O Real Madrid parece ter perdido o rumo das vitórias, e o time de Xabi Alonso já soma três partidas sem triunfar, depois do empate por 2 a 2 contra o Elche no último domingo (23). São apenas dois pontos conquistados em nove possíveis, cenário que acende um alerta especialmente na disputa pelo título de La Liga, que há poucas semanas parecia bem encaminhado. A vantagem de cinco pontos construída após o expressivo 4 a 0 sobre o Valencia, em 1º de novembro, no Santiago Bernabéu, praticamente se evaporou.
Primeiro, o empate em Vallecas reduziu a diferença para três pontos, mesmo depois da vitória no El Clásico no fim de outubro, em Chamartín. E, para completar, a igualdade no Martínez Valero, somada à vitória firme do Barcelona diante do Athletic Bilbao, deixou os merengues com apenas um ponto de margem sobre o rival catalão. Restam 25 rodadas — entre elas, uma visita ao Camp Nou, recém-reaberto após meses de incertezas. A fase negativa do Real Madrid não se limita ao campeonato nacional.
Na realidade, o declínio dos merengues começou na UEFA Champions League, na visita a Anfield. Após três vitórias seguidas, o Real Madrid sofreu uma derrota para o Liverpool. O revés por 1 a 0 ainda pareceu menor do que o domínio imposto pelos ingleses. Apesar de ainda liderar La Liga e ocupar a parte alta da tabela de classificação na fase de liga do torneio continental, o desempenho dos comandados de Xabi Alonso está distante do ideal, antes da pausa do calendário internacional para a Data Fifa de novembro.
Nem mesmo a adoção de uma linha de três zagueiros, testada ontem, proporcionou mais solidez ou controle ao time. Ao contrário: o Real Madrid foi superado pelo Elche durante boa parte do confronto, que abriu o placar duas vezes com justiça. O gol salvador de Jude Bellingham evitou um resultado pior, mas o projeto já não transmite o mesmo otimismo do início da temporada, em que apenas a pesada derrota no Dérbi para o Atlético de Madrid havia manchado a campanha quase perfeita dos merengues.
Por fim, o mês de novembro tem sido cruel com o Real Madrid. Três jogos sem vitória tornam cada compromisso um teste de sobrevivência. O próximo embate será nesta quarta-feira (26), no Estádio Karaiskakis, em Atenas, diante do Olympiacos, pela quinta rodada da fase de liga da UEFA Champions League. Há margem para recuperação — mas é cada vez menor. O clube merengue luta para reencontrar seu melhor nível, consolidar-se entre os favoritos ao título continental e garantir a classificação direta para as oitavas de final.

Real Madrid de Xabi Alonso não tem mais espaço para erros nesta temporada
Em um dos momentos mais sensíveis da temporada, o Real Madrid de Xabi Alonso vê suas fragilidades se tornarem mais visíveis. O trabalho que começou cercado de expectativas agora convive com irregularidades que soam alarmantes: o tempo para correções está se esgotando.
Nos últimos jogos, o Real Madrid deixou escapar pontos em duelos teoricamente controláveis, como o 2 a 2 diante do Elche — partida que reacendeu críticas à falta de sintonia entre o elenco e o treinador. Analistas destacam que a equipe apresenta dificuldades para impor sua identidade nos momentos-chave, sobretudo na criação ofensiva e na organização com a bola.
A pressão sobre Xabi Alonso também cresce devido a questões internas. Há relatos de que sua autoridade no vestiário começa a ser questionada por alguns jogadores, levantando dúvidas sobre sua ascendência e capacidade de liderar um elenco tão exigente.
Além disso, seu estilo de jogo dinâmico e agressivo — visto anteriormente no Bayer Leverkusen — ainda não encontrou o equilíbrio ideal em Madrid. Para muitos, falta estabilidade entre criatividade, intensidade e solidez defensiva. E mesmo quando chances são criadas, a eficiência deixa a desejar.
A cada tropeço do Real Madrid, a cobrança ganha corpo: não apenas pela grandeza do clube, mas porque o projeto atual foi apresentado como uma renovação técnica e mental. Agora, cobra-se menos discurso e mais resultados consistentes.
Se o Real Madrid deseja seguir na disputa pelos títulos, o espaço para falhas diminuiu drasticamente. E Xabi Alonso já não dispõe de grande margem para erros repetidos.

Xabi Alonso arma o Real Madrid para retomar a rota das vitórias na Champions e na La Liga
Com a temporada exigindo respostas rápidas, o técnico Xabi Alonso encara um momento decisivo. Nas próximas semanas, o Real Madrid disputa um duelo fundamental da UEFA Champions League contra o Olympiacos e, em La Liga, um confronto importante diante do Girona. Para o treinador, trata-se não só de um teste de regularidade, mas de uma chance de reforçar sua autoridade e acelerar a consolidação de seu modelo tático.

Pressão europeia no horizonte
Após a derrota por 1 a 0 para o Liverpool na Champions, Alonso reconheceu as falhas ofensivas da equipe. Ele lamentou a ausência de “ameaça real” ao gol adversário e ressaltou que, apesar da competitividade, faltou profundidade para transformar o controle do jogo em chances claras.
Contra o Olympiacos, o peso estratégico é enorme: um novo tropeço pode complicar seriamente a posição da equipe e colocar em risco a vaga direta para as oitavas. Especialistas apontam esse momento como um divisor de águas.
Como resposta, o treinador tem adotado medidas para proteger o grupo. O clube tem evitado treinar nos estádios adversários antes das partidas europeias, preferindo manter a preparação em Valdebebas. Essa postura mais reservada busca preservar segredos táticos e reforçar o foco interno.

Reconstruir a identidade também na La Liga
No cenário doméstico, parte da imprensa acusa o time de falta de intensidade, apesar da liderança no campeonato. Alonso entende que recuperar o ritmo também implica mostrar autoridade nos jogos nacionais, especialmente contra adversários fortes como o Girona.
O duelo é uma oportunidade para comprovar os pilares que ele tenta implementar: pressão coordenada, defesa compacta e alto nível de intensidade — fundamentos que já enfatizou em coletivas passadas.

A visão de longo prazo
Apesar das dificuldades, o técnico Xabi Alonso tenta equilibrar urgência e construção. Em entrevistas, afirmou que o Real Madrid “segue na direção certa” e que nos próximos meses espera ver uma evolução clara no desempenho. Isso revela sua confiança em um processo que exige tempo, ainda que precise entregar resultados imediatos.
Há quem diga que ele recupera métodos de Mourinho, com rotinas rigorosas, análises auxiliadas por drones e preparação minuciosa.

O momento da verdade
A dupla missão — ganhar na Champions e convencer na La Liga — coloca o treinador diante de uma encruzilhada. Os próximos jogos vão muito além da pontuação: determinarão se seu modelo tem sustentação prática e se ele é capaz de conduzir o Real Madrid em alto nível. Um insucesso pode aumentar a pressão. Um sucesso, por outro lado, pode servir como base definitiva para consolidar seu projeto.
(Foto: AFP/Getty Images)