A Copa do Mundo está chegando e a disputa por espaço na Seleção Brasileira já virou uma batalha silenciosa em cada rodada do calendário mundial. Entre os dias 8, 9 e 10 de maio, vários nomes ofensivos observados de perto por Carlo Ancelotti entraram em campo sabendo exatamente disso: qualquer atuação pode mudar hierarquias dentro da Seleção.
E o último fim de semana entregou de tudo um pouco.
Teve Neymar voltando a decidir e sendo eleito craque do jogo. Endrick mantendo números fortíssimos no Lyon. Rayan e Luiz Henrique marcando gols importantes. Igor Jesus brigando fisicamente em alto nível contra o Newcastle. Pedro tendo atuação abaixo do esperado diante do Grêmio. Igor Thiago passando apagado em um Brentford atropelado pelo Manchester City. E Gabriel Martinelli, talvez pela primeira vez em muito tempo, começando a perder força de verdade dentro da corrida ofensiva da Seleção.
O cenário é simples: ainda existem vagas abertas no ataque do Brasil. E ninguém parece totalmente confortável.
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Seleção vê altos e baixos neste último final de semana; entenda
Neymar volta a ser decisivo e manda recado importante para a Seleção
Nem foi uma atuação perfeita. Mas talvez tenha sido justamente o tipo de jogo que Neymar precisava entregar neste momento da temporada.
O camisa 10 marcou um gol importante na vitória do Santos sobre o RB Bragantino e terminou a partida escolhido como craque do confronto. Mais do que o gol, chamou atenção sua participação emocional e técnica durante os 90 minutos.
Neymar voltou a pedir bola constantemente, apareceu entrelinhas, desacelerou o jogo quando necessário e assumiu responsabilidade nos momentos de maior pressão. Isso pesa demais pensando em Seleção. Porque o grande debate sobre Neymar hoje não é técnico. Nunca foi. A discussão sempre esteve ligada à condição física e à capacidade de suportar intensidade competitiva por sequência longa.
E neste último final de semana, ele passou sinais positivos.
Ainda está distante daquela explosão física devastadora de outros ciclos de Copa? Sem dúvida. Só que Neymar competitivo minimamente saudável continua sendo um jogador diferente para a Seleção. Talvez agora em um papel mais cerebral e menos acelerado, mas ainda extremamente influente.
Endrick segue respondendo dentro de campo
Muito se criou recentemente uma narrativa de que Endrick estaria abaixo das expectativas no futebol europeu. Só que os números não sustentam essa tese, ainda mais desde que se movimentou para a França. Mostrou ser capaz de trabalhar como nove e na ponta-direita, então surge como uma opção interessantíssima para Carlo Ancelotti.
Mesmo na derrota do Lyon neste último fim de semana, o atacante brasileiro voltou a participar diretamente de gol ao distribuir uma assistência. E isso já virou praticamente rotina.
São 20 jogos pelo clube francês, com oito gols e oito assistências. Dezesseis participações diretas em gols para um jogador de apenas 19 anos vivendo adaptação ao futebol europeu.
Mais do que números, chama atenção sua evolução coletiva. Hoje, Endrick parece muito mais confortável participando da construção ofensiva, atacando espaços curtos e interpretando movimentos sem bola. Seu jogo está menos “caótico” e mais inteligente taticamente.
E isso pode agradar bastante Ancelotti. A Seleção Brasileira busca atacantes móveis, agressivos e capazes de variar funções ofensivas. Nesse aspecto, Endrick talvez esteja entrando justamente no momento mais maduro da carreira até aqui.
Rayan e Luiz Henrique aproveitam o momento
Enquanto alguns jogadores convivem com pressão crescente, Rayan e Luiz Henrique aproveitaram muito bem o último fim de semana para ganhar força na disputa da Seleção.
O atacante do Bournemouth marcou novamente na Premier League e segue construindo uma reta final de temporada extremamente interessante. Seu perfil agressivo, vertical e acelerador de transições chama muita atenção.
Rayan é aquele atacante que muda ritmo de jogo rapidamente. Recebe pensando em atacar espaço, força duelos individuais e consegue gerar caos ofensivo quase o tempo inteiro. Em torneios curtos, isso pode ser um diferencial enorme para a Seleção.
