Uma espinha dorsal está sendo avaliada pela diretoria do Real Madrid em 30 milhões de euros. Um zagueiro, um volante e um meia ofensivo por valores quase irrisórios no mercado atual. Se os merengues assim decidirem, o caminho está aberto. Esse é o custo estimado para assegurar o retorno de três talentos formados em Valdebebas: Jacobo Ramón, Chema Andrés e Nico Paz. Aproximadamente 8 milhões de euros por Jacobo, 13,5 milhões por Chema e 9 milhões por Nico. Três autênticas joias, como diria Rosalía. Três jovens que vêm brilhando em seus “Erasmus futebolísticos”, aproveitando cada minuto longe de casa para crescer.
Eles constroem, jogo após jogo, um argumento sólido para voltar. Um desejo comum, alimentado pelo desempenho em campo. Tanto que, no caso de Nico Paz, a decisão já está praticamente selada. A ideia do clube é clara: retorno em junho e permanência imediata no elenco. Jacobo e Chema, por sua vez, avançam passo a passo, seja para este verão ou para o próximo. Se a convocação chegar, ambos se sentem prontos. Para chegar e render, como fazem hoje na Serie A e na Bundesliga, e como poderiam fazer no Real Madrid após a Copa do Mundo de 2026, que será disputada no Canadá, nos Estados Unidos e no México.
O dossiê mais urgente é o de Nico Paz — e tudo indica que está no rumo certo. No último verão europeu, conforme revelou o jornal AS, o meio-campista nascido em Tenerife foi informado de que fazia parte dos planos do clube até 2026. Pediram-lhe calma. Que resistisse às propostas milionárias da Premier League (o Tottenham chegou a acenar com 70 milhões de euros). Nico não pensou duas vezes. Seu sonho sempre foi triunfar no Real Madrid. E porque o Como, sob a liderança de Cesc Fàbregas, representava — e ainda representa — o ambiente ideal para se preparar visando a Copa do Mundo. O plano, até aqui, funciona perfeitamente.
Se a primeira temporada já havia sido muito positiva (seis gols e nove assistências), a segunda beira a excelência. Nico é o vice-artilheiro da equipe (seis gols), líder em assistências (seis) e o jogador de linha mais utilizado (1.513 minutos). Qualquer dúvida ficou para trás. O Transfermarkt já o avalia em 65 milhões de euros, colocando-o como o quinto atleta mais valioso da Serie A. Ainda assim, o Real Madrid poderá recomprá-lo por apenas 9 milhões, desde que mantenha o nível até o fim da temporada no Como. A matemática é simples — e favorável.
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Valor semelhante ao que custaria o retorno de Jacobo Ramón ao elenco principal do Real Madrid, agora sob o comando de Xabi Alonso. O zagueiro deixou Valdebebas como promessa e se consolidou como referência às margens do Lago de Como. Em sua primeira experiência fora de casa, mostrou maturidade surpreendente. É o defensor mais utilizado por Cesc Fàbregas (1.258 minutos), superando nomes experientes como Diego Carlos e Kempf. E não se limita à defesa: fechou o ano contra o Lecce marcando seu segundo gol na temporada.
Fisicamente mais forte, Jacobo evolui justamente em um aspecto que ele mesmo entende como vital para dar o próximo salto no Real Madrid. Soma-se a isso sua excelente leitura defensiva e a qualidade para iniciar jogadas com a bola no pé. Contra o Lecce, por exemplo, registrou 92% de acerto nos passes (93% no campo ofensivo), venceu todos os desarmes e recuperou quatro bolas. Não à toa, é visto como um dos zagueiros de maior projeção formados recentemente em La Fábrica.
Esse crescimento despertou o interesse de quatro clubes da Premier League. Ainda assim, Jacobo mantém o foco no Como nesta temporada. O zagueiro ignora rumores e se concentra no presente. “Estou trabalhando para alcançar o nível do Real Madrid”, afirmou ao AS. Seu retorno dependerá de variáveis como o futuro de David Alaba e Antonio Rüdiger ou a possível chegada de um defensor livre no mercado da bola. Mas o objetivo está claro: alcançar o patamar exigido pelo clube.
Situação semelhante vive Chema Andrés, que teve um impacto imediato no Stuttgart nesta temporada da Bundesliga, também entrou no radar de grandes clubes europeus no mercado da bola. Comparado por muitos a Rodri, e conhecido por sua fidelidade ao Real Madrid, Chema não hesitou ao apontar o melhor volante do momento: Aurélien Tchouaméni. Encontrar um substituto à altura do francês é uma das questões em aberto — e isso pode abrir espaço para o retorno de Chema na próxima janela.
