Guardiola já demonstrou apoio ao separatismo catalão no passado, algo que sempre gerou questionamentos sobre sua relação com a seleção espanhola.
A Itália também aparece como um destino extremamente interessante. A seleção italiana atravessa um dos períodos mais contraditórios de sua história recente. Mesmo após conquistar a Eurocopa de 2020, a equipe continua enfrentando enormes dificuldades em Copas do Mundo, que não se classifica para o torneio desde 2014.
Para uma seleção tetracampeã mundial, isso representa uma crise enorme de identidade competitiva. Guardiola poderia surgir justamente como o nome capaz de reorganizar completamente o futebol italiano em termos de estilo de jogo, formação de atletas e mentalidade dentro de campo.
Além disso, existe uma conexão pessoal importante com o país. Guardiola atuou por Brescia e Roma na reta final de sua carreira como jogador, o que aumenta ainda mais a identificação com o futebol italiano.
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