O Real Madrid mostrou, nas primeiras rodadas da temporada, que ainda é um time em construção. A equipe apresenta uma versão muito forte ofensivamente, capaz de produzir grandes atuações e goleadas, mas também revela problemas quando atua longe do Santiago Bernabéu.
A diferença entre jogar em casa e fora é justamente um dos principais pontos que chamam atenção neste início de trabalho de José Mourinho. No Bernabéu, o Real Madrid tem sido praticamente avassalador. Como visitante, porém, o desempenho cai consideravelmente.
Além disso, as falhas defensivas continuam aparecendo. E não se trata apenas de problemas envolvendo a linha de quatro. As desconexões são coletivas e acontecem em momentos nos quais o time acaba se desprotegendo. É um cenário que combina poder ofensivo com erros evitáveis na defesa.
Real Madrid mostra sua força no Bernabéu
Até aqui, o Real Madrid conseguiu construir resultados expressivos atuando em casa. Contra Real Sociedad e Málaga, a equipe marcou quatro gols em cada partida, conquistando duas goleadas tranquilas e aumentando a confiança do elenco.
Os números ajudam a explicar essa diferença. No Santiago Bernabéu, o Real Madrid registra uma média de 10 finalizações no alvo por partida e sofre apenas duas. É uma equipe que consegue transformar sua superioridade ofensiva em pressão constante sobre os adversários.
Fora de casa, entretanto, a história é diferente. A estreia na liga, no Cornellà-El Prat, contra o Espanyol, foi muito mais complicada. Embora tenha passado a sensação de ser superior ao adversário, o time precisou sofrer bastante para conseguir a vitória.
Fora de casa, a intensidade diminui
Os números também deixam clara a diferença. Longe do Bernabéu, o Real Madrid finaliza um terço a menos e tem seis gols a menos em relação ao desempenho apresentado como mandante. A eficiência ofensiva, portanto, não se mantém no mesmo nível.
O problema ficou ainda mais evidente na partida disputada em La Cartuja. O Real Madrid não conseguiu balançar as redes, algo que chama atenção diante da capacidade ofensiva demonstrada pela equipe nas últimas partidas.
Antes desse jogo, o time havia passado em branco apenas uma vez nos últimos 24 compromissos, justamente no clássico contra o Barcelona, em 10 de maio. Além disso, fora de casa, o Real Madrid sofre o dobro de finalizações no alvo em comparação com seus jogos no Bernabéu: quatro por partida.
Falhas defensivas preocupam Mourinho
A outra face do Real Madrid também aparece nas desconexões defensivas. São erros que poderiam ser evitados e que acabam tendo um peso ainda maior quando a partida é equilibrada.
Contra o Espanyol, por exemplo, o gol sofrido aconteceu após uma descoordenação entre Valverde, que teve maior responsabilidade no lance, e a linha defensiva durante a marcação de Calatrava. Diante da Real Sociedad, o problema foi uma sequência de falta de contundência de Konaté e Carreras para interromper um contra-ataque.
Já em La Cartuja, novamente Valverde apareceu envolvido em uma falha. O meio-campista perdeu a marcação no rebote de uma cobrança de escanteio, permitindo que o adversário aproveitasse a situação para marcar.
Problemas individuais, não de sistema
A avaliação feita a partir desses lances é que o Real Madrid não apresenta necessariamente um problema tático ou uma estrutura defensiva mal construída. As falhas são mais relacionadas a erros individuais que acabam ficando escondidos quando o time consegue vencer por placares largos.
Em partidas equilibradas, porém, esses pequenos erros ganham outra dimensão. Uma falha defensiva pode ser suficiente para mudar completamente o resultado de um jogo, principalmente diante dos desafios que o Real Madrid terá pela frente.
Por isso, embora ainda não exista motivo para ligar o sinal de alerta, o time precisa ajustar essas questões. O projeto ainda está longe de atingir seu auge, e os primeiros jogos mostram que existem algumas peças que precisam ser apertadas nessa máquina.
Bellingham ainda sente o desgaste
Durante a pré-temporada, Mourinho chegou a brincar que havia três versões do Real Madrid: o time “fresco”, o “cansado” e o “supercansado”. Com o início da temporada, essa última versão praticamente desapareceu, como seria esperado depois do fim da preparação física.
Ainda assim, o treinador continua encontrando sinais de um Real Madrid “cansado” em alguns jogadores. Bellingham é um dos principais exemplos. O inglês iniciou a pré-temporada mais tarde por causa da participação da Inglaterra na Copa do Mundo e ainda sente os efeitos dessa situação.
Depois dos 70 minutos, a gasolina começa a diminuir para o meio-campista. Com menos energia, o ritmo da equipe também cai e o Real Madrid passa a jogar em rotações mais baixas.
Uma máquina poderosa, mas ainda imperfeita
Nenhum desses pontos, isoladamente, é suficiente para causar alarme neste momento. O Real Madrid ainda está construindo seu melhor futebol e precisa de tempo para alcançar seu nível máximo.
A capacidade ofensiva, por outro lado, é evidente. A equipe cria muitas oportunidades e apresenta uma força de ataque capaz de decidir partidas. O problema é que as desconexões defensivas começam a gerar alguma preocupação, especialmente quando o adversário consegue manter o jogo equilibrado.
É justamente aí que aparecem as duas caras do Real Madrid. No Bernabéu, o time tem sido avassalador e acumula grandes números ofensivos. Fora de casa, marcou apenas dois gols até aqui e terminou sua passagem por La Cartuja sem balançar as redes.
O cenário mostra um Real Madrid poderoso, mas ainda imperfeito. Uma máquina capaz de assustar qualquer adversário quando está funcionando em sua melhor versão, mas que ainda precisa apertar algumas peças para evitar que pequenos erros comprometam seu desempenho ao longo da temporada.
José Mourinho, Real Madrid. Foto: Attila Kisbenedek/AFP via Getty Images.