Desde cedo, o espanhol assumiu o lugar de Karazor, capitão e símbolo do clube, no banco. Passou a contribuir com qualidade na saída de bola, equilíbrio tático e força nos duelos. Apesar de leve queda física nas últimas partidas, já soma quase 1.000 minutos em campo. No Santiago Bernabéu, sua evolução agrada. Em 2026, seu valor de recompra é de 13,5 milhões de euros; em 2027, sobe para 18 milhões. Na Alemanha, a avaliação é direta: “Ele tem nível para jogar no Real Madrid”. Assim como Nico e Jacobo.

Nico Paz desponta como o mais próximo de voltar ao Real Madrid
Entre os três talentos formados em Valdebebas que vivem esse período de amadurecimento longe do Bernabéu, Nico Paz aparece hoje como o candidato mais forte a retornar já na próxima temporada. É o que indicam os movimentos internos do clube e a leitura da imprensa espanhola.
O argentino é visto como o caso mais avançado dentro do planejamento esportivo. Vendido ao Como, ganhou protagonismo, evoluiu fisicamente e amadureceu taticamente — pontos considerados fundamentais pela diretoria. O Real manteve controle contratual e acompanha de perto seu desempenho na Itália, onde soma gols, assistências e atuações consistentes. A sensação é de que ele voltaria mais pronto para disputar espaço no elenco principal.
Além do rendimento, pesa a favor de Nico o contexto do elenco. O Real Madrid busca renovar gradualmente o meio-campo com jogadores jovens, versáteis e capazes de atuar entre linhas — exatamente o perfil do argentino. Internamente, seu retorno é visto como reforço esportivo e decisão estratégica, evitando investimentos elevados no mercado.
Chema Andrés aparece em um segundo plano. Seu desempenho na Bundesliga é bem avaliado, sobretudo pela evolução física e pela experiência em um campeonato exigente taticamente. Ainda assim, a concorrência no setor é intensa, e o clube entende que mais tempo de desenvolvimento pode ser benéfico antes de uma reintegração definitiva.
O zagueiro Jacobo Ramón, por sua vez, é o que tem menos chances imediatas. Apesar do potencial e do acompanhamento constante, a defesa do elenco atual é considerada estável, reduzindo a urgência de sua volta no curto prazo.
Assim, salvo mudanças de mercado ou ajustes no planejamento, Nico Paz é o principal nome a “encerrar o Erasmus” e vestir novamente a camisa branca na próxima temporada — símbolo de uma estratégia clara: formar, lapidar fora e trazer de volta pronto para o mais alto nível.

Eles terão uma segunda chance no Real Madrid?
A trajetória de Nico Paz, Chema Andrés e Jacobo Ramón reflete uma tendência cada vez mais presente no Real Madrid: formar talentos, permitir que ganhem rodagem fora e, só então, avaliar se estão preparados para uma nova oportunidade no clube mais exigente da Europa. A pergunta é inevitável: o trio terá mesmo uma segunda chance no Bernabéu?
Hoje, Nico Paz lidera essa corrida. O meia aproveitou o período fora para ganhar protagonismo, minutos de alto nível e maturidade competitiva. Suas atuações sólidas e sua capacidade de jogar entre linhas recolocaram seu nome no centro do projeto esportivo. Internamente, seu caso é tratado como um exemplo de sucesso do modelo adotado pelo clube.
Chema Andrés vive um cenário mais cauteloso. Evoluiu, ganhou corpo e entendimento tático, mas depende do contexto do elenco na próxima temporada — saídas, lesões ou mudanças no desenho da equipe podem ser decisivas.
Já Jacobo Ramón enfrenta o desafio maior. A posição exige confiança imediata e experiência, e com o setor defensivo relativamente consolidado, sua volta não é prioridade no curto prazo, embora permaneça como opção futura.
No Real Madrid, segundas chances não surgem por nostalgia. Elas são fruto de rendimento, encaixe e oportunidade. Nesse cenário, Nico Paz parece mais próximo de reescrever sua história de branco, enquanto Chema Andrés e Jacobo Ramón seguem em observação, conscientes de que, no clube merengue, talento e timing precisam caminhar juntos.
(Foto: Getty Images)
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