Steven Adams Houston Rockets
Basquete NBA

Durant? Sengun? Que nada! Rockets têm um jogador discreto e decisivo para o sucesso do time na temporada

A temporada do Houston Rockets vem sendo marcada por uma mudança clara de patamar competitivo. Após anos de reconstrução seguida por frustrações nos playoffs, a equipe dirigida por Ime Udoka começa a se afirmar como uma candidata real a brigar no topo da Conferência Oeste. A vitória sobre o Cleveland Cavaliers reforça essa percepção: mesmo sem ser dominante em todos os aspectos do jogo, Houston segue acumulando resultados, já com 19 triunfos em 29 partidas. Em um Oeste cada vez mais equilibrado, isso não é pouco. E, curiosamente, um dos símbolos dessa virada atende pelo nome de Steven Adams.

Udoka nunca escondeu que sua filosofia passa por desempenho físico, disciplina defensiva e leitura coletiva do jogo. É justamente nesse contexto que a presença de Adams ganha enorme relevância. Após a vitória sobre Cleveland, o treinador fez questão de destacar o impacto do pivô neozelandês, não apenas pelos números (nove pontos e oito rebotes), mas pela forma como ele influencia o ataque e, sobretudo, o comportamento do time em quadra.

A inteligência de Adams é um trunfo para os Rockets de Udoka

O discurso de Udoka é revelador porque foge do óbvio. Adams não é mais um jogador que chama atenção por estatísticas infladas ou jogadas plásticas. Seu valor para os Rockets está nos detalhes: nos rebotes ofensivos que quebram a organização defensiva adversária, nas “duck-ins” inteligentes, nos bloqueios bem executados e, principalmente, na leitura rápida para devolver a bola ao perímetro quando atrai múltiplos marcadores. Em um time que conta com talento ofensivo no perímetro, esse tipo de inteligência funcional se torna uma arma poderosa.

O Houston Rockets atual é uma equipe que ainda apresenta falhas, especialmente na capacidade de fechar jogos apertados. Essa é uma crítica recorrente e justa. Porém, mesmo com esse problema estrutural, o time segue vencendo. Isso indica que há uma base sólida sendo construída, algo que não existia em temporadas anteriores. Parte disso se deve ao impacto de estrelas como Kevin Durant, cuja chegada elevou o teto técnico da equipe e trouxe uma mentalidade vencedora. Mas seria simplista atribuir a evolução apenas a ele.

Steven Adams representa exatamente o tipo de jogador que transforma boas equipes em equipes realmente perigosas nos playoffs. Historicamente subestimado, o pivô sempre foi respeitado dentro da liga por quem joga contra ele. LeBron James, por exemplo, já destacou publicamente o quão desgastante é enfrentar Adams, não apenas pelo contato físico, mas pela constância com que ele executa pequenas tarefas que desorganizam o adversário. Em um cenário de pós-temporada, onde cada posse importa, esse tipo de jogador costuma fazer a diferença.

Para Durant, a parceria com Adams também carrega um componente simbólico. Ambos dividiram vestiário no Oklahoma City Thunder, em uma fase em que o time era presença constante nas finais de conferência. Há um entendimento tácito entre os dois sobre espaços, tempos de ataque e leitura de jogo. Isso não aparece diretamente nas estatísticas, mas se traduz em fluidez ofensiva e confiança coletiva, algo que os Rockets ainda estão aprendendo a desenvolver.

O mais interessante é que Adams cumpre esse papel mesmo estando na reta final de sua carreira. Em um momento em que a NBA valoriza cada vez mais pivôs móveis, capazes de espaçar a quadra, o neozelandês prova que ainda há espaço para um jogador de força, posicionamento e inteligência. Ele não “atrapalha” o ataque moderno; pelo contrário, o complementa. Ao gerar segundas chances e obrigar defesas a colapsarem no garrafão, Adams cria exatamente os arremessos que um Rockets com Durant, jovens talentosos e bons chutadores precisa.

Adams é o diferencial, e a NBA sabe disso

A fala de Udoka também revela algo maior: o treinador sabe que campeonatos não são vencidos apenas com talento bruto. O Rockets tem um elenco profundo e jovem, mas precisava de referências claras de competitividade. Adams oferece isso diariamente. Sua presença impõe um padrão físico e mental que contamina o resto do grupo, especialmente os mais novos. Em uma liga cada vez mais veloz, esse tipo de âncora emocional e tática é raro.

Ainda assim, a pergunta permanece: o Houston Rockets já está pronto para brigar pelo título? Talvez ainda não. A dificuldade em fechar jogos contra adversários de elite pode custar caro em séries longas de playoffs. No entanto, o que diferencia esta temporada das anteriores é que o time agora parece saber exatamente quem é e como quer jogar. E Steven Adams é uma peça central nessa identidade.

Se a saúde do elenco se mantiver e se os jovens continuarem a evoluir dentro da estrutura de Udoka, os Rockets podem, sim, se transformar em uma ameaça real. Não apenas pelo brilho de suas estrelas, mas pela soma de peças que fazem o jogo funcionar. Em um campeonato decidido nos detalhes, Steven Adams pode não ser o rosto da franquia, mas pode muito bem ser um de seus pilares mais importantes.

(Foto: Getty Images)