O Arsenal vive um grande momento na Premier League, e parte desse sucesso tem nome e sobrenome: Riccardo Calafiori. O lateral-esquerdo italiano vem chamando atenção não apenas pela consistência defensiva, mas principalmente pela sua impressionante capacidade de atacar. Os números são tão bons que muitos já o consideram o melhor defensor ofensivo da Europa neste início de temporada.
Com a vitória por 2 a 0 sobre o Burnley no último sábado, os Gunners abriram sete pontos de vantagem na liderança do campeonato antes dos jogos de domingo. A equipe de Mikel Arteta sofreu apenas três gols em dez partidas, um desempenho defensivo notável. No entanto, o destaque individual vai mesmo para Calafiori, que vem se tornando uma verdadeira arma ofensiva pelo lado esquerdo.
Aos 22 anos, o italiano combina força, velocidade e inteligência tática, algo que tem transformado o estilo de jogo do Arsenal. Arteta encontrou nele uma nova peça-chave para quebrar defesas adversárias e criar superioridade numérica no ataque.
Um lateral com alma de atacante
De acordo com dados do Sky Sports, Calafiori soma 18 finalizações na Premier League — marca superada apenas por Viktor Gyokeres dentro do elenco, que tem 20. O lateral também aparece com o terceiro maior xG (expectativa de gol) do time, com 1,97, além de ter o sexto maior número de toques na área adversária em toda a competição.
Esses números seriam impressionantes até para um ponta, mas tornam-se ainda mais surpreendentes considerando que ele atua na defesa. Além disso, já soma três participações diretas em gols, mostrando que seu impacto ofensivo vai muito além da simples presença no ataque.
Com dez jogos disputados e todos como titular, Calafiori se tornou indispensável para o esquema de Arteta. A forma como ele se projeta ao ataque, participa da construção e pressiona a saída de bola adversária faz dele uma peça multifuncional — um lateral moderno que entende o jogo como poucos.
De promissor na Itália a protagonista em Londres
Calafiori chegou ao Arsenal vindo do Bologna por 45 milhões de euros no verão europeu de 2024, depois de uma temporada brilhante na Serie A. Sob o comando de Thiago Motta, ele havia sido convertido de lateral-esquerdo para zagueiro, mostrando enorme versatilidade e ajudando o time a alcançar uma histórica vaga na Liga dos Campeões.
Apesar da empolgação inicial, sua primeira temporada em Londres foi marcada por dificuldades. Lesões constantes — cinco ao todo — o tiraram de 28 partidas, entre clube e seleção, e interromperam o ritmo que havia conquistado na Itália. No Arsenal, viu-se atrás de Gabriel e Saliba na zaga, enquanto Myles Lewis-Skelly surgiu como nova opção na lateral.
Mas a virada veio com a nova temporada. Recuperado fisicamente e confiante, Calafiori retomou seu melhor futebol e fez da lateral-esquerda o seu território. As atuações consistentes e ofensivas transformaram-no em um dos jogadores mais importantes do elenco e, ao mesmo tempo, em um dos laterais mais influentes da Europa.
De promessa a realidade europeia
O auge de Calafiori começou ainda antes da transferência para o Arsenal, durante a Eurocopa de 2024. Na fase de grupos, o italiano foi um dos destaques da seleção comandada por Luciano Spalletti e deu a assistência para o gol memorável de Mattia Zaccagni, aos 98 minutos, contra a Croácia — um momento que marcou sua afirmação no cenário internacional.
Hoje, ele representa a nova geração de defensores: técnicos, agressivos e com leitura de jogo apurada. Sua habilidade de transitar entre defesa e ataque com naturalidade o coloca em um patamar semelhante a nomes consagrados como Alphonso Davies e Theo Hernández.
Se mantiver o ritmo atual, Calafiori não só consolidará sua posição como titular absoluto do Arsenal, mas também entrará definitivamente no radar dos grandes prêmios individuais da temporada. O torcedor dos Gunners, que já se acostumou a ver defensores de alto nível, pode estar testemunhando o nascimento de um dos laterais mais completos da Europa moderna.