A Revolução no futebol mundial ganhou força depois da disputa da Copa do Mundo de 2026, vencida pela Espanha, com uma transformação significativa nos comandos técnicos das seleções. Dos 48 países que participaram do torneio, 20 trocaram de treinador desde julho, segundo levantamento publicado pelo jornal AS nesta quinta-feira (24). A movimentação representa uma mudança profunda no início do novo ciclo internacional e coloca nomes de grande reconhecimento no futebol à frente de projetos que já miram as próximas competições e, principalmente, a Copa do Mundo de 2030.
Entre as principais mudanças após a Copa do Mundo está a França, que encerrou um ciclo de 14 anos com Didier Deschamps e apostou em Zinedine Zidane. O ex-técnico do Real Madrid assume uma geração recheada de talentos ofensivos e terá o desafio de estabelecer sua própria identidade em uma equipe acostumada a disputar as principais decisões internacionais. Na Alemanha, Jurgen Klopp também inicia uma nova experiência, agora no futebol de seleções, depois de sua passagem pelo Liverpool. O treinador convocou 44 jogadores durante a atual Data Fifa para ampliar sua avaliação do elenco e começar a definir os nomes que farão parte de seu projeto.
A Holanda também entrou na onda de mudanças ao entregar seu comando a Xavi Hernández. O espanhol chega com a proposta de implementar um futebol ofensivo e baseado no controle das partidas, enquanto precisa lidar com mudanças importantes no elenco e ausências provocadas por lesões. Em Portugal, Jorge Jesus substituiu Roberto Martínez e encontrou uma seleção diante de uma transição geracional, com jogadores históricos como Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva, João Cancelo e Bruno Fernandes se aproximando de uma nova etapa de suas carreiras. O treinador terá entre suas missões potencializar nomes como João Neves e Vitinha, de olho na Copa do Mundo de 2030.
Do mesmo modo, a Itália promoveu uma mudança de peso ao recuperar Roberto Mancini, que inicia sua segunda passagem pela Azzurra. O técnico comandou a seleção entre 2018 e 2023, período que incluiu o título da Eurocopa, e agora retorna com a responsabilidade de reconstruir uma equipe que não disputou a Copa do Mundo de 2026. A Bélgica, por sua vez, escolheu o ex-meio-campista Mark van Bommel para assumir os Diabos Vermelhos, enquanto a Croácia encerrou a longa passagem de Zlatko Dalic e chamou Slaven Bilic, que já havia dirigido a seleção entre 2006 e 2012.
A reformulação também alcançou outras regiões após o fim da Copa do Mundo de 2026. A República Tcheca passou a ser comandada por Santi Denia, enquanto Diego Forlán assumiu o Uruguai após a saída de Marcelo Bielsa. Na Coreia do Sul, Robert Moreno foi escolhido inicialmente como interino após a saída de Hong Myung-bo, com a definição permanente dependendo das eleições da federação. O cenário ainda inclui Marcelo Gallardo no Equador, Hervé Renard na Costa do Marfim, Patrick Vieira no Senegal e Rafa Márquez no México, ampliando a presença de treinadores conhecidos em projetos nacionais diferentes daqueles que marcaram suas carreiras anteriores.
A dimensão da transformação fica ainda mais clara quando se observa que as alterações não se concentram apenas nas grandes potências. Argélia, Cabo Verde, Escócia, África do Sul e Tunísia também estão entre as seleções que modificaram seus comandos desde a Copa do Mundo. Ao todo, 20 das 48 equipes participantes passaram por essa mudança, enquanto outras 28 decidiram manter os treinadores que estiveram no torneio. Espanha, Argentina, Brasil, Inglaterra e Estados Unidos estão entre as seleções que preservaram seus comandantes, mostrando que o pós-Copa do Mundo de 2026 produziu estratégias diferentes entre as federações.
Além das mudanças nos bancos de reservas, o futebol internacional também começa a conviver com o encerramento de ciclos dentro de campo. Na Argentina, por exemplo, a transformação não ocorreu no comando técnico, mas envolve Lionel Messi, que, segundo o AS, encerrará sua trajetória pela Albiceleste após o amistoso contra Benin. A saída de uma das maiores referências da história argentina acrescenta outro elemento à transição iniciada depois da Copa do Mundo de 2026, marcando uma nova etapa para a seleção campeã mundial e seu elenco.
Com a primeira Data Fifa do novo ciclo reunindo tantos treinadores recém-chegados, as seleções entram em uma fase de observação, testes e redefinição de identidades. Nomes consagrados como Zidane, Klopp, Xavi, Jorge Jesus e Mancini passam a trabalhar em contextos completamente diferentes do futebol de clubes, enquanto Forlán, Márquez, Gallardo e Vieira assumem desafios que podem marcar uma nova etapa de suas carreiras. A Revolução no futebol mundial, portanto, não se resume à troca de 20 técnicos: representa o começo de uma reorganização internacional que deverá ganhar novos capítulos até a Copa do Mundo de 2030.

Como esses novos treinadores buscam conduzir suas seleções de olho na Copa do Mundo de 2030
O novo ciclo de seleções começou oficialmente após a Copa do Mundo de 2026, e os treinadores que chegaram ao comando de diferentes países já trabalham com um objetivo de longo prazo: preparar suas equipes para o Mundial de 2030. A primeira Data Fifa de setembro funciona como ponto de partida para essa reconstrução, permitindo aos técnicos testar jogadores, estabelecer conceitos de jogo e avaliar quais nomes poderão sustentar seus projetos nos próximos quatro anos.
