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Reforma das duplas na ATP: entenda o que pode mudar e as críticas dos tenistas

A ATP tenta fazer uma grande mudança nos torneios de duplas, mas encontra resistência pelo caminho. A entidade planeja uma série de mudanças já para 2028, incluindo a quantidade de duplistas presentes nas competições. Isso resultaria em um foco maior no simples, incluindo dinheiro a mais, sendo estimado um valor de 20 milhões de euros.

Os duplistas, é claro, não gostaram das mudanças propostas e, desde o começo, criticam e questionam a decisão. Nesta segunda-feira (26), mais de 150 duplistas, contando com a assinatura de ex-tenistas, assinaram uma carta aberta à ATP contra as mudanças propostas.

Mudanças já foram realizadas em anos anteriores para tentar atrair mais público para as duplas. Foto: Getty Images

Carta aberta contra a ATP

Entre os tenistas que assinaram, estão diversos brasileiros, inclusive os atuais n.º 1 do Brasil: Orlando Luz e Rafael Matos. Marcelo Melo, Marcelo Demoliner, Fernando Romboli, Marcelo Zormann e Bruno Oliveira foram os outros, assim como a CBT, com a assinatura do presidente Alexandre Faria.

A carta, que recebeu o título de “Ponto Decisivo”, foi publicada nos perfis dos duplistas. Os atletas entendem que as mudanças propostas podem prejudicar as carreiras dos especialistas nas duplas. Além disso, pedem para que uma reforma seja feita para ampliar a visibilidade da modalidade, não para realizar cortes.

Confira alguns trechos da carta assinada por 137 tenistas em atividade, 33 ex-tenistas e 20 confederações nacionais:

“A ATP existe para servir todos os tenistas profissionais. O tênis é mais do que um negócio. É um legado mundial construído sobre alegria, saúde e respeito esportivo. Um legado como esse precisa abrir portas, não fechá-las. (…) estamos muito preocupados com os planos da ATP de reduzir drasticamente o tamanho das chaves de duplas no circuito.”

“Os planos atuais devem deslocar cerca de 20 milhões de dólares em premiações das duplas para a simples e, ao mesmo tempo, reduzir significativamente as oportunidades profissionais para especialistas em duplas. Essa mudança tornaria muito mais difícil para jogadores talentosos construir e sustentar uma carreira exclusivamente nessa modalidade.”

“Em vez de cortes drásticos, pedimos que a ATP proteja as chaves de duplas e a viabilidade das oportunidades profissionais dessa carreira, ao mesmo tempo em que desenvolve planos de longo prazo para promover a modalidade e torná-la mais atrativa para fãs, meios de comunicação e patrocinadores.”

“Nós não somos contra reformas. Pelo contrário, queremos ajudar a construí-las. Qualquer mudança deve fortalecer o esporte como um todo, e não enfraquecer uma de suas partes essenciais. É por isso que pedimos à diretoria e à gestão da ATP que reconsiderem as reduções propostas e trabalhem conosco por um futuro melhor para os duplistas profissionais.”

Brisbane International Tennis Tournament
A atual proposta não agradou aos duplistas da ATP. Foto: REUTERS/Dan Peled

Mudanças propostas pela ATP

A ATP anunciou a proposta de reforma ainda em julho, durante a disputa em Wimbledon. O previsto é que haja uma grande redução das chaves de duplas em torneios Masters 1000, ATP 500 e ATP 250. Os únicos que não seriam impactados são os Grand Slams e os Jogos Olímpicos, competições que não são controladas pela entidade.

  • Masters 1000: redução de 32 duplas para 16;
  • ATP 500 e ATP 250: redução de 16 duplas para 8.

Caso isso aconteça, a premiação recebida pelas duplas também seria menor. Atualmente, os duplistas ganham cerca de 20% do valor total das premiações. Se a mudança proposta for concretizada, poderia ser reduzido para apenas 10%.

Por enquanto, se trata de uma proposta apenas para o tênis masculino. O feminino é gerido pela WTA, que não faz parte desse possível movimento, ao menos por enquanto.

Foto: Matthew Stockman/Getty Images