O Red Bull Bragantino esteve muito perto de conquistar uma vitória histórica no Monumental de Núñez, mas viu o River Plate arrancar um empate dramático por 1 a 1 nos acréscimos. Depois de uma atuação extremamente sólida durante quase toda a partida, o Massa Bruta não conseguiu resistir à pressão final dos argentinos e deixou escapar um resultado que encaminharia uma classificação direta na competição continental.
Com a igualdade, o Bragantino chegou aos sete pontos, mas não pode mais ultrapassar os Millionarios, que somam 11 e garantiram a liderança da chave. Agora, os paulistas precisarão disputar a vaga no playoff da Copa Sul-Americana na última rodada. O cenário ainda permanece aberto, já que o Carabobo tem seis pontos e um jogo a menos. O River, por sua vez, encerra a fase de grupos diante do já eliminado Blooming.
O jogo
O primeiro tempo do Bragantino foi talvez um dos mais maduros da equipe em competições internacionais. Jogando em um dos estádios mais difíceis da América do Sul, o time paulista mostrou personalidade, organização defensiva e inteligência para controlar o ímpeto inicial do River Plate.
Os argentinos tiveram enorme dificuldade para encontrar espaços. A pressão habitual no Monumental esbarrou em um Bragantino compacto, agressivo na marcação e muito atento aos movimentos ofensivos do rival. O River praticamente não conseguiu criar jogadas pelo chão e só levou perigo real já perto da marca dos 30 minutos, quando Subiabre apareceu em cabeçada após bola alçada na área.
O Massa Bruta, além de se defender bem, também conseguiu ser eficiente no ataque. E foi justamente em uma bola aérea que saiu o gol brasileiro. Após cobrança de falta na área, Isidro Pitta aproveitou a sobra e ajeitou dentro da pequena área para Alix Vinícius subir mais alto que a defesa argentina e cabecear para o fundo das redes.
O gol silenciou o Monumental e aumentou ainda mais a confiança do Bragantino. O River Plate sentiu o impacto e demorou para reagir emocionalmente dentro do jogo. Ainda antes do intervalo, os donos da casa assustaram novamente apenas em uma cabeçada de Salas, mas sem transformar a posse de bola em domínio real.
Na segunda etapa, o cenário pouco mudou. O Bragantino continuou confortável defensivamente e passou a encontrar ainda mais espaços nos contra-ataques. Enquanto o River mostrava dificuldades criativas e dependia muito de cruzamentos, os brasileiros conseguiam acelerar com qualidade e levavam perigo constante.
Herrera quase ampliou em chute da entrada da área e, pouco depois, obrigou Armani a fazer grande defesa em um contra-ataque rápido. Em outra chegada perigosa, Pezzella quase marcou contra a própria meta após pressão ofensiva do Massa Bruta. O River Plate parecia cada vez mais nervoso e sem soluções.
A equipe paulista administrava bem o resultado e demonstrava maturidade competitiva para suportar a pressão do ambiente. O sistema defensivo encaixava praticamente todas as ações ofensivas do River, que só passou a aumentar o volume nos minutos finais, já na base do desespero.
Quintero foi o primeiro a assustar de verdade no abafa final, arriscando de fora da área em chute que passou perto da trave. O aviso, porém, não foi suficiente para o Bragantino reorganizar emocionalmente os minutos finais. Quando a partida parecia definida, veio o golpe.
Já nos acréscimos, Quintero voltou a finalizar de longe. Cleiton não conseguiu segurar firme e deu rebote dentro da área. Lautaro Pereyra apareceu livre para empurrar para o gol e arrancar o empate dramático para os argentinos. O Monumental explodiu em alívio, enquanto os jogadores do Bragantino deixaram o campo com evidente sensação de frustração.
RB Bragantino faz jogo maduro e mostra evolução sob o comando de Vágner Mancini
O empate teve sabor de derrota para o Massa Bruta. Durante quase toda a partida, a equipe brasileira foi mais organizada, mais perigosa e estrategicamente superior ao River Plate. Faltou apenas administrar melhor os últimos minutos para transformar uma grande atuação em resultado histórico.
Mesmo assim, a performance deixa sinais positivos. O Bragantino mostrou personalidade para competir fora de casa contra um gigante sul-americano, conseguiu neutralizar boa parte das armas ofensivas do River e criou oportunidades claras para ampliar o placar. Individualmente, Alix Vinícius teve atuação segura e decisiva, enquanto Herrera e Isidro Pitta participaram muito bem das transições ofensivas.
Por outro lado, o gol sofrido nos minutos finais evidencia uma dificuldade recorrente de equipes jovens: controlar emocionalmente a reta decisiva de jogos grandes. O time recuou demais nos acréscimos, perdeu capacidade de retenção da bola e acabou oferecendo ao River o cenário ideal para pressionar.
O River Plate, mesmo abaixo tecnicamente durante boa parte do confronto, mostrou novamente o peso de sua camisa e a força emocional que costuma aparecer em jogos continentais dentro do Monumental. Quando parecia derrotado, insistiu até a última jogada e foi premiado pela pressão final.
No fim, o empate acabou premiando a persistência argentina e castigando a incapacidade do Bragantino de matar o jogo quando teve chances. Ainda assim, a atuação brasileira mostrou um time competitivo e preparado para disputar jogos grandes. O problema é que, em torneios sul-americanos, muitas vezes não basta jogar bem. É preciso sobreviver até o último segundo.
(Foto: Alejandro Pagni/AFP)