Vinicius Junior Real Madrid
Futebol Copa do Mundo

Real Madrid se anima com desmpenho de ‘trio BMV’ na Copa do Mundo, mas tem desafios; confira

A temporada 2025/26 terminou como um enorme banho de água fria para o Real Madrid. Montado para dominar a Europa depois de reunir alguns dos maiores talentos do futebol mundial, o elenco comandado ao longo do ano não conseguiu corresponder às expectativas. O clube passou em branco, ficou distante dos principais títulos e encerrou a temporada cercado por críticas ao desempenho coletivo, apesar do brilho individual de seus principais jogadores.

Poucas semanas depois, porém, a atmosfera mudou completamente. A Copa do Mundo devolveu ao madridismo uma sensação que parecia perdida: a de que o futuro continua sendo extremamente promissor. Isso porque Jude Bellingham, Vinícius Júnior e Kylian Mbappé transformaram a fase de grupos do Mundial em um verdadeiro desfile de talento, liderando Inglaterra, Brasil e França, respectivamente. Se durante a temporada eles pareciam atuar como peças isoladas, com suas seleções cada um encontrou um ambiente capaz de potencializar suas principais características.

A consequência  é uma pergunta que passa a dominar o ambiente no Real Madrid: se cada um consegue ser protagonista por seu país, por que o mesmo ainda não aconteceu quando dividem o mesmo ataque no Santiago Bernabéu?

Mourinho herda o maior desafio do futebol europeu

A chegada de José Mourinho representa justamente a tentativa de responder essa pergunta. O treinador português assumiu o comando sabendo que o problema do Real Madrid nunca foi falta de qualidade técnica. Pelo contrário. Pouquíssimos clubes na história conseguiram reunir três jogadores capazes de liderar seleções candidatas ao título mundial ao mesmo tempo.

O próprio Mourinho resumiu essa realidade ao afirmar que “ter os melhores jogadores é o melhor problema que um treinador pode ter”. A frase, apesar do tom bem-humorado, revela exatamente o tamanho da missão. Seu desafio não é encontrar talentos, mas fazer com que eles coexistam sem comprometer o equilíbrio coletivo, algo que o Real Madrid não conseguiu durante toda a última temporada. A Copa do Mundo mostra justamente que o problema talvez nunca tenha sido individual.

Bellingham confirma que nasceu para liderar

Entre os três, talvez ninguém tenha assumido tanto protagonismo quanto Bellingham. A Inglaterra encontrou no meio-campista não apenas seu principal articulador, mas também um verdadeiro líder dentro de campo. Contra o Panamá, voltou a decidir ao marcar um gol e distribuir uma assistência, consolidando uma campanha que já soma duas bolas na rede e um passe decisivo na competição.

Sua influência, entretanto, vai muito além das estatísticas. Bellingham é quem conecta defesa, meio-campo e ataque, acelera o ritmo da equipe quando necessário e aparece constantemente nos momentos de maior pressão. Mesmo aos 23 anos, transmite a personalidade de um veterano.

O próprio jogador explicou que atua em uma função mais avançada pela seleção inglesa do que costuma exercer no Real Madrid. Ainda assim, deixou claro que sua prioridade sempre será adaptar-se às necessidades da equipe. Essa versatilidade pode ser justamente um dos pilares do novo projeto de Mourinho.

Vinicius encontrou na Seleção Brasileira o ambiente ideal

No entanto, se existe um jogador cuja imagem saiu fortalecida nesta Copa, esse jogador é Vinicius. Sob o comando de Carlo Ancelotti na Seleção Brasileira, o atacante parece ter recuperado a liberdade que em alguns momentos lhe faltou durante a temporada europeia.

Com quatro gols em três partidas, marcando em todos os jogos da fase de grupos, Vinicius tornou-se um dos principais candidatos à artilharia da Copa. Mais importante do que os números é a maneira como eles surgem. O brasileiro recebe liberdade para atacar espaços, acelerar transições e explorar situações de um contra um, cenário que potencializa exatamente suas maiores virtudes.

O próprio atacante admitiu sentir certo alívio por conseguir mostrar novamente seu melhor futebol. A declaração revela muito sobre sua temporada anterior e reforça a sensação de que um contexto coletivo bem construído faz enorme diferença para seu rendimento.

Mbappé mostra que também pode jogar sem a bola

Se Vinicius impressiona pelo brilho ofensivo, Mbappé talvez esteja chamando atenção por um aspecto completamente diferente.Seus quatro gols e duas assistências já confirmam aquilo que todos esperavam: ele continua sendo um dos atacantes mais decisivos do planeta. A novidade está naquilo que acontece quando a França não possui a bola.

Durante toda a fase de grupos, Mbappé demonstrou participação muito maior na pressão alta, acompanhou laterais adversários, recompôs espaços e mostrou uma entrega defensiva raramente vista em temporadas anteriores no Real Madrid.

O próprio francês reconheceu que precisava evoluir nesse fundamento. Para um treinador como Mourinho, conhecido por exigir enorme comprometimento coletivo, essa evolução pode ser tão importante quanto seus gols.

O Mundial reforça uma certeza para o Real Madrid

Os números impressionam. Somados, Bellingham, Vinicius e Mbappé acumulam dez gols e três assistências apenas na fase de grupos da Copa do Mundo. São estatísticas dignas dos melhores ataques do planeta e que ajudam a explicar por que Inglaterra, Brasil e França chegam ao mata-mata entre os principais favoritos ao título.

Mais do que os números, entretanto, chama atenção a naturalidade com que cada um assume o protagonismo em sistemas diferentes. Bellingham controla o ritmo da Inglaterra, Vinicius desequilibra constantemente o Brasil e Mbappé continua sendo o grande definidor da França. Essa capacidade de liderar contextos distintos reforça uma conclusão inevitável: o talento individual jamais foi o problema do Real Madrid.

O Mundial está funcionando como uma vitrine perfeita para recordar ao futebol por que o Real Madrid investiu tanto para reunir três dos jogadores mais decisivos de sua geração.Cada um deles chega fortalecido emocionalmente para a próxima temporada, carregando confiança, protagonismo e ritmo competitivo adquiridos no maior palco do futebol mundial.

Agora, cabe a Mourinho transformar três protagonistas individuais em um coletivo dominante. Se conseguir encontrar esse equilíbrio, o treinador português poderá entregar ao Real Madrid algo que nem mesmo o estrelado elenco da última temporada conseguiu construir: um ataque formado pelos líderes de Inglaterra, Brasil e França funcionando como uma única engrenagem. Caso isso aconteça, a temporada decepcionante rapidamente ficará para trás e dará lugar a uma equipe novamente capaz de sonhar em dominar o futebol europeu.

Foto: IMAGN IMAGES via Reuters