O River Plate deu um passo ousado e estratégico no mercado da bola ao anunciar a contratação de Alex Woiski, jovem atacante de 19 anos nascido em Palma de Mallorca, na Espanha, mas com raízes e coração voltados à Argentina. O jogador, que estava livre no mercado após encerrar seu contrato com o Mallorca em junho, era cobiçado por clubes como Palmeiras, Juventus, Inter de Milão, Milan, Flamengo, Fiorentina e Mônaco. Mesmo com tanto interesse ao redor, ele tinha um objetivo muito claro: vestir a camisa do River Plate e jogar no Monumental de Núñez.
Essa escolha do jovem não deixa de ser surpreendente, principalmente diante das investidas de clubes europeus com estrutura e visibilidade no Velho Continente, além da insistência do Palmeiras, que chegou a fazer diversas investidas. Mas Woiski bateu o pé e seguiu seu instinto: queria estar onde o coração mandava. Essa convicção fez com que o técnico Marcelo Gallardo não pensasse duas vezes e já o integrasse diretamente ao elenco principal, sem sequer cogitar mandá-lo para o time reserva.
A expectativa em torno da estreia é grande, e a data que pode marcar sua primeira aparição com a camisa do River é o dia 28 de julho, contra o San Lorenzo, no Monumental. Antes disso, o River encara o Instituto fora de casa. Por isso, Gallardo está acompanhando de perto o desempenho de Woiski nos treinos para decidir se o coloca à disposição já nesta sequência.
Cláusula astronômica: 100 milhões de euros
Mas o que mais chamou atenção na contratação, além da escolha de Woiski, foi o valor da cláusula de rescisão: nada menos que 100 milhões de euros. Isso mesmo. O River decidiu blindar seu novo xodó com uma cláusula astronômica, seguindo uma nova política do clube voltada para suas joias da base ou jovens recém-chegados, para evitar que talentos escapem de graça ou por valores abaixo do mercado.
Essa mudança de postura vem diretamente influenciada pelo chamado “caso Mastantuono”, em referência a Franco Mastantuono, outro prodígio do clube que foi vendido muito cedo ao Real Madrid, por uma quantia considerada baixa diante do seu potencial. A ideia é clara: se algum gigante europeu quiser tirar Woiski do River, vai ter que abrir bem os cofres.
Esse modelo não se aplicou só ao jovem atacante. O também promissor Lautaro River, de 21 anos, assinou recentemente com o clube sob a mesma cláusula de 100 milhões de euros — valor 122% maior do que aquele que foi estipulado inicialmente para Mastantuono. Ou seja, o River está fazendo a lição de casa para não repetir erros do passado.
Woiski: uma joia em ascensão
Mas quem é Alex Woiski e por que ele está gerando tanta repercussão? Apesar de ter nascido na Espanha, Woiski tem forte ligação com a Argentina e já foi convocado pelo técnico Diego Placente para disputar o Campeonato Sul-Americano Sub-20 no início de 2025. Naquela ocasião, os holofotes estavam em Claudio Echeverri e, claro, em Franco Mastantuono, mas Woiski também deixou sua marca e estreou com a camisa da seleção argentina de base.
Marcelo Gallardo, em entrevista recente, explicou o porquê da aposta no garoto:
“É um jovem talento que conseguimos trazer. Ele jogou o Sul-Americano e já vinha sendo observado. Achamos que era o momento certo de apostar, e ele queria muito vir. Ainda é jovem, claro, mas tem potencial. É uma boa oportunidade para o clube e para ele.”
Woiski atua como atacante de movimentação, tem boa técnica, visão de jogo e finalização apurada. Seu estilo de jogo se aproxima do de jogadores como Álvarez e Driussi, nomes que também despontaram no River antes de brilhar na Europa. Além disso, sua escolha pelo clube argentino também é estratégica pensando em uma possível convocação para a seleção principal, algo que ele mesmo já deixou claro que deseja.
Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte, Woiski sabe que precisa se destacar em alto nível nos próximos dois anos. Jogar com regularidade no River, um dos clubes mais vitoriosos da América do Sul e com ampla visibilidade internacional, pode ser o caminho mais curto para chamar a atenção de Lionel Scaloni e conseguir uma vaga na Albiceleste.
O recado do River ao mercado
Com a contratação de Woiski e a cláusula de 100 milhões de euros, o River Plate deixa um recado claro ao mercado: o clube não quer mais perder suas promessas por valores irrisórios. Está disposto a competir em outro nível, não só na América do Sul, mas também como um exportador de talentos mais valorizados para o futebol europeu.
A chegada de Woiski é simbólica. Mostra que o River ainda é capaz de seduzir jovens talentos mesmo diante do assédio de clubes europeus e brasileiros com muito mais poderio financeiro. E mais do que isso, sinaliza uma nova fase de planejamento e proteção patrimonial dentro do futebol argentino, que há muito sofre com a debandada precoce de suas joias.
Se vai dar certo ou não, só o tempo dirá. Mas, por enquanto, a torcida do River pode comemorar. Porque, além de conseguir fechar com um jogador muito promissor, vê seu clube atuando com visão de futuro e aprendendo com os próprios erros. E, para o futebol argentino, isso já é um grande avanço.