Durante grande parte dos últimos anos, a Red Bull foi sinônimo de domínio na Fórmula 1. A equipe de Milton Keynes construiu uma das eras mais vencedoras da história recente da categoria, acumulando títulos mundiais e transformando Max Verstappen em uma das maiores referências do automobilismo.
Por isso, olhar para a classificação do Mundial de Construtores de 2026 e encontrar a Red Bull apenas na quarta posição causa estranheza. Após sete etapas disputadas, a equipe soma 89 pontos e aparece distante da líder Mercedes, que já abriu uma vantagem de 173 pontos.
Os números ajudam a explicar a preocupação. A Red Bull ainda não venceu nenhuma corrida na temporada, conquistou apenas um pódio e acumulou quatro abandonos. Para uma equipe acostumada a disputar vitórias em praticamente todos os finais de semana, trata-se de um cenário bastante diferente.
Apesar disso, nem tudo é negativo dentro da equipe austríaca. Os sinais mais recentes indicam uma evolução importante do RB22, carro que começou o campeonato apresentando problemas significativos de desempenho e confiabilidade.
A grande questão é saber se essa recuperação será suficiente para recolocar a Red Bull entre as protagonistas da temporada.
O início de campeonato revelou problemas graves

Os primeiros meses de 2026 foram extremamente difíceis para a Red Bull.
Após as três primeiras corridas, a equipe havia somado apenas 16 pontos e ocupava apenas a sexta colocação no Mundial de Construtores. Em determinado momento, aparecia atrás até mesmo de Haas e Alpine, algo praticamente impensável para uma equipe que dominou a categoria nos últimos anos.
Grande parte das dificuldades estava relacionada à confiabilidade da unidade de potência. Os problemas mecânicos custaram pontos importantes e impediram que a equipe explorasse todo o potencial do carro.
Além dos abandonos, o RB22 também apresentou limitações de desempenho. O equilíbrio do carro em curvas se tornou uma das principais preocupações dos engenheiros, dificultando a adaptação dos pilotos e reduzindo a competitividade da equipe em diferentes tipos de circuitos.
Os resultados refletiram diretamente essas dificuldades.
Enquanto Mercedes, Ferrari e McLaren acumulavam pontos de forma consistente, a Red Bull se via cada vez mais distante da luta pelas primeiras posições.
As atualizações de Miami mudaram o cenário
A recuperação começou a ganhar forma no Grande Prêmio de Miami.
A equipe levou para os Estados Unidos um amplo pacote de atualizações que modificou praticamente todas as áreas importantes do RB22. As mudanças envolveram elementos aerodinâmicos desde a asa dianteira até o difusor traseiro.
O objetivo era simples: melhorar o equilíbrio do carro e recuperar desempenho.
Os resultados começaram a aparecer nas corridas seguintes.
Em Barcelona, por exemplo, Max Verstappen terminou na quarta colocação, enquanto Isack Hadjar cruzou a linha de chegada em sexto lugar. Foi um resultado importante porque mostrou que a evolução não estava restrita a apenas um piloto.
Pela primeira vez na temporada, a Red Bull parecia capaz de competir de maneira mais consistente dentro da zona de pontuação.
A evolução ainda não colocou a equipe no nível das líderes do campeonato, mas demonstrou que existe um caminho de recuperação.
Verstappen segue cobrando mais desempenho

Mesmo com a melhora recente, Max Verstappen deixou claro que ainda está longe de estar satisfeito.
O tetracampeão mundial reconheceu publicamente que a Red Bull ainda possui limitações importantes. Segundo o piloto holandês, o principal problema continua sendo o equilíbrio do RB22 durante as curvas, fator que afeta diretamente a velocidade e a consistência ao longo das corridas.
A situação obriga Verstappen a extrair praticamente tudo do equipamento disponível em cada volta.
Ao afirmar que precisa pilotar a “101%” constantemente, o holandês revelou uma preocupação comum entre pilotos quando o carro não está no nível ideal. Quanto mais próximo do limite absoluto um piloto precisa andar para ser competitivo, maiores são as chances de erros, desgaste físico e acidentes.
Essa é uma situação bem diferente daquela vivida pela Red Bull em seus anos mais dominantes, quando Verstappen frequentemente conseguia administrar corridas sem precisar forçar o equipamento ao extremo.
Além disso, relatórios apontam que o RB22 ainda está entre seis e sete quilos acima do peso ideal. Pode parecer pouco, mas na Fórmula 1 cada quilo faz diferença. Estima-se que esse excesso esteja custando aproximadamente dois décimos de segundo por volta.
Em uma categoria onde pole positions muitas vezes são decididas por milésimos, essa perda representa uma desvantagem significativa.
A luta pelo terceiro lugar parece possível
Embora a distância para Mercedes seja enorme, o cenário não é completamente negativo.
A McLaren, atual terceira colocada, está apenas 52 pontos à frente da Red Bull. Com 17 etapas ainda restantes, essa diferença pode ser recuperada caso a equipe mantenha o ritmo de evolução apresentado nas últimas corridas.
O desafio é que a recuperação precisará ser constante.
Não basta apenas reduzir a diferença em velocidade de classificação. A Red Bull precisa melhorar sua confiabilidade, evitar abandonos e maximizar a pontuação de seus dois pilotos durante todo o restante do campeonato.
A boa notícia é que Verstappen continua sendo um dos pilotos mais completos do grid e frequentemente consegue resultados superiores ao desempenho real do carro. Além disso, a evolução de Isack Hadjar oferece uma segunda fonte importante de pontos para o time.
Ainda assim, alcançar Mercedes ou Ferrari parece um objetivo muito mais complicado.
As duas equipes demonstraram um nível de competitividade superior desde o início do campeonato e construíram vantagens importantes na tabela.
Para sonhar com algo além do terceiro lugar, a Red Bull precisará de uma recuperação técnica muito maior do que a apresentada até agora.
Um novo desafio para uma equipe acostumada a vencer

A temporada de 2026 representa um cenário pouco familiar para a Red Bull.
Depois de anos lutando exclusivamente por vitórias e títulos, a equipe agora precisa conviver com a realidade de perseguir adversários que parecem ter encontrado soluções mais eficientes para o novo regulamento.
Ainda assim, seria um erro descartar completamente a capacidade de reação da equipe austríaca.
A estrutura de Milton Keynes continua sendo uma das mais avançadas da Fórmula 1. O investimento permanece entre os maiores da categoria e Verstappen segue no auge da carreira.
Os sinais de evolução observados desde Miami mostram que a equipe está encontrando respostas para alguns de seus problemas mais urgentes.
A grande incógnita é saber se essas melhorias chegarão rápido o suficiente para transformar uma temporada que começou de forma decepcionante em uma campanha de recuperação.
Por enquanto, a Red Bull não parece ter condições de desafiar Mercedes pela liderança do campeonato. No entanto, a disputa pelo terceiro lugar está completamente aberta. E se o desenvolvimento do RB22 continuar avançando no ritmo esperado, a equipe poderá encerrar 2026 em uma posição muito mais competitiva do que aquela que ocupava nas primeiras corridas do ano.
(Foto de capa: Redd Bull content pool / Getty Images)