O Real Madrid terá que encontrar uma solução caseira para um problema que já incomoda há algum tempo. Os planos do clube de contratar um meio-campista recuado foram frustrados depois que Rodri, capitão da Espanha na conquista da Copa do Mundo e atualmente no Manchester City, indicou sua preferência por uma transferência para o Barcelona. Diante disso, o clube merengue não pretende buscar uma alternativa no mercado e acredita que o elenco atual pode oferecer as respostas necessárias para a próxima temporada.
A necessidade de reforçar o meio-campo não é exatamente uma novidade no Santiago Bernabéu. Aurélien Tchouaméni é o único volante de origem no elenco principal, enquanto a saída de Toni Kroos e Luka Modrić deixou uma lacuna na construção e no controle das partidas. A campanha sem títulos na última temporada escancarou ainda mais esse problema, principalmente nos jogos de maior exigência, nos quais o Real Madrid teve dificuldades para controlar o ritmo e assumir o protagonismo com a bola.

Rodri era visto como o nome ideal para resolver essa questão. Além de ser natural de Madri, o espanhol tem menos de um ano de contrato com o Manchester City e vinha sendo tratado como uma possibilidade concreta pelo presidente Florentino Pérez. A atuação do meio-campista na conquista espanhola da Copa do Mundo, que posteriormente lhe rendeu a Bola de Ouro, aumentou ainda mais o interesse dos merengues. O Real Madrid chegou a fazer os primeiros contatos e, durante determinado momento, acreditava que estava na frente na corrida pelo jogador.
O cenário, porém, mudou. Rodri teria indicado que sua preferência é pelo Barcelona caso uma negociação com o Manchester City avance. A decisão desagradou à diretoria do Real Madrid, que agora não pretende entrar em uma nova disputa no mercado para encontrar um substituto. Segundo a imprensa espanhola, o clube considera o elenco cerca de 95% completo e entende que a chegada de Rodri, inclusive, poderia obrigar a saída de um dos três nomes que hoje ocupam espaço importante no setor: Tchouaméni, Eduardo Camavinga ou Federico Valverde.
Bernardo Silva pode assumir papel de Rodri

A ausência de uma nova contratação não significa, necessariamente, que José Mourinho terá poucas alternativas. O treinador português costuma trabalhar no 4-2-3-1, com dois jogadores formando a base do meio-campo atrás do camisa 10, e possui diferentes opções para montar essa estrutura. Tchouaméni, Valverde e Camavinga são os nomes mais naturais, mas Arda Güler, Thiago Pitarch e Bernardo Silva também podem ser utilizados.
Curiosamente, é justamente Bernardo Silva quem aparece como possível solução para a função que seria ocupada por Rodri. O português, de 31 anos, tem características diferentes das do espanhol, mas ganhou cada vez mais responsabilidade na construção desde os últimos anos no Manchester City.
Sua capacidade de controlar a posse, circular a bola e atuar em diferentes posições pode fazer com que Mourinho o utilize mais recuado, especialmente em partidas nas quais o Real Madrid precise ter maior controle territorial.
Valverde e Tchouaméni entram no balaio, Pitarch e Camavinga correm por fora

Ao lado de Bernardo, Valverde e Tchouaméni aparecem como os candidatos mais fortes para uma das vagas do meio-campo nos grandes jogos. O uruguaio oferece intensidade e chegada ao ataque, enquanto o francês é o jogador mais próximo de um primeiro volante tradicional. Arda Güler, por outro lado, pode ser a alternativa mais criativa. O turco foi um dos poucos jogadores do Real Madrid a sair valorizado da última temporada e já demonstrou capacidade para atuar mais recuado.
Durante a Copa do Mundo, inclusive, Mourinho teria entrado em contato com Güler após a eliminação da Turquia para apresentar seus planos para a próxima temporada. A ideia de transformar o jovem em um meio-campista capaz de iniciar as jogadas desde trás não seria, portanto, uma possibilidade tão distante. Aos 21 anos, o jogador poderia se tornar uma solução interna para um problema que o Real Madrid tenta resolver há algumas temporadas.
Camavinga e Thiago Pitarch, por sua vez, aparecem um pouco mais atrás na disputa. O francês ainda precisa recuperar espaço e regularidade depois de uma temporada marcada por problemas físicos, enquanto Pitarch chegou a ser relacionado a um possível empréstimo. No papel, Mourinho tem quantidade suficiente para montar seu meio-campo. A grande questão é se essas opções terão qualidade e características suficientes para compensar a ausência de Rodri e, principalmente, preencher o vazio deixado pelas saídas de Kroos e Modrić.
O Real Madrid decidiu não entrar novamente no mercado e confiar no elenco que tem à disposição. Resta saber se a aposta será suficiente para transformar um setor que continua sendo uma das principais interrogações do time em uma de suas forças na próxima temporada.
Créditos da foto de capa: Javier Soriano/AFP



