O 1 a 1 entre Remo e Grêmio, nesta quarta-feira, no Mangueirão, foi um retrato bastante fiel da situação das duas equipes na Série A. Em um confronto direto na luta contra o rebaixamento, os times demonstraram muita preocupação em não errar, pouca capacidade para construir por dentro e problemas evidentes na tomada de decisão no último terço.
O empate, portanto, não pode ser analisado apenas pelo resultado. O Grêmio saiu na frente, teve oportunidades para matar a partida e esteve por longos momentos em vantagem no placar, mas escolheu recuar excessivamente. O Remo, por sua vez, teve mais iniciativa, principalmente no segundo tempo, mas precisou insistir até encontrar uma solução.
No fim, 1 a 1 e sensação de oportunidade perdida dos dois lados.
Grêmio teve a bola no início, mas não conseguiu jogar por dentro
O Grêmio começou tentando controlar a partida através da posse, especialmente explorando Amuzu pelo lado esquerdo. O problema apareceu rapidamente na construção.
Com Danilo Barbosa, Dodi e Villasanti no meio-campo, o time de Renato Gaúcho tinha três jogadores capazes de oferecer sustentação, mas nenhum deles conseguiu assumir protagonismo suficiente para fazer a bola avançar com qualidade.
A equipe passou a depender demais dos zagueiros e dos laterais para iniciar as jogadas. Quando precisava acelerar, a alternativa mais frequente era o passe direto para Carlos Vinícius disputar fisicamente ou para Amuzu atacar a profundidade.
Era uma estratégia compreensível diante das dificuldades de construção, mas que deixou o Grêmio previsível.
Do outro lado, o Remo também não apresentava grande fluidez. Tinha mais disposição para colocar a bola no chão, mas circulava excessivamente sem encontrar um jogador capaz de romper a primeira linha de marcação.
O jogo, durante boa parte do primeiro tempo, foi marcado por passes laterais e para trás. Os dois times pareciam jogar mais preocupados em não oferecer o erro ao adversário do que em provocar o erro do adversário.
Remo encontrou seu melhor caminho pelo lado direito
Apesar da dificuldade para criar, o Remo encontrou uma saída interessante pelo corredor direito.
A equipe iniciava algumas jogadas pelo lado esquerdo e, posteriormente, buscava inversões para Marcelinho. O lateral conseguia receber com mais espaço e avançar, enquanto Yago Pikachu também aparecia por aquele setor para dar continuidade às jogadas.
Foi justamente em uma dessas movimentações que o Remo chegou a uma das melhores oportunidades da primeira etapa, quando Marcelinho invadiu a área e finalizou cruzado.
Pikachu também tentou de fora da área e obrigou Weverton a fazer uma defesa rasteira.
Ainda assim, faltava ao Remo alguém capaz de organizar o jogo pelo centro. A equipe tinha posse, mas não tinha aceleração. Tinha circulação, mas pouca agressividade.
Grêmio encontrou o gol justamente quando começava a ser pressionado
O gol gremista veio no último lance relevante do primeiro tempo e em uma jogada de bola parada.
Depois de uma cobrança de escanteio e de uma sequência de rebotes dentro da área, Kannemann se jogou na bola e conseguiu finalizar para abrir o placar.
Foi uma síntese do primeiro tempo do Grêmio: pouca produção ofensiva em jogo aberto e eficiência em uma situação específica.
O problema é que a vantagem aparentemente mudou completamente a postura da equipe.
Grêmio recuou demais e entregou o segundo tempo ao Remo
A entrada de Enamorado no intervalo, no lugar de Amuzu, não foi suficiente para mudar o cenário.
O Remo voltou tentando acelerar em busca do empate e passou a ter cada vez mais a bola. Pikachu começou a aparecer mais por dentro, enquanto o time insistia nas combinações pelo lado direito e nas finalizações de média distância.
Weverton passou a ser mais exigido.
O goleiro defendeu chute de Pikachu, parou uma finalização de Galeano e também apareceu em cobrança de falta de Vitor Bueno. Marlon ainda teve uma tentativa dentro da área desviada e defendida pelo goleiro.
O Grêmio, por outro lado, praticamente abandonou a ideia de jogar.
A equipe se fechou atrás e passou a esperar pelo contra-ataque. O problema é que, quando teve a oportunidade de atacar os espaços deixados pelo Remo, não conseguiu tomar boas decisões.
E aí está um dos principais motivos pelos quais o Grêmio deixou escapar uma vitória que parecia possível.
A chance de matar o jogo apareceu, mas o Grêmio desperdiçou
Aos 31 minutos, o Grêmio teve a melhor oportunidade para transformar o 1 a 0 em uma vantagem praticamente definitiva.
Enamorado recebeu em velocidade e demorou para decidir. Marllon conseguiu bloquear a finalização e, no rebote, Tetê bateu forte. Marcelo Rangel fez uma defesa espetacular e manteve o Remo vivo.
Era o tipo de lance que poderia mudar completamente a partida.
O Grêmio teve espaço, superioridade e uma oportunidade clara de contra-atacar. Não conseguiu aproveitar.
E o futebol costuma cobrar caro esse tipo de desperdício.
David Braga aproveitou a pressão e recolocou o Remo no jogo
Aos 43 minutos, o Remo finalmente conseguiu transformar a pressão em gol.
Patrick recebeu pelo meio e colocou a bola na área. Taliari desviou de cabeça e David Braga apareceu para completar também pelo alto, empatando a partida.
O gol foi consequência direta da postura adotada pelo Remo durante boa parte da etapa final.
A equipe não apresentava uma produção ofensiva brilhante, mas permanecia no campo de ataque, insistia, recuperava segundas bolas e colocava jogadores cada vez mais próximos da área.
O Grêmio, ao escolher defender quase o tempo inteiro, acabou permitindo que a pressão se acumulasse.
Depois do empate, o jogo mudou completamente
Curiosamente, foi somente depois de sofrer o empate que o Grêmio voltou a tentar jogar.
A partida ficou aberta nos minutos finais, e novamente o time gaúcho teve chances para sair vencedor.
Enamorado recebeu bom passe de Braithwaite e, completamente livre dentro da área, finalizou para fora. Pouco depois, em outro contra-ataque, Tetê, Braithwaite e Nardoni tiveram situações para finalizar, mas novamente faltou definição.
É difícil imaginar uma síntese melhor dos problemas ofensivos do Grêmio nesta partida.
Quando precisou construir, teve dificuldades. Quando encontrou espaços para contra-atacar, tomou decisões ruins. E quando teve oportunidades claras dentro da área, não conseguiu concluir.
Weverton e Marcelo Rangel foram importantes
Se os ataques deixaram a desejar, os goleiros tiveram participação importante no resultado.
Weverton foi um dos melhores jogadores do Grêmio. Além das defesas no segundo tempo, mostrou segurança durante uma partida na qual sua equipe passou muito tempo protegendo a própria área.
Marcelo Rangel também teve participação decisiva. A defesa em Tetê aos 31 minutos foi especialmente importante, porque manteve o Remo vivo justamente em um momento em que o Grêmio poderia ter encaminhado a vitória.
Sem aquela intervenção, talvez a história do jogo fosse diferente.
Empate mantém os dois presos na parte de baixo
Para um Grêmio que buscava sua primeira vitória como visitante na competição, o 1 a 1 representa mais uma oportunidade desperdiçada.
A equipe chegou ao confronto ainda sem vencer fora de casa, com quatro empates e 10 derrotas, e deixa Belém sem conseguir mudar esse cenário.
O Remo também não pode comemorar o ponto como se fosse uma grande conquista. O time mostrou reação e teve mérito por buscar o empate, mas continua apresentando limitações importantes na criação e na capacidade de transformar posse em chances realmente claras.
No fim, o resultado parece justo pelo que cada equipe apresentou, mas deixa uma pergunta especialmente incômoda para o Grêmio: quantas oportunidades mais serão necessárias para conseguir uma vitória fora de casa?
Contra o Remo, a equipe esteve à frente, teve chances para ampliar e encontrou espaços para definir a partida. Preferiu sobreviver ao jogo em vez de controlá-lo.
E acabou pagando o preço.
FOTO: Richard Ducker/GRÊMIO FBPA/DIVULGAÇÃO