Já Luiz Henrique também marcou pelo Zenit e continua vivendo fase sólida ofensivamente. Talvez receba menos atenção por atuar longe dos grandes centros europeus, mas seu desempenho segue muito consistente.
Fisicamente forte, agressivo no um contra um e cada vez mais participativo sem bola, Luiz Henrique parece mais maduro taticamente do que em ciclos anteriores da carreira. E hoje, a Seleção valoriza muito pontas capazes de competir fisicamente em alto nível.
Igor Jesus cresce mesmo sem marcar
Nem todo atacante precisa balançar as redes para sair valorizado de uma rodada. Igor Jesus é um ótimo exemplo disso.
No confronto duríssimo contra o Newcastle, o atacante do Nottingham Forest não marcou, mas teve atuação competitiva importante. O Forest bateu de frente com os Magpies durante boa parte da partida, e Igor Jesus foi fundamental sustentando disputas físicas, protegendo bola e vencendo vários duelos corporais.
E isso importa muito para a Seleção. Porque o futebol internacional atual exige atacantes capazes de competir fisicamente sem perder mobilidade. Igor Jesus oferece exatamente esse pacote.
Talvez não tenha o brilho técnico de outros concorrentes, mas entrega intensidade, imposição física e capacidade de pressionar adversários durante os 90 minutos. Em Copa do Mundo, isso costuma valer ouro.
Pedro e Igor Thiago tiveram fim de semana abaixo
Pedro segue vivendo ótima temporada pelo Flamengo, mas especificamente contra o Grêmio, sua atuação ficou abaixo da expectativa, devido ao nível do tricolor gaúcho, era esperado que o camisa nove destruísse, completamente e empilhasse o máximo de gols possíveis, mas foi contido pela defesa dos mandantes.
O centroavante participou bastante dos movimentos ofensivos rubro-negros, ajudou na sustentação ofensiva e ocupou bem a área, mas não conseguiu transformar domínio territorial em chances realmente perigosas. Foi uma atuação mais funcional do que decisiva.
E isso acaba pesando quando a disputa da Seleção está tão apertada. Já Igor Thiago viveu um cenário ainda mais complicado. O Brentford foi completamente dominado pelo Manchester City na derrota por 3 a 0, e o atacante brasileiro praticamente não conseguiu participar ofensivamente.
Foi um daqueles jogos onde o time passa mais tempo sobrevivendo do que jogando futebol. Ainda assim, faltou impacto individual para tentar mudar minimamente o cenário. Mesmo assim, Igor Thiago continua sendo um nome observado com carinho pela versatilidade e intensidade tática.
Gabriel Martinelli começa a perder espaço na Seleção
Talvez nenhum nome ofensivo tenha saído tão pressionado do último fim de semana quanto Gabriel Martinelli.
Mais uma vez, o atacante brasileiro teve papel irrelevante em um jogo enorme do Arsenal. Lutando pela liderança da Premier League diante do West Ham, Mikel Arteta preferiu outros caminhos ofensivos e não enxergou Martinelli como prioridade para mudar o jogo.
E isso começa a virar padrão preocupante. Martinelli perdeu protagonismo na reta decisiva da temporada europeia justamente no pior momento possível pensando em Seleção. Principalmente porque concorrentes diretos começam a crescer exatamente agora.
Rayan vive ascensão forte. Luiz Henrique cresce ofensivamente. Neymar voltou a decidir. Endrick empilha participações em gols. E perto da Copa, percepção muda muito rápido.
A Seleção ainda está aberta
Talvez essa seja a maior conclusão do fim de semana. A Seleção Brasileira ainda não possui hierarquia totalmente definida no setor ofensivo. Existem nomes praticamente garantidos, claro. Mas várias vagas seguem completamente abertas.
Neymar mostrou evolução física e voltou a decidir. Endrick respondeu com produtividade. Rayan e Luiz Henrique marcaram gols importantes. Igor Jesus entregou competitividade física. Pedro teve atuação discreta. Igor Thiago passou apagado. Martinelli perdeu espaço.
E tudo isso já começa a ter cara de Copa do Mundo. Porque a verdade é simples: para muita gente, o Mundial já começou faz tempo.
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