Foi a segunda prova de nível do Real Madrid nesta pré-temporada e uma daquelas que deixam algumas respostas para José Mourinho. Diante de um Ferencváros mais rodado, que já disputou a fase preliminar da Europa League e duas rodadas do Campeonato Húngaro, o time espanhol teve pela frente um teste mais exigente do que normalmente se espera de um amistoso de agosto.
Ainda assim, os comandados de Mourinho fizeram o suficiente para vencer por 2 a 1, mesmo com algum sofrimento na segunda etapa, e saíram de campo com uma avaliação positiva. As ideias do treinador português começam a aparecer, mas ainda restam dois compromissos — contra Deportivo La Coruña e Schalke 04 — para que o time continue ajustando os detalhes antes do início oficial da temporada.
O plano de Mourinho para o Real Madrid

Nos últimos dias, principalmente após a recusa de Rodri em priorizar uma transferência para o Real Madrid, a profundidade do elenco passou a ser um dos principais assuntos no clube. Mourinho, porém, tratou de deixar clara sua intenção assim que chegou à Hungria: quer trabalhar com um grupo curto, de aproximadamente 20 jogadores. A declaração ajuda a entender o planejamento do português, que não pretende montar um elenco inchado e prefere contar com atletas capazes de cumprir diferentes funções.
A exceção, naturalmente, fica por conta dos problemas físicos, justamente um dos maiores obstáculos que o Real Madrid vem enfrentando nos últimos anos. Nesta pré-temporada, Huijsen já sofreu com um desconforto, enquanto Asencio e Thiago entraram para a lista de baixas, que ainda conta com jogadores como Militão, Mendy e Rodrygo.
Apesar das ausências, Mourinho tem conseguido encontrar alternativas para praticamente todas as posições. No gol, Courtois aparece como titular absoluto, enquanto Lunin é a opção imediata. Nas laterais, o treinador conta com Cucurella, Carreras, Dumfries e Trent, além de Mendy como alternativa ocasional. É um setor que oferece profundidade suficiente para que o português tenha diferentes possibilidades durante a temporada.
No miolo da defesa, a situação é ainda mais curiosa. Com a chegada de Konaté, Asencio passa a ser o quinto zagueiro do elenco, cenário que ajuda a explicar por que seu nome chegou a ser relacionado a uma possível saída. No meio-campo, a disputa também é grande: Tchouaméni, Valverde, Bernardo Silva, Camavinga e Thiago brigam por duas vagas no provável 4-2-3-1 de Mourinho. São cinco jogadores para apenas duas posições, o que deve obrigar o treinador a administrar minutos e rotações com bastante cuidado.
Ataque é uma incógnita

Da intermediária para frente, o número de opções aumenta ainda mais. Pela esquerda, Vinícius Júnior é o principal nome, enquanto Rodrygo deve voltar a ocupar seu lado preferido assim que estiver recuperado. Na direita, Diomande e Brahim aparecem como alternativas, com Endrick e até Valverde podendo ser utilizados dependendo do contexto. Por dentro, Bellingham e Arda Güler concentram boa parte da criatividade da equipe. Já no comando do ataque, Mbappé é a referência absoluta, enquanto Carlos Espí aparece como alternativa após marcar seu primeiro gol com a camisa do Real Madrid. Endrick também pode entrar nessa disputa caso permaneça no elenco.
É justamente aí que aparece o outro lado da ideia de Mourinho. Um elenco curto significa mais espaço e responsabilidade para os principais jogadores, mas também pode deixar atletas de qualidade com participação reduzida. Alguns nomes de nível elevado inevitavelmente terão de conviver com o banco de reservas e esperar por oportunidades. É o preço de montar um grupo pensado para ter alto nível de competitividade, e não simplesmente quantidade.
Dores de cabeça antes da temporada começar
O problema é que o planejamento de verão nem sempre sobrevive à realidade de uma temporada inteira. O histórico recente do Real Madrid mostra isso. As lesões têm sido uma constante e, quando o calendário aperta, um elenco que parecia suficiente pode rapidamente se transformar em um grupo curto demais.
Foi assim que o clube acabou recorrendo diversas vezes aos jovens da base para preencher lacunas. Mourinho sabe que terá de encontrar esse equilíbrio: trabalhar com um grupo enxuto, como deseja, sem correr o risco de ficar sem alternativas quando os problemas físicos aparecerem.
A vitória sobre o Ferencváros, portanto, serviu para muito mais do que manter o bom momento na pré-temporada. O Real Madrid começa a mostrar a cara de Mourinho, e o português parece ter uma ideia bastante clara sobre como quer trabalhar. Resta saber se um elenco curto será suficiente para sustentar as ambições de um time que chega à temporada com a obrigação de voltar a disputar todos os grandes títulos.
Créditos da foto de capa: Attila Kisbenedek/AFP via Getty Images


