A final da Copa do Rei entregou tudo o que se espera de uma decisão: intensidade, reviravoltas, drama e um desfecho digno de roteiro. Depois de 120 minutos terminando em 2 a 2, a Real Sociedad levou a melhor sobre o Atlético de Madrid nos pênaltis por 4 a 3 e conquistou seu terceiro título da competição.
O título tem um significado especial para a Real Sociedad. Além de encerrar um jejum desde a temporada 2019/20, a conquista repete um roteiro histórico: assim como em 1987, o time venceu o Atlético após empate no tempo normal e triunfo nos pênaltis. Uma coincidência que reforça o peso simbólico da vitória.
O jogo
A partida começou de forma simplesmente explosiva. Com apenas 14 segundos, a Real Sociedad abriu o placar no gol mais rápido da história das finais da Copa do Rei. Em um lançamento direto do campo de defesa, a zaga do Atlético falhou, e Gonçalo Guedes cruzou na medida para Barrenetxea, que apareceu livre para cabecear para o fundo das redes. Um início que pegou todos de surpresa e colocou o time basco em vantagem praticamente antes do jogo começar de fato.
O Atlético demorou alguns minutos para se reorganizar, mas respondeu com qualidade. Aos poucos, a equipe passou a controlar mais a posse de bola e buscar espaços. O empate veio antes dos 20 minutos, em uma jogada bem trabalhada. Antoine Griezmann encontrou Ademola Lookman dentro da área, e o atacante finalizou com força, sem chances para o goleiro Marrero. O 1 a 1 trouxe equilíbrio ao confronto.
Mesmo com o empate, a partida seguiu aberta. As duas equipes alternavam momentos de domínio, mas foi a Real Sociedad quem voltou a ser mais eficiente antes do intervalo. Em um lance de bola aérea, o goleiro Musso saiu mal ao tentar afastar e acabou acertando Gonçalo Guedes. O árbitro marcou pênalti, e Mikel Oyarzabal, especialista na cobrança, não desperdiçou. Ele bateu com segurança para recolocar os bascos em vantagem e ainda entrou para a história como o primeiro jogador do clube a marcar em duas finais da Copa do Rei.
Na volta para o segundo tempo, o Atlético encontrou dificuldades. A equipe de Diego Simeone esbarrava na organização defensiva da Real Sociedad, que se mostrava sólida e disciplinada. O time madrilenho tinha mais posse, mas pouca criatividade para transformar isso em chances reais.
Simeone tentou mudar o panorama com substituições ofensivas. Saíram nomes importantes como Griezmann e Lookman, e entraram jogadores com características diferentes, buscando mais presença na área e jogo aéreo. Ainda assim, a defesa basca seguia firme, bloqueando cruzamentos e neutralizando as investidas.
Quando parecia que o Atlético não encontraria solução, surgiu um momento de brilho individual. Já na reta final, após uma inversão de jogo, Thiago Almada ajeitou a bola, e Julián Álvarez fez uma jogada de alto nível: dominou, deu um toque de letra para se livrar da marcação e finalizou com precisão no canto. Um golaço que empatou novamente a decisão e levou o jogo para a prorrogação.
No tempo extra, o desgaste físico ficou evidente dos dois lados. O ritmo caiu, e as oportunidades se tornaram mais raras. Ainda assim, o Atlético teve a melhor chance para evitar os pênaltis. Julián Álvarez apareceu novamente e acertou a trave, ficando muito perto de virar o jogo. Foi o último grande lance antes da decisão nas penalidades.
Nos pênaltis, o equilíbrio se manteve, mas a Real Sociedad foi mais eficiente nos momentos decisivos. Alexander Sorloth abriu a série para o Atlético e parou em defesa de Marrero. A resposta veio com Soler, que colocou os bascos em vantagem. Julián Álvarez, herói do tempo normal, também desperdiçou sua cobrança, aumentando a pressão sobre os colchoneros.
Apesar de Musso ter conseguido uma defesa importante, o Atlético não aproveitou totalmente a oportunidade. Nico González e Álex Baena converteram suas cobranças, mantendo o time vivo, mas a Real Sociedad seguiu firme. Sucic e Muñoz marcaram, sustentando a vantagem.
Na cobrança final, Pablo Marín teve a responsabilidade de decidir. Com frieza, ele bateu com precisão e garantiu o título para a equipe basca. Festa em La Cartuja para um time que mostrou eficiência, organização e sangue frio ao longo da partida.
Real Sociedad conquista mais um título na base da raça
A Real Sociedad mostrou resiliência. Apesar de sofrer com a pressão do Atlético durante boa parte do segundo tempo, a equipe conseguiu segurar a onda e garantir um título histórico, apagando a frustração de anos anteriores.
Para o Atlético de Madrid, fica a frustração. A equipe mostrou poder de reação e teve chances de vencer, mas pecou nas finalizações e, principalmente, nas cobranças de pênalti. Em uma final tão equilibrada, os detalhes fizeram toda a diferença.
No fim, prevaleceu a calma da Real Sociedad nos momentos decisivos. E em finais assim, isso costuma ser o que separa quem chega perto de quem levanta a taça.
(Foto: Getty Images)