Real Madrid, Tchouameni, Valverde, Camavinga
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Real Madrid: Fim da era “Casemiro, Kroos e Modric” abre espaço para “novo trio”

A temporada 2025/26 marca oficialmente o fim da era “Casemiro, Kroos e Modric” no Real Madrid, um dos trios de meio-campo mais históricos e vencedores da história do futebol europeu. Conhecidos como CMK, os três formaram a base de um time quase imbatível durante mais de uma década, conquistando títulos em sequência e marcando gerações. Foram 156 partidas começando juntos como titulares e mais de 200 jogos disputados lado a lado, construindo uma dinastia que acumulou 16 títulos enquanto estiveram em plena atividade como tridente.

Tudo começou em 2012, com a chegada de Luka Modric ao Santiago Bernabéu. Pouco depois, Casemiro foi integrado ao elenco principal, após rodar pelo futebol português, e em 2014 foi a vez de Toni Kroos desembarcar na capital espanhola, vindo do Bayern de Munique. A partir daí, formou-se o que a imprensa espanhola passou a chamar de “Triângulo das Bermudas” de Ancelotti, já que a maioria dos adversários simplesmente se perdia diante da solidez e da qualidade do trio.

No entanto, como em toda história gloriosa, o fim também chegou. Casemiro foi o primeiro a se despedir, em 2022, ao aceitar a proposta milionária do Manchester United. Dois anos depois, Kroos anunciou sua aposentadoria em 2024. E, por fim, Modric, após resistir até onde pôde, se despediu há poucas semanas, fechando um ciclo de mais de 13 anos em que pelo menos um dos três esteve presente em campo.

O início de uma nova era: o protagonismo de Valverde

Agora, o Real Madrid inicia um novo ciclo, considerado o “Ano I da era pós-CMK”. O clube espanhol não ficou refém do passado e já vê surgir uma nova liderança natural no meio-campo: Federico Valverde. O uruguaio, conhecido pela entrega incansável, regularidade e capacidade de adaptação a diferentes funções, assume a responsabilidade de guiar a nova fase do time do Real Madrid.

Nas últimas duas temporadas, Valverde disputou 119 dos 123 jogos do Real Madrid, somando quase 10 mil minutos em campo, incluindo compromissos com a seleção uruguaia. Apenas na temporada 2024/25, ele chegou a 6.676 minutos jogados, o maior número registrado por qualquer atleta profissional em atividade. Números que confirmam sua resistência física e sua importância dentro de um elenco recheado de estrelas.

Xabi Alonso, novo comandante merengue, não esconde a admiração pelo jogador, a quem compara a Steven Gerrard, ídolo do Liverpool. Assim como o inglês, Valverde é um “homem orquestra”: já atuou como lateral, volante, falso ponta e meia de ligação, mas será como interior, na faixa central do campo, que deve consolidar-se como o motor da equipe. Seu poder de chegada ao ataque é outro diferencial — desde 2022, apenas Mbappé marcou mais gols de fora da área do que o uruguaio nas cinco grandes ligas europeias.

O novo trio do Real Madrid: Tchouaméni, Güler e Valverde

Se a CMK já é história, o presente se constrói em torno de novas peças. O primeiro nome inegociável é o francês Aurélien Tchouaméni, que se firma como pilar defensivo, assumindo o papel que antes era de Casemiro. Com força física, qualidade nos desarmes e boa saída de bola, o francês se tornou essencial para dar equilíbrio ao meio-campo.

A segunda peça do novo quebra-cabeça é Arda Güler, jovem turco que vem chamando a atenção por sua inteligência tática e talento natural. Comparado por muitos ao lendário Özil, o Real Madrid enxerga nele algo ainda maior: a capacidade de ocupar, em médio prazo, o espaço deixado por Modric como cérebro do time. Güler tem trabalhado intensamente para unir físico e técnica, tornando-se mais completo e confiável.

Assim, forma-se um novo trio que a imprensa espanhola já apelidou de “TGV” — Tchouaméni, Güler e Valverde. Sigla que remete não apenas aos nomes, mas também à velocidade e à modernidade, em comparação ao trem francês de alta velocidade.

Arda Guler

O desafio de manter a hegemonia

Embora o Real Madrid viva um momento de renovação, o objetivo segue o mesmo: continuar competitivo na Liga dos Campeões e no Campeonato Espanhol. A transição não significa queda de rendimento, mas sim a construção de uma nova identidade. Outros nomes como Jude Bellingham, Eduardo Camavinga e até jovens promessas como Mastantuono também estarão envolvidos nesse processo, dando opções a Xabi Alonso para moldar diferentes variações táticas.

O fim da era Casemiro, Kroos e Modric representa, sem dúvida, o encerramento de uma das fases mais vitoriosas da história do Real Madrid. Mas, ao mesmo tempo, abre espaço para que uma nova geração assuma o protagonismo, com energia, talento e fôlego renovado. Se a CMK entrou para a história, agora será a vez de a TGV escrever seu próprio legado.