Para a temporada 2026/27, o Real Madrid está reformulando o banco de reservas para voltar aos anos competitivos vivenciados recentemente. A operação para esta mudança não custou um único euro vindo do próprio bolso.
Os gastos adquiridos neste verão, tais como a contratação do lateral Marc Cucurella, a cláusula de rescisão no valor de € 20 milhões pelo ala Dumfries e a contratação do técnico José Mourinho por € 15 milhões foram cobertos por uma fonte incomum de renda: os jogadores que saíram. Nomes como Konaté e Bernardo Silva chegaram sem custos e os demais atletas vieram por valores pagos pela La Fábrica (categorias de base do Real Madrid). O clube encontrou um modo de trazer jogadores com o dinheiro daqueles nomes que não atuam mais no time espanhol.
O valor obtido pela venda de jogadores
Até o momento, foram 108 milhões (incluindo transferências já realizadas) ganhos por atletas que não jogaram por nenhum minuto pelo time principal do Real Madrid na temporada 2025/26. Grande parte desses nomes é apenas vagamente conhecida pela torcida do clube madrilenho.
Apesar disso, são atletas que surgiram das categorias de base de Valdebebas, fizeram sucessos em outros times e, assim, aumentaram os cofres do Real Madrid. As ausências destes jogadores trouxeram resultados mais benéficos do que a presença da maioria dos nomes.
A lista de jogadores é fruto de talentos espalhados por todo o continente europeu. Considerado o melhor jogador do elenco, Nico Paz foi vendido ao time italiano Como por € 60 milhões, sendo o segundo jogador formado em La Fábrica mais caro da história do Real Madrid, atrás apenas de Álvaro Morata, possuindo uma cláusula de recompra se o novato desejar retornar ao Santiago Bernabéu.
Já Víctor Muñoz, que desempenhou um melhor futebol no Osasuna, foi contratado pelo Liverpool por € 40 milhões, metade do valor pelo qual foi adquirido pelo time de Madrid. Também há zagueiros que jogarão a próxima temporada por clubes da Itália e da Inglaterra,
Mario Gila foi contratado pelo Milan e o atacante Álvaro Rodríguez é o novo reforço do Bournemouth, sendo que cada um deixou a bagatela de € 15 milhões aos cofres do Real. Além deles, há o caso de Mario Martín, que atuará pelo Getafe, sendo adquirido por € 3,5 milhões.
A fórmula utilizada pelo Real Madrid
Por trás de todas as vendas, existe uma fórmula que o Real Madrid transformou em sua marca registrada: os 50%. Quando um jogador das categorias de base não possui espaço no time principal, o clube não o dispensa no primeiro momento. A instituição vende por um preço baixo, porém retém metade dos direitos econômicos e, nos principais casos, oferece uma opção de recompra. Trata-se de um investimento disfarçado no futuro de cada jogador.
Nem todas as vezes o Real Madrid acerta ao continuar com os jovens atletas, no entanto, dificilmente perde dinheiro e qualidade com aqueles que preferem sair do clube. Ele transforma a incapacidade do tempo de jogo dado (trazendo o eterno dilema de uma categoria de base que produz mais talento do que um elenco cheio de estrelas) em um ativo futuro próspero. O que os rivais entendem como uma fuga de jovens talentos, em La Fábrica, é encarado como uma colheita tardia.
Por enquanto, essa é a análise mais enigmática do mercado de transferências do Real Madrid. Talvez os torcedores não saibam que as contratações de Konaté, Dumfries, Bernardo e Cucurella foram feitas a partir de vendas de Nico Paz, Gila, Álvaro e Víctor Muñoz. Estes quatro jogadores talentosos possivelmente não estarão no mesmo vestiário que os novos reforços; entretanto, as atuações deles equilibraram as contas. O Real Madrid contratou atletas com o foco no presente e pagou por eles pensando no passado.
Contudo, ainda há um novo capítulo. O artilheiro da Segunda Divisão, Sergio Arribas, pode decretar a saída do Almería e deve ser anunciado pelo Benfica, que pagará 12,5 milhões ao Real Madrid, clube pelo qual o atleta foi formado. Quando terminar a janela de transferências, o número de saídas pode aumentar.
Créditos da foto da capa: Reprodução/Getty Images