A movimentação é especialmente significativa na Europa, onde a UEFA Nations League 2026/27 começou nesta quinta-feira (24), reunindo seleções que também terão pela frente a preparação para a Eurocopa de 2028. Entre os novos comandantes, Zinedine Zidane, Jurgen Klopp, Xavi Hernández e Roberto Mancini aparecem diante de desafios distintos. Zidane estreia pela França na Nations League, enquanto Klopp inicia sua primeira experiência à frente de uma seleção com a Alemanha. Xavi conduz a Holanda em um grupo que também reúne os alemães, e Mancini retorna à Itália.
A competição europeia oferece partidas oficiais desde o início do trabalho, reduzindo o espaço para experiências exclusivamente em amistosos. A Nations League ganhou ainda mais importância porque sua edição 2026/27 terá ligação com o caminho para a Eurocopa de 2028. A fase de grupos começou em 24 de setembro e será encerrada em novembro, enquanto as fases decisivas estão previstas para 2027.
Para treinadores recém-chegados, a competição representa uma oportunidade de desenvolver mecanismos coletivos sob pressão competitiva e, ao mesmo tempo, observar jogadores que poderão permanecer no projeto até a Copa do Mundo de 2030. Na Europa, a Euro 2028 surge como o principal grande teste intermediário. O torneio será disputado na Inglaterra, Irlanda, Escócia e País de Gales, com 51 partidas distribuídas por nove estádios de oito cidades.
Na América do Sul, a preparação seguirá outro calendário, tendo a Copa América de 2028 como referência competitiva. A sede ainda é objeto de discussões em setembro, com Estados Unidos, Argentina e Equador aparecendo entre as possibilidades avaliadas para receber a competição. O torneio será particularmente relevante para uma Argentina que iniciou uma nova etapa após Lionel Messi anunciar sua aposentadoria da seleção em 31 de agosto, encerrando uma trajetória internacional de mais de duas décadas.
Fora da Europa e da América do Sul, outras confederações também começaram a estruturar seus projetos. Na Concacaf, a Nations League 2026/27 já é tratada como um dos primeiros passos competitivos do ciclo visando 2030, com várias seleções apresentando novos treinadores. A competição permite que esses profissionais experimentem formações e jogadores em partidas oficiais, enquanto constroem uma identidade que deverá evoluir nos próximos anos.
Assim, o planejamento para a Copa do Mundo de 2030 começa muito antes da próxima edição. Para os novos treinadores, Nations League, Eurocopa, Copa América e demais torneios continentais funcionarão como etapas de avaliação e consolidação. O desafio será transformar as primeiras experiências de setembro de 2026 em projetos capazes de atravessar quatro anos de mudanças, renovação de gerações e pressão por resultados.

Será que essas seleções vão causar grandes mudanças de técnicos, antes de uma vaga para a Copa do Mundo de 2030?
A primeira Data Fifa de setembro, após a disputa da Copa do Mundo de 2026, no Canadá, nos Estados Unidos e no México, já apresenta um cenário de forte renovação nos bancos de reservas, mas a continuidade desses projetos até a Copa do Mundo de 2030 dependerá dos resultados e da capacidade de cada treinador em transformar suas ideias em desempenho competitivo.
Em setembro de 2026, nomes como Zinedine Zidane na França, Jurgen Klopp na Alemanha, Xavi Hernández na Holanda, Roberto Mancini na Itália e Jorge Jesus em Portugal iniciam trabalhos que terão a UEFA Nations League como primeiro grande laboratório. A primeira rodada já colocou alguns desses novos comandantes diante de desafios importantes: Klopp estreou contra a Holanda de Xavi, enquanto Portugal, agora dirigido por Jorge Jesus, enfrentou País de Gales. França e Itália também iniciam seus novos ciclos diante de Turquia e Bélgica, respectivamente.
Ainda assim, uma sequência de trocas antes da Copa do Mundo de 2030 não significa necessariamente que os treinadores recém-contratados permanecerão até o Mundial. A Nations League 2026/27, a Eurocopa de 2028 e as competições de cada confederação funcionarão como pontos de avaliação. Na Europa, a própria UEFA já aprovou mudanças estruturais para o período posterior à Euro 2028, incluindo uma nova configuração da Nations League a partir de 2028/29.
Na América do Sul, a situação também envolve reconstrução. O Brasil manteve Carlo Ancelotti, e, em setembro, o treinador afirmou que pretende priorizar jogadores jovens durante o novo ciclo, pensando simultaneamente na próxima Copa América e na Copa do Mundo. A Argentina, por outro lado, enfrenta uma transição ainda mais simbólica depois da aposentadoria de Lionel Messi da seleção, anunciada em 31 de agosto. O fim da trajetória do craque argentino acrescenta outro elemento à renovação da equipe, que agora precisará avançar sem sua principal referência das últimas duas décadas.
Por isso, novas mudanças de técnicos até a Copa do Mundo de 2030 são possíveis, especialmente se algumas seleções não apresentarem a evolução esperada nas próximas competições. Entretanto, o cenário de setembro mostra federações apostando em projetos de longo prazo. Nations League, Eurocopa, Copa América e demais torneios continentais serão decisivos para definir quais treinadores terão continuidade e quais equipes precisarão iniciar outra transformação antes do Mundial.
(Foto: GOAL/Getty Images)